Menu
Pesquisar

Buscar

Facebook
X
Instagram
Youtube
Pesquisar

Buscar

NOVA CHANCE

Apesar de perda, Tati Machado admite vontade de ter outro filho: 'Não desisti'

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Tati Machado em entrevista ao Fantástico

Tati Machado em entrevista ao Fantástico; jornalista falou pela primeira vez sobre perda do filho

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 27/7/2025 - 23h02

Tati Machado concedeu sua primeira entrevista após perder seu filho Rael em maio deste ano. Ao Fantástico, a jornalista falou sobre o luto dilacerante e a vontade de recomeçar a vida. Apesar de ainda sentir muita dor e confessar não estar pronta, ela admitiu que ainda mantém acesa a chama da maternidade e o desejo de ter um novo filho. "Não tem substituição, mas tem amor", afirmou.

A setorista de celebridades da Globo recebeu Renata Capucci em seu apartamento no Rio de Janeiro, e começou o papo falando sobre como percebeu que nunca vai conseguir recomeçar de fato. Ela lidou com a morte do filho aos oito meses de gravidez.

"Sabe quando você tem aquela frase pronta para falar: 'um dia de cada vez', outro dia eu me toquei que não é um dia de cada vez, é uma hora de cada vez. Para mim, não existe um recomeço, estou realmente seguindo minha vida com essa marca que é para sempre", explicou.

"Eu estou fortalecida, e muito abastecida de amor e seguindo em frente. Mas eu lembro, e falo: 'não era a vida que eu estava querendo ter, não é o que eu me preparei para ter'. Essa vida que a gente tem, é uma vida que foi imposta. Eu não sei como seria a outra vida de alguma maneira... Mas eu já estava transformada. Essa versão Tati mãe já estava latente em mim", lamentou.

Ela explicou com mais detalhes como desconfiou que algo estava errado com Rael e, posteriormente, descobriu que ele não tinha mais batimentos cardíacos. 

"A gente veio para o Rio fazer o chá de bebê do Rael, no dia seguinte era o Dia das Mães. Como a gente tinha que voltar para São Paulo de carro, com todas as fraldas e presentes, a gente foi na feira comer um pastel com a minha mãe, e logo na saída da feira, a gente chegou no carro para ir para São Paulo...", começou ela.

"A Tati, já na viagem, começou a falar no carro: 'Bruno, tá estranho, o Rael não está mexendo'", complementou o marido dela, Bruno Monteiro. "E ele mexia muito, estava numa fase que era uma explosão de movimento", reforçou a repórter.

"A gente foi para casa, dormir, e eu falei: 'meu Deus, faz o Rael mexer, eu tô nervosa com isso'. E eu dormi. 5h da manhã eu acordei, e falei pro Bruno que tinha alguma coisa errada", confessou.

Tati foi normalmente ao trabalho depois que o marido conseguiu escutar uma forte batida com um aparelho que eles tinham em casa. No dia, ela apresentou o Encontro e participou do Mais Você. Entretanto, a notícia de que Micheli Machado e Robson Nunes haviam perdido o bebê que esperavam na reta final da gravidez acendeu um alerta.

"Na mesma hora, meu mundo parou", comentou. Aquele silêncio ensurdecedor tomou conta", complementou o fotógrafo, que afirmou que tudo mudou depois do ultrassom.

"Perguntei o que estava acontecendo, a médica vira e fala que não tinha batimento. Eu olhei pro Bruno como a gente está aqui agora, peguei na mão dele e falei: 'Bruno, a vida trouxe isso pra gente, e a gente vai ter que encarar juntos'", afirmou ela, que também admitiu que sentiu medo de morrer.

Conhecendo Rael

Apesar da tristeza da situação, Tati celebra poder ter feito o parto do bebê. "Vou ser muito sincera, esse dia, por pior que ele fosse, foi um dia muito importante para a gente. O parto do Rael foi um parto lindo, com toda tristeza que existia ali. O Rael nasceu no dia 13, 8h45 da manhã", contou.

