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POSICIONAMENTO
REPRODUÇÃO/RECORD

Reinaldo Gottino no Cidade Alerta; apresentador falou sobre ser contra discursos violentos
À frente do Cidade Alerta há cerca de um ano e meio, Reinaldo Gottino adota uma postura que considera essencial para o jornalismo policial: não transformar violência em combustível para mais violência. O apresentador afirmou ser contra a ideia de fazer justiça com as próprias mãos e rejeita o discurso de que "bandido bom é bandido morto", mesmo estando no comando de um dos principais programas policiais da TV aberta.
Gottino, que está há mais de 20 anos na Record, disse em entrevista ao F5 que procura estabelecer limites para o que vai ao ar e defende uma abordagem mais humana das histórias.
"Nós temos que pagar o mal com o bem. Sou contra fazer justiça com as próprias mãos, contra a ideia de que violência se resolve com violência e contra aquela frase: 'bandido bom é bandido morto'", disparou.
Segundo o jornalista, a posição pode parecer contraditória para quem está no comando de uma atração tradicionalmente associada ao jornalismo policial. Ele, no entanto, considera que não pode usar o espaço que ocupa na televisão para estimular comportamentos violentos.
"Não posso usar meu espaço para propagar mais violência. É estranho estar à frente do mais tradicional programa policial da TV com um discurso que vai contra o que muitos pensam, mas eu farei isso sempre", ponderou.
Para colocar essa visão em prática, Gottino aposta na humanização das reportagens. O apresentador explicou que o programa precisa olhar para as pessoas envolvidas nas histórias e também abrir espaço para discussões que possam contribuir para mudanças.
"Ele é feito para pessoas, contando histórias de pessoas. A gente se coloca no lugar da vítima e convida o público para debater assuntos importantes", destacou ele.
O jornalista também falou sobre o caráter de prestação de serviço da atração. "Toda semana temos casos de foragidos que são localizados e presos depois de aparecerem no programa. Também ajudamos a encontrar pessoas desaparecidas. Temos feito esse serviço, como numa corrente", afirmou.
A rotina no programa, porém, também cobra um preço emocional. Gottino reconheceu que não consegue simplesmente deixar as histórias policiais no estúdio quando encerra o expediente, principalmente quando os casos envolvem crianças ou pessoas indefesas.
"Se falar que não sinto e que não carrego comigo um pouco da carga do programa, estaria mentindo", admitiu. "Eu me emociono, me envolvo, mas criei uma força nos últimos tempos e me tornei uma pessoa mais cascuda. Eu choro com os que choram e me alegro com os que se alegram".
A preparação para encarar as histórias do dia também ganhou um ritual particular. Cristão, Gottino contou que costuma fazer uma oração antes de entrar na Record e revela que já acumulou mais de 3 mil voltas de carro no quarteirão da emissora. "Faço minha oração, entrego meu dia, agradeço. É minha conversa com Deus, faço regularmente", explicou.
Gottino também falou sobre como o trabalho o aproxima do público fora da televisão. O apresentador contou que recebe demonstrações de carinho nas ruas e prefere manter uma relação natural com a própria imagem.
"Não sou personagem. Reinaldo é o mesmo do programa e que sai para beber cervejinha depois. Não consigo separar", afirmou.
Entre fotos pedidas por fãs, presentes e encontros inesperados, o apresentador disse que aproveita a fase de reconhecimento sem abrir mão dos hábitos de antes da fama. "O que mais quero é continuar fazendo o que sempre fiz: ir ao shopping, ao jogo do Palmeiras", finalizou ele.
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