PANTANAL E RENASCER

Bruno Luperi lembra briga com Benedito Ruy Barbosa ao assumir remakes do avô

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Bruno Luperi segura o choro durante entrevista ao Fantástico

O autor Bruno Luperi em entrevista ao Fantástico deste domingo (12); homenagem ao avô

REDAÇÃO

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Publicado em 12/7/2026 - 22h28

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O autor Bruno Luperi sabia que teria uma missão quase impossível quando aceitou assinar os remakes de dois grandes clássicos do avô, Benedito Ruy Barbosa (1931-2026). Ele foi escolhido pela Globo para tocar as atualizações de Pantanal (2022) e Renascer (2024) e chegou a ter discussões com o parente por causa de algumas mudanças no original.

"Ao longo de algumas brigas que nós tivemos... Numa delas, a gente ficou duas horas discutindo. Passou meia hora, ele falou: 'Quer saber de uma coisa? Faz como se fosse teu. Vai com o que Deus te deu e não precisa mais ficar pedindo a minha bênção'", lembrou Luperi, emocionado, em entrevista ao Fantástico deste domingo (12).

Os dois remakes, segundo ele, foram processos muito diferentes. "Pantanal foi bem mais intenso. [Porque] O Pantanal que ele conheceu não foi o Pantanal que eu fui quando eu conheci, por exemplo", ressaltou o escritor.

Mais do que o avô, porém, Luperi sentiu que estava entrando em um terreno espinhoso por causa dos espectadores. "Eu pego pela cobrança que o público me deu quando eu fui mexer em Pantanal [1990] e Renascer [1993]. 'Olha o que você vai fazer', 'Não estraga essa novela!', 'Essa novela mudou a minha vida, Juma Marruá, José Leôncio, José Inocêncio, João Pedro'... Sim, ele criou essas personagens, que não são banais e que ainda estão aí."

Bruno Luperi ressaltou que a vida em família era bem diferente quando Benedito Ruy Barbosa estava com uma novela em exibição e quando estava de férias. "Se ele estava no ar, trabalhando uma obra, a presença dele era no escritório. Ele sempre estava no cantinho dele, rindo, chorando, vivendo em outro mundo. Era um astronauta, ele ia para um outro universo e voltava. E o avô que ele foi extraordinário, um contador de histórias incrível."

Mas o lado contador de histórias entrava em ação em outros momentos da vida também. "Todo Natal ele reunia a família perto da árvore cheia de presentes para contar a história da vida dele, já que ele tinha perdido o pai perto dessa época."

"Ele contava sempre com dor. A ausência do pai foi muito marcante na vida dele, tanto que na minha interpretação o Velho do Rio [de Pantanal] é isso. Acho que é o cerne de Pantanal. Esse pai que ele perdeu aos 12 anos vai se materializar no José Leôncio com o Velho do Rio. Nessa expectativa de ver o pai voltar", apostou Luperi.

O jovem autor ainda valorizou a maior lição que aprendeu com o veterano. "Ele sabia enxergar na simplicidade do brasileiro a complexidade humana. E ele colocou isso nos personagens dele de forma brilhante. Ele enxerga o Brasil e se orgulhava desse país. Eu acho que a lição mais valiosa que ele deu foi realmente escrever com o coração", entregou.

Luperi também disse que Benedito Ruy Barbosa deixou alguns textos inéditos, que ainda podem ser produzidos. "Ele tem algum material que não foi pro ar. Tem novela, tem série, tem romance, tem peças. Acho que foi embora um gênio. Um país como o nosso, que sofre tanto de falta de memória, quando uma pessoa assim vai embora, tem que ter um cuidado especial", disse.

"Eu fiquei pensando nos meus filhos. O sentimento é como se você estivesse no mar e viesse uma onda. Ela vai vir, com o bom e o ruim. Deixa o ruim passar e pegar o bom. Então, agora eu quero pegar os sentimentos bons. E tá sendo bom, tá sendo bonito. Meu avô realmente foi um cara que transformou a vida das pessoas que passaram pelo caminho dele. E a minha também", cravou.


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