A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
FELIPE DINIZ
REPRODUÇÃO/SPORTV

Felipe Diniz justificou o erro cometido no Troca de Passes de quinta (23) nesta sexta-feira (24)
Depois de listar cinco resultados de jogos inexistentes no Troca de Passes de quinta-feira (23), o jornalista Felipe Diniz corrigiu os erros na edição desta sexta (24) do programa do Sportv e citou as partidas que realmente aconteceram. Ele não explicou como obteve os dados incorretos --na internet, comenta-se que ele teria usado uma ferramenta de inteligência artificial.
"O [Carlos Eduardo] Mansur não erra nunca, ao contrário do apresentador que vos fala, que ontem errou", introduziu Diniz --que, em uma tentativa de animar os palmeirenses depois da derrota para a LDU por 3 a 0 na Libertadores, decidiu citar outros times que conseguiram reverter a mesma desvantagem em edições anteriores da competição. "É que você foi mal alimentado, né?", tentou justificar Alex Meschini.
"É aquele negócio, na ânsia de a gente querer informar o torcedor, e o jogo tinha acabado de terminar, o Palmeiras tinha tomado 3 a 0... Numa pesquisa rápida aqui, acabei sendo traído pela imprecisão das ferramentas", falou o apresentador do Sportv.
"Então, o nosso Gato Mestre, que não erra nunca, fez uma pesquisa minuciosa sobre quais times em quais situações conseguiram reverter o placar depois de perder o jogo de ida por três gols de diferença, como aconteceu com o Palmeiras", continuou Diniz no programa.
"Foram cinco oportunidades mesmo, como eu havia dito ontem, mas alguns jogos [na verdade, todos] são diferentes. Em 1993, nas oitavas de final, o El Nacional fez 3 a 0 no Sporting Cristal no primeiro jogo, mas na segunda partida o time peruano fez 4 a 0 e conseguiu a classificação", começou.
"Depois, 1999, também na fase decisiva, nas quartas de final, o Estudiantes de Mérida fez 3 a 0 no Cerro Porteño, do Paraguai, só que na volta o Cerro fez 4 a 0 e se classificou. Nas oitavas de final de 2000, o Nacional do Uruguai ganhou lá em Montevidéu, 3 a 0 no Bolívar, só que depois na altitude, tomou 3 a 0 e ainda perdeu nos pênaltis por 5 a 3. O Bolívar se classificou."
"Depois, em 2012, nas oitavas de final, o Deportivo Quito fez 4 a 1 no Universidad de Chile, só que depois, olha a goleada: 6 a 0 do Universidad pra cima do Deportivo Quito. Pra fechar, quartas de final em 2017, o Jorge Wilstermann, lá da Bolívia, também na altitude, fez 3 a 0 no River Plate. Só que depois o River fez 8 a 0 no time boliviano e também se classificou", finalizou.
"Essas foram as cinco oportunidades em que o time conseguiu reverter a vantagem e se classificar depois de ter perdido por três gols de diferença no jogo da ida. Creditando sempre os nossos amigos do Gato Mestre, que esse não falha nunca, viu?", falou o âncora. "Perdão pelo erro de ontem, não voltará a acontecer", completou ele, que ainda brincou que Mansur havia lhe passado as informações erradas apenas para desmenti-lo no ar.
No programa do Sportv de quinta, Diniz disse que havia feito uma rápida pesquisa para tentar diminuir a gravidade da situação do Palmeiras. Nenhuma das partidas citadas, porém, haviam ocorrido exatamente como relatadas.
O erro grave foi apontado por Alexandre Perin no seu perfil do X Almanaque Esportivo, no qual reúne estatísticas e curiosidades do futebol. "A importância de não usar o ChatGPT pra tudo sem revisar: Felipe Diniz do Troca de Passes ontem enumerou 5 vezes em que um time perdeu o jogo 1 por 3 gols de diferença na Libertadores, e depois virou. Porém, nenhum dos jogos existiu!"
"Aconteceu em 1986, na semifinal, o River Plate perdeu pro Argentinos Juniors, 3 a 0. Depois, ganhou, 3 a 0. Fez 4 a 2 nos pênaltis e passou", citou ele. Mas, naquele ano, a semifinal foi disputada em um esquema triangular, com os dois clubes e o equatoriano Barcelona SC. Os resultados dos confrontos não foram 3 a 0 e, por causa da disputa por pontos, os times não precisaram ir para os pênaltis --o River avançou para a final por saldo de gols.
"Em 1994, Vélez Sarsfield e Cruzeiro. O Vélez perde por 3 a 0 o primeiro jogo, vence o Cruzeiro por 3 a 0 no segundo, ganha 5 a 3 nos pênaltis", apontou o jornalista da Globo. Mais uma falha: os times se enfrentaram apenas na fase de grupos, com outros resultados (2 a 0 e 1 a 1) e sem penalidades máximas.
"Em 1992, o São Paulo do Telê [Santana, 1931-2006] perde pro Newell's [Old Boys] por 3 a 0, depois vence por 3 a 0, e nos pênaltis ganha por 3 a 2, o São Paulo se classifica, oitavas de final", disse Diniz.
"Surreal que ninguém na produção se ligou que o São Paulo e NOB foi a final de 1992, e não um jogo aleatório de oitavas", criticou Alexandre Perin. Os resultados também foram outros, o âncora acertou apenas os pênaltis.
"Depois, em 1997, Cruzeiro e Sporting Cristal, na final da Libertadores. Cruzeiro perde por 3 a 0, depois vence por 3 a 0, e nos pênaltis faz 4 a 2, Cruzeiro campeão", leu Diniz na sua pesquisa.
Nesse caso, o jogo inventado foi rebatido pelo próprio colega do jornalista no programa, Carlos Eduardo Mansur. "Cruzeiro e Sporting Cristal na final foi 1 a 0 pro Cruzeiro!", apontou o veterano, corretamente. "Então é um erro aqui, é um erro na pesquisa", minimizou Diniz, mudando de assunto.
Por fim, o jornalista errou até o time envolvido em uma das partidas. "São Caetano, em 2002, na semifinal, contra o América de Cáli, perde por 3 a 0, depois vence por 4 a 1, e nos pênaltis vence por 4 a 2, São Caetano classificado", falou ele. "Em 2002, o São Caetano pegou o América sim, mas o do México e não o de Cáli. E foi 2 a 0 e 1 a 1, nada a ver com o [resultado] citado", corrigiu Perin.
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