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Depois manda a real pra todo mundo.
HEXA EM 2030?
VITOR SILVA/BOTAFOGO

Raphael Rezende levanta a taça da Libertadores pelo Botafogo; jornalista trabalhou no clube
Após encerrar seu ciclo no SBT para a Copa do Mundo 2026, o jornalista Raphael Rezende volta ao mercado de trabalho, mas fora da comunicação. O comentarista planeja uma guinada de volta aos bastidores do esporte, área em que ostenta uma passagem de sucesso de quatro anos no Botafogo.
Ao Notícias da TV, Rezende fala da dificuldade do mundo do futebol e como seu entendimento, de dentro, o ajudou a compreender o que está errado com a Seleção Brasileira, que não ganha uma Copa desde 2002.
A volta aos clubes, segundo ele, significa abrir mão de uma estabilidade que acompanhou boa parte da carreira. Após passar 16 anos na Globo, Rezende mergulhou em um ambiente onde projetos costumam terminar antes mesmo de amadurecer. No Botafogo, ele viveu uma exceção: permaneceu por quatro anos, período considerado incomum para quem trabalha na gestão de futebol.
"Quando a gente fala de estabilidade, o mundo do futebol é o oposto disso. Eu entrei em janeiro [de 2022] e talvez pudesse ter sido mandado embora quando fecharam a venda do Botafogo, em março ou abril. Quatro anos e meio é um mundo dentro do futebol. Foi muito tempo, e eu tenho que estar acostumado com essa sequência agora, de assumir um projeto novo e, talvez, em seis meses ele acabar", analisa.
Na visão do jornalista, essa cultura de resultados imediatos não afeta apenas quem trabalha nos clubes. Ela também ajuda a explicar por que o Brasil vem ficando para trás no cenário internacional.
Para ele, o debate costuma se concentrar na troca de treinadores, na falta de um lateral ou de um camisa 10, enquanto o verdadeiro problema nasce muito antes, na formação.
"A gente não tem uma formação integral. É um jogador que chega ao profissional com muitas lacunas no desenvolvimento como pessoa. Existe uma inteligência do jogo, mas é importante ter desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento escolar, porque isso traz uma formação mais completa. E isso a gente não tem no Brasil. Essa é a verdade", sentencia.
Antes de criar receitas mágicas de vitória, Raphael Rezende pondera que uma Copa do Mundo nem sempre premia a melhor equipe.
"A Copa do Mundo aceita tudo. Dá para ganhar sem ter o melhor trabalho, como dá para perder fazendo muita coisa bem feita. O Brasil de 2022 estava bem preparado, teve um ciclo completo, um trabalho estável e, em quatro minutos, perdeu a chance de passar contra a Croácia", relembra.
Por isso, ele acredita que reduzir o fracasso brasileiro ao desempenho de uma única geração é um erro. O problema, segundo o comentarista, é estrutural. "O futebol brasileiro é um retrato da sociedade brasileira", resume.
Na avaliação do jornalista, esse processo ajuda a explicar por que seleções como a Noruega, que nos eliminou neste Mundial, conseguem reduzir a distância para potências tradicionais.
"A própria Noruega se vangloria de ter feito um trabalho de desenvolvimento de atletas para mudar o perfil do jogador. Eles queriam jogadores que interpretassem as demandas do jogo. No Brasil, isso acaba ficando em segundo plano. A gente ainda é muito pautado pela qualidade individual."
Para o comentarista, o futebol atual exige decisões cada vez mais rápidas e inteligentes. É por isso que ele descarta explicações simplistas para o desempenho da seleção:
Essa questão da inteligência do jogo é cada vez mais importante. O jogo tem cada vez menos espaço, exige decisões cada vez mais rápidas, e você precisa formar jogadores com senso crítico, capacidade de interpretação e inteligência cognitiva. Nesse ponto, eu acho que a gente está ficando para trás. E aí não estamos falando só de futebol.
"Não é falta de lateral, não é falta de meia. Se você comparar os 11 da Seleção Brasileira com os da Espanha, individualmente eles não são melhores do que os nossos", finaliza.
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