LONGA E PRÓSPERA

Star Trek: Elenco e equipe explicam por que a franquia ainda faz sucesso após 60 anos

Divulgação/NBC

Um homem oriental e um homem branco estão na ponte de uma nave especial, com uniformes da Frota Estelar

George Takei (Sulu) e William Shatner (Kirk) na primeira série de Star Trek: 60 anos de jornadas

LUCIANO GUARALDO, de San Diego

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 8/9/2026 - 21h00

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Há exatos 60 anos, em 8 de setembro de 1966, estreava Star Trek: A Série Original (1966-1969). Nas últimas seis décadas, foram 13 séries (que somam 52 temporadas e quase mil episódios), 14 filmes, centenas de livros e dezenas de atores transformados em ícones da ficção científica mundial por terem embarcado na Enterprise ou em alguma das outras naves mostradas pela franquia.

Para entender a longevidade do sucesso, o Notícias da TV foi atrás de atores das diferentes séries da franquia, além de roteiristas, produtores e até do filho de Gene Roddenberry (1921-1991), criador de todo esse universo. Mesmo sendo de diferentes gerações, as opiniões são similares.

"Acho incrível quando uma pessoa chega até mim para me desejar 'feliz 60 anos', eu me sinto tão jovem (risos). Porque eu sou bem mais velho do que 60 anos", diz George Takei, o Sulu da série original, à reportagem.

Aos 89 anos, o ator classifica