"Quando a gente conheceu o Rael, foi nossa despedida também. Quando ele nasceu foi incrível, porque você conhecer o amor da sua vida, e se reconhecer também... O Rael parecia muito comigo", comentou Bruno.

A gente encontrou ali uma força, a beleza daquele momento. Era o nosso filho, sabe. A gente ama o nosso filho acima de qualquer coisa. Não tem nada da medicina que explica o que aconteceu com a gente. Fizemos autópsia, exames genéticos importantes para ver, até mesmo a nossa compatibilidade. E nada.

Tati afirmou que teve o privilégio de ser acolhida por uma instituição médica que não permitiu que ela ficasse perto da maternidade, com outros pais e bebês felizes ao redor. "Não escutar o choro é uma dor dilacerante", lamentou.

Ainda assim, ela afirmou que quer lembrar de cada momento que viveu com o filho --por mais breve que foram. "Eu não quero esquecer. A gente está falando do amor da minha vida. Ele tem nome, se chama Rael", ponderou.

A jornalista também luta pela aprovação de uma lei que dê direito ao luto materno e ao registro do bebê natimorto. "Essa lei é uma lei que se importa com um bebê que não vai ser registrado, que se chama natimorto. É a certidão que eu tenho. E não quero que sejam as próximas certidões. Quero que sejam certidões com o nome que vocês escolheram", pontuou.

Ressignificando a dor

A jornalista comentou que, atualmente, é invadida por uma mistura de sentimentos. "Amor, saudade, raiva. A raiva bate de um jeito que você se pergunta... E a culpa, acho que eu nunca vou me livrar dela. Me sinto culpada, porque acho que não consegui, não dei conta. Passei a gravidez toda com medo. Mas eu fiz tudo", disse, com os olhos marejados.

"Falar aqui, hoje, é uma forma de acolher. Me acolher, acolher você que já passou por isso, acolher outros pais também. Eu confesso que eu fico com medo em alguns momentos de ser julgado. A gente foi viajar, tenho medo de as pessoas falarem que estou tocando a vida como se nada tivesse acontecido. Só que eu escolhi viver, é a escolha que eu estou fazendo todos os dias", completou.

A vida daqui para frente

Tati comentou que tem medo de julgamentos por ter escolhido viajar e reencontrar a felicidade que sempre teve dentro de si. "Eu sou uma pessoa feliz. Eu falei para ele: 'será que eu não vou ser mais feliz? É o que eu sou'. E o Bruno falou: 'É impossível você não ser feliz. É sua essência'", relatou.

Atualmente, ela convive com três versões diferentes de si mesma. "Eu era uma Tati, descobri que estava grávida, comecei a virar a Tati mãe. Estava quase para ser, para concluir essa nova fase, que eu queria ser. De repente, vem um corte seco da vida, e eu viro uma terceira Tati. Uma Tati que eu não gosto, que não é solar, é triste", lastimou.

"Mas eu ainda sou a Tati mãe, zoeira, alegre. Às vezes uma vai se sobressair mais do que a outra, e assim que eu vou", afirmou. "Quando eu falo do Rael, eu sei que eu posso sorrir, eu não vou me cobrar por isso. O meu sorriso não é esquecer. Meu sorriso é lembrar. Vou sorrir, me levantar, sim. É o que a vida pede de mim."

A jornalista contou que volta ao trabalho oficialmente na segunda (28), com participação no Mais Você, de Ana Maria Braga. "É um abraço que estou precisando", comentou ela.

Com a tentativa de seguir em frente, ela pensa com carinho na possibilidade de ser mãe --apesar de sentir que o momento de tentar de novo não chegou ainda. "Já é algo que bate. Não estou pronta, a resposta de hoje é que eu ainda não estou pronta, mas não desisti ainda. Não tem substituição, mas tem um amor, e uma vontade muito especial de construir uma família aqui", finalizou.


Mais lidas


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.