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Reprodução/TV Globo

Renan Santos na Globo nesta quarta (26): candidato do Missão foi o terceiro entrevistado
Candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão) participou da sabatina da Globo nesta quarta-feira (26). Em entrevista a Renata Vasconcellos e César Tralli, o político afirmou que o Brasil precisa desenvolver armamento nuclear, defendeu "guerra" contra o crime organizado e até citou a prisão da advogada Deolane Bezerra para explicar uma de suas propostas.
Santos admitiu que o Brasil não tem condições de desenvolver armas militares na próxima década e que sua ideia não está embasada em nenhum estudo científico ou técnico. Ele permaneceu firme na teoria mesmo quando confrontado pela âncora com o fato de que a Constituição Brasileira determina que a atividade nuclear em território nacional só é permitida para fins pacíficos.
Por fim, o político concordou com a saída do Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Por enquanto, só a Coreia do Norte, cujo regime ele disse "não respeitar", adotou a medida.
"Se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter soberania, a soberania sobre o seu próprio território, soberania militar, e vai ter que discutir ter bombas atômicas", argumentou.
Ao falar de suas propostas para segurança pública, Santos sugeriu um plano de combate ao crime organizado que visa recuperar todas as áreas dominadas por facções no país em um ano, além de investir R$ 6 bilhões na construção de dez novos presídios federais.
"Se você mora em uma favela, o crime organizado manda em você, pode te desalojar da tua casa, pode eventualmente se interessar de maneira sexual pela tua filha e você não tem como se defender", comentou.
Em um dos momentos mais tensos da entrevista, Santos foi questionado sobre sua inspiração em Nayib Bukele, presidente de El Salvador, que, em março, foi acusado por um grupo de juristas internacionais de cometer "crimes contra a humanidade", entre eles, torturas, desaparecimentos, prisões sem mandato e violação de processos legais.
O candidato não reconheceu as denúncias e ficou visivelmente irritado quando questionado se adotaria medidas semelhantes caso eleito.
Renata o questionou sobre sua proposta de aplicar o Direito Penal do Inimigo contra membros de facções criminosas, o que, segundo avaliação de críticos, poderia reduzir garantias fundamentais. A âncora perguntou como seria possível definir as pessoas classificadas como "inimigas da nação" sem esbarrar em arbitrariedades.
Santos defendeu que as autoridades policiais, o Ministério Público e a Polícia Federal seriam capazes de fazê-lo. “O devido processo legal. Hoje, existem investigações que determinam que uma pessoa é membro de uma facção. Uma influencer chamada Deolane, descobriram que ela era não apenas uma influenciadora, mas uma advogada ligada ao PCC", lembrou.
Santos ainda foi confrontado com o áudio controverso de seu aliado, o deputado estadual cassado Arthur do Val (Missão), que, em 2022, durante uma viagem à Ucrânia em meio à guerra com a Rússia, declarou que "as ucranianas são fáceis porque são pobres".
"O áudio é muito ruim. Se a pessoa ouve, mulher ou homem, mesmo, fica 'Esse áudio não é adequado'. Dito isso, foi um áudio privado, em ambiente privado e ele perdeu o mandato dele", definiu.
Por fim, prometeu cortar R$ 1 trilhão em gastos públicos caso eleito e desassociar pisos de gastos de saúde e educação. "Esses gastos estão irracionais e estão quebrando pequenos municípios. Tem municípios do interior do Rio Grande do Sul em que a população envelheceu, não está nascendo gente. Então, eles precisam de mais gastos com saúde e menos gastos com educação", comparou.
Santos foi o terceiro entrevistado da série promovida pela Globo, que vai ao ar até o próximo sábado (29). Nos próximos dias, são aguardados, respectivamente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante).
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