O CONDE DE MONTE CRISTO

Vingança de Quem Ama Cuida não satisfaz? História clássica ganha nova versão na TV

Divulgação/Universal+

Dois homens barbudos se encaram em uma cela de prisão

Sam Claflin (de costas) com Jeremy Irons na nova minissérie O Conde de Monte Cristo

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 2/8/2026 - 20h00

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Se Quem Ama Cuida abriu seu apetite para tramas de vingança, mas o plano de Adriana (Leticia Colin) ainda não satisfez a sua fome por completo, uma boa opção pode ser aquela que é considerada a grande história do gênero --e que, não por acaso, inspirou Walcyr Carrasco na criação de O Outro Lado do Paraíso (2017). O clássico O Conde de Monte Cristo ganhou uma nova adaptação, que estreia na plataforma Universal+.

A minissérie em oito episódios reproduz com bastante fidelidade o livro homônimo de Alexandre Dumas (1802-1870), embora o ator Jeremy Irons aponte que nenhuma adaptação de livros para o audiovisual seja uma tradução exata --e que isso sequer deveria ser cogitado.

"O livro é como um animal completamente diferente! Você pode fazer coisas muito diferentes em uma série", aponta o veterano em entrevista ao Notícias da TV. "É interessante, sempre que se adapta um livro, acho importante que o ator ofereça aquilo de que a adaptação precisa, em vez de tentar impor uma visão pedântica de como o personagem seria no livro."

Irons interpreta o abade Faria, colega de cela do protagonista, Edmond Dantès (Sam Claflin), que revela onde escondeu seu tesouro e acaba responsável por financiar a mudança de vida do mocinho injustiçado. Em O Outro Lado do Paraíso, ele seria como Beatriz (Nathalia Timberg) foi para Clara (Bianca Bin).

"O que eu procurei foi entender por que Faria age da sua maneira e fazer justiça ao personagem em cada cena escrita para ele. Você precisa ceder em alguns aspectos, é uma negociação com o diretor e o roteirista", entrega.

Essa "negociação" de Jeremy Irons com o cineasta dinamarquês Bille August e com os escritores Sandro Petraglia e Greg Latter rendeu um personagem com muitas camadas --exatamente o que o ator buscava no projeto.

"Faria viveu uma vida extraordinária e completa. Ele pecou e, em seu encontro na prisão com Dantès, enxerga a oportunidade de lidar com a própria culpa. Além disso, provoca uma grande transformação em Edmond, ele o educa e revela o caminho para sua fortuna, tornando-se uma espécie de mola de propulsão rumo a uma nova vida", explica o ator.

"Ele se torna uma figura paterna, alguém em quem Edmond confia e para quem se abre. É um homem extremamente instruído. Se não tivesse conhecido Edmond, provavelmente ele teria apodrecido ali, a menos que escapasse, mas acho que teria despencado nas rochas e morrido (risos). De certa forma, Edmond se torna o filho que ele nunca teve, o homem para quem transmite sua experiência de vida, seus conhecimentos e seu apoio." 

Na conversa com a reportagem, o britânico especula o motivo da longevidade de O Conde de Monte Cristo, que já ganhou dezenas de adaptações na TV e no cinema. "Acho que uma das razões pelas quais essa história perdura há tanto tempo é que a desigualdade social ainda existe, e muitas pessoas continuam sofrendo abusos por figuras que estão no poder. Isso faz parte da natureza humana e é algo que continua acontecendo ao nosso redor."

"E acho que tem também o aspecto dessa natureza destrutiva de não perdoar, de carregar o peso da vingança, de se deleitar nela, embora seja um caminho que não leva a lugar algum. É por isso que a história é tão vibrante hoje", diz.

Os oito episódios de O Conde de Monte Cristo entram nesta terça-feira (4) no catálogo da plataforma Universal+, disponível em Prime Video, Claro TV+, Vivo TV,  Meli+ e UOL Play. Confira o trailer:


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