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Vermelho Sangue realiza desejos, mas cobra preço alto na segunda temporada

FOTOS: PAULO BELOTE/TV GLOBO

Pedro Alves contracena com Leticia Vieira na série Vermelho Sangue

Michel (Pedro Alves) e Luna (Leticia Vieira) vivem amor impossível na série Vermelho Sangue

MÁRCIA PEREIRA, colunista

marcia@noticiasdatv.com

Publicado em 17/9/2026 - 6h10

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Conseguir exatamente aquilo que se deseja pode ser apenas o começo do problema. É dessa premissa que Vermelho Sangue ganha força em sua segunda temporada, disponível a partir desta quinta-feira (17) no Globoplay. Após apresentar seu universo fantástico de vampiros e uma lobimoça, a série coloca os protagonistas diante das consequências de escolhas que pareciam capazes de resolver suas vidas.

Flora (Alanis Guillen) é o exemplo mais evidente. Fascinada pelo extraordinário desde o início da história, ela finalmente se tornou vampira pelas mãos de Celina (Laura Dutra). A conquista, porém, não encerra sua busca. Ao contrário: abre uma jornada em que a jovem precisará entender o peso da transformação, dos novos poderes e dos próprios desejos.

Luna (Leticia Vieira) percorre o caminho inverso. Se antes enxergava sua condição de lobimoça como um problema do qual precisava se livrar, a chegada do pai, Martín (Milhem Cortaz), colocará outra possibilidade diante dela. Orgulhoso da própria natureza, ele apresentará à filha uma relação com sua ancestralidade que ela nunca teve a oportunidade de conhecer.

É justamente esse contraste que as criadoras Claudia Sardinha e Rosane Svartman usam para ampliar a discussão sobre identidade. "A Luna descobre a sua natureza selvagem e que ser diferente pode ser bom, enquanto a Flora quer ser diferente a qualquer custo e descobre que, talvez, esse custo seja alto demais", resume Rosane.

As autoras explicam que o aprofundamento dos personagens permite à série ultrapassar os conflitos apresentados inicialmente. "Na primeira temporada, os conflitos são muito internos, eles são muito de autodescoberta, autoaceitação. Na segunda temporada, eu acho que os conflitos se ampliam, além de se aprofundarem", afirma Claudia.

Flora e Celina

Laura Dutra e Alanis Guillen interpretam vampiras

Amor entre rivais

Essa expansão também atingirá os romances. Flora e Celina aprofundarão uma relação que nasceu de maneira inesperada, enquanto Michel (Pedro Alves) ficará cada vez mais dividido entre o clã vampírico e Luna. O amor entre integrantes de espécies historicamente rivais deixará de ser apenas uma atração proibida e provocará consequências dentro da própria estrutura de poder dos vampiros.

A chegada de Juan (Lucas Leto), irmão gêmeo de Luna, reforçará a discussão central. Criado ao lado do pai e habituado à vida selvagem, ele desejará justamente aquilo de que a irmã começa a desistir: a cura. Para Claudia, Martín muda os termos desse debate ao defender que a mutação não seja tratada como uma doença. "Não precisa ser curada, precisa ser acolhida, compreendida", diz a autora.

Do outro lado está Otto (Rodrigo Lombardi), cuja confiança na ciência ganhará mais peso. Rosane define o personagem como "um cara ambicioso" que acredita que "a ciência pode tudo", mas adianta que ele também revelará vulnerabilidades. Segundo a autora, a temporada trabalhará uma característica tradicional das histórias fantásticas: mostrar "monstruosidade nos humanos e humanidade nos monstros".

Monstros mais humanos

A própria mitologia da série ficará maior. O público conhecerá mais sobre o passado dos vampiros, incluindo a trajetória de Michel e sua relação com Elizabeta (Alli Willow), líder do clã. A história também revisitará o passado da família de Luna e mostrará como Martín e Carol (Heloisa Jorge) chegaram ao rompimento que separou os filhos.

Para Rosane, usar vampiros e lobimoça permite tratar de questões contemporâneas sem abandonar a identidade brasileira construída desde a primeira temporada. "Toda série, todo livro, toda literatura, todo filme que trata do universo fantástico geralmente é uma grande metáfora sobre o mundo atual", declara.

Criada e escrita por Claudia Sardinha e Rosane Svartman, com direção artística de Patricia Pedrosa, Vermelho Sangue terá dez novos episódios disponibilizados de uma só vez. Se a primeira temporada perguntou até onde alguém iria para se tornar extraordinário, a segunda muda a questão: o que fazer quando o extraordinário finalmente acontece?


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