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NA HBO MAX
DIVULGAÇÃO/HBO MAX

Duane R. Shepard e Oscar Nuñez em The Paper; derivado de The Office acaba de chegar ao streaming
The Paper, o spin-off de The Office (2005-2013) que acaba de chegar ao catálogo da HBO Max, à primeira vista pode decepcionar os órfãos da série original. O derivado ainda trata do ramo do papel, mas agora se foca naquele que, segundo o próprio roteiro, tem sido menos relevante e lucrativo do que o higiênico: o jornal impresso. E, apesar de também navegar no humor, a trama é bem mais melancólica do que de fato "constrangedora".
O spin-off recicla o mesmo estilo mockumentary (documentário falso, com depoimentos dos personagens direto para a câmera), e há algumas citações ao universo da série original. Além, é claro, do retorno de Oscar (Oscar Nuñez), agora mais velho, que ganha outro tom no novo escritório.
Criada, escrita e produzida por Greg Daniels (de The Office) e por Michael Koman, a produção acompanha a equipe documental responsável por registrar a filial de Scranton da Dunder Mifflin com seu novo objeto de observação, um histórico jornal dos Estados Unidos e seu novo editor, Ned (Domhnall Gleeson). Entusiasmado e inteligente, ele luta para manter o veículo de pé.
A trama faz uma sátira afiada sobre o presente e o futuro do jornalismo e navega entre o pessimismo da classe e uma "esperança equilibrista" que ainda é o que motiva qualquer repórter a continuar sendo um repórter. De forma contraditória, os primeiros episódios deixam o espectador com uma sensação de pressa para se conectar logo com aqueles personagens. Afinal, é um produto novo, mas também convive com o "fantasma" da série original.
Todavia, a trama sabe lidar com as dores e as delícias de carregar o fardo de um derivado de The Office. Já acelera enredos românticos e desenvolve seus personagens com tamanha rapidez, que no quarto episódio, já são relações e pessoas completamente diferentes daquelas mostradas nas primeiras cenas do piloto. Algo até crível para quem já conviveu em uma Redação e entende que lá, um dia pode durar anos, a depender da carga de trabalho e de responsabilidade que se assume.
Mas a nova série também traz o que pode ser uma boa ou má notícia: em The Paper, não há um Michael Scott (Steve Carell). O spin-off na verdade vira o jogo e faz o chefe sentir na pele como é estar cercado de funcionários com comportamentos absurdos, além de ser constantemente constrangido (como se o ofício já não fosse desafiador o suficiente).
Alguns paralelos até podem ser traçados. Chelsea Frei dá vida à repórter Mare, e é a responsável por eventualmente quebrar a quarta parede no estilo Jim (John Krasinski). Os fãs até podem fazer um exercício e tentar encontrar, nos outros funcionários do jornal, quem se parece mais com Stanley (Leslie David Baker) ou com Pam (Jenna Fischer). Mas The Paper, ao que tudo indica, não foi pensada para tal.
O risco de se tornar um genérico insosso de algo que já deu certo (e acabou) é imenso. A última temporada de The Office prova isso. Logo, The Paper é, por si só, uma série interessante, sem precisar se escorar no original. Personagens como a de Sabrina Impacciatore, que não se parece com nada ao qual os fãs estão acostumados, aparecem lá para lembrar o público disso.
Resta saber se a comédia, que afeta particularmente os jornalistas da vida real --que podem ficar com um sorriso amarelo de desconforto ou tão entusiasmados quando o novo editor da trama--, conseguirá construir uma ponte com os espectadores no geral. Sejam eles fãs ou não de The Office.
Os quatro primeiros episódios estrearam na América Latina nesta quinta (25), na HBO Max. Dois novos episódios serão disponibilizados toda semana.
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