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QUERIDINHO

Cesar Filho era opção de Silvio Santos para substituí-lo nos domingos do SBT

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Cesar Filho conversa em um estúdio

Cesar Filho em entrevista ao Programa Flávio Ricco; queridinho de Silvio Santos (1930-2024)

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 2/6/2026 - 21h26

Atual apresentador do SBT Brasil e um dos três conselheiros da presidente Daniela Abravanel Beyruti no SBT, Cesar Filho era tão querido por Silvio Santos (1930-2024) que o dono do Baú queria colocá-lo como seu substituto na maratona que ele comandava todos os domingos na emissora. 

A revelação foi feita pelo próprio jornalista durante entrevista ao Programa Flávio Ricco, da LeoDias TV, nesta terça-feira (2). Ele contou que, em 1989, quando Silvio decidiu se lançar candidato à presidência do Brasil, escolheu o jornalista e Gugu Liberato (1959-2019) como seus substitutos.

"Quando eu estava na Globo, o Silvio tentou me contratar em duas oportunidades. E não deu certo. Uma das vezes foi quando ele saiu candidato à presidência da República", relatou o âncora de telejornal. "Ele me chamou, fui no camarim dele lá no Cine Sol, na [avenida General] Ataliba Leonel, e ele falou: 'Olha, eu quero você para fazer quatro horas do domingo, e o Gugu outras quatro horas'."

Os planos do comunicador para o então jovem, aliás, iam além do Programa Silvio Santos. O contrato de Filho seria de seis horas, porque ele também faria um programa nas noites de segunda-feira. "Eu falei: 'Silvio, mas segunda à noite tem Tela Quente na Globo'. E ele: 'Não tem problema, o Paulo Barboza [1944-2018] está fazendo um programa na Record que tá dando 10 pontos. Vou fazer um com você aqui e vai dar 20'", lembrou Filho.

"E aí a candidatura dele foi impugnada, e aí também foi impugnada a minha contratação (risos), porque obviamente eu não ia mais. Mas ele queria que eu ficasse quatro horas no domingo... Eu e o Gugu, para fazer o domingo no lugar dele enquanto ele se dedicaria à campanha", disse o marido de Elaine Mickely.

Silvio Santos impedido de virar presidente

Em 1989, Silvio Santos chegou a se candidatar à presidência da República, nas primeiras eleições presidenciais após a Ditadura Militar (1964-1985). A candidatura, no entanto, foi impugnada.

O lançamento da campanha de Silvio foi feito de última hora, a apenas duas semanas das eleições. Inicialmente, ele havia se filiado ao Partido da Frente Liberal (PFL, atual DEM) para concorrer ao cargo, mas mudou de ideia e se apresentou como candidato pelo Partido Municipalista Brasileiro (PMN).

Na época, no entanto, o partido já tinha outro nome. Armando Corrêa era o concorrente oficial e já estava até aparecendo na propaganda eleitoral gratuita na televisão. Corrêa teve de ceder seu espaço a Silvio Santos. Como o voto ainda era impresso, em cédulas de votação que já estavam prontas com o nome do outro, Silvio precisou explicar como os eleitores deveriam votar nele.

"No dia das eleições, não haverá Silvio Santos na cédula. Vocês deverão colocar o X e marcar 26. Por favor, não escrevam na cédula porque anularão o voto. E podem acreditar: o Silvio Santos vai lutar por vocês, defender os interesses do povo e o desenvolvimento do Brasil. Quem acredita em mim deve votar no 26", afirmou na campanha.

A fama e o carisma do apresentador o ajudaram a disparar nas pesquisas de intenção de voto. Segundo o livro Topa Tudo por Dinheiro, escrito por Maurício Stycer, o sucesso da candidatura de Silvio Santos incomodou Roberto Marinho (1904-2003), dono do Grupo Globo.

Entre 22 candidatos, o apresentador aparecia entre os preferidos dos eleitores, disputando votos com Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor. Ele chegou a alcançar 30% das intenções de voto nas sondagens, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A candidatura, no entanto, foi alvo de várias denúncias e questionamentos, acerca da legalidade dos trâmites e das problemáticas sobre o dono de uma grande empresa de comunicação querer exercer o cargo de presidente do país. No total, 18 pedidos de impugnação da candidatura foram protocolados.

A campanha de Silvio Santos durou pouco. Por unanimidade, o TSE acatou as denúncias e concluiu que o PMN não tinha cumprido a Lei Eleitoral ao lançar o comunicador como candidato. 

Ao ser impedido de disputar as eleições, Silvio deu uma entrevista à Veja em que insinuou que sua candidatura havia sido barrada por preconceito. "Se o lenhador Abraham Lincoln [1809-1865] foi presidente dos Estados Unidos e o ator Ronald Reagan [1911-2004] também --e por dois mandatos--, um camelô que virou artista e empresário pode ser presidente do Brasil", declarou ele.


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