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NOSTALGIA

Atrações da Globo miram no passado e mostram que Vídeo Show nunca acabou

Divulgação/TV Globo

Homem loiro, de cabelos curtos, usando camisa branca com detalhes florais.

Miguel Falabella no Vídeo Show; atrações da Globo cumprem função de programa extinto em 2019

DUH SECCO, colunista

duh@noticiasdatv.com

Publicado em 19/4/2026 - 17h28

Neste domingo (19), o Domingão com Huck lança Dez Graças, sátira da novela Três Graças. É uma referência ao Casseta & Planeta, Urgente! (1992-2010), humorístico que não poupava autores, elenco e equipe ao "adaptar" os principais folhetins da Globo. Mais uma amostra de que o passado nunca esteve tão em alta na grade da emissora. Viagens no tempo, antes restritas ao Vídeo Show (1983-2019), agora estão espalhadas pelas atrações da casa.

O movimento, claro, atinge os nostálgicos. Boa parte da audiência da TV aberta é constituída por pessoas mais velhas, que captam tais referências com facilidade. Os mais novos, especialmente aqueles interessados na história da televisão, também absorvem.

Por outro lado, as visitas recorrentes ao passado expõem a crise criativa que se abateu sobre a Globo e as demais emissoras. Há tempos, não surge nada realmente novo e minimamente interessante --mesmo o que é adquirido fora.

Além da paródia similar às do Casseta & Planeta, Urgente!, o Domingão com Huck promoverá o retorno do Você Decide (1992-2000). Já o Caldeirão com Mion atribuiu elementos do Globo de Ouro (1972-1990) ao Sobe o Som, que dividiu espaço com a temporada mais recente do TV Teca.

O jogo sobre a história da Globo, aliás, pode parecer próximo ao Vídeo Game, quadro do Vídeo Show, mas a dinâmica com histórias reais ou não remete mesmo ao Jogo da Velha, formato do Domingão do Faustão (1989-2021).

Nem o BBB 26 escapou das referências ao que já foi feito. A participante Samira Sagr protagonizou um VT que associava o visual e o comportamento dela aos personagens do Múltipla Escolha, colégio que abrigou várias temporadas de Malhação (1995-2020).

Resgates ou comparativos como o de Samira aos tipos de Malhação eram comuns no Vídeo Show. Por décadas, o vespertino reeditou aberturas e cenas inesquecíveis e formatou "novelinhas" que ligavam o passado e o presente da TV. O espaço servia de vitrine para grades de todos os tempos, já que também mergulhava nos bastidores de atrações em exibição ou prestes a estrear.

A sensação é de que agora, ainda que com elementos novos, as atrações estão ligadas apenas ao que já passou. A cobertura do que acontece por trás das câmeras está restrita às redes sociais e ao "novo formato" de divulgação no YouTube, com making of de lançamentos como Em Família com Eliana e Quem Ama Cuida --até na web o Vídeo Show é revisitado.

O fenômeno não atinge só a Globo. No SBT, o Viva a Noite, de Luis Ricardo, reverencia o passado até no quesito convidados. O Domingo Legal com Celso Portiolli repaginou a Banheira de Gugu Liberato (1959-2019), que o Programa do Ratinho também já tinha enchido em outra ocasião.

Celebrar o passado não é ruim. O problema está em não desenvolver, hoje, nada que seja capaz de despertar saudade e gerar nova versão no futuro...


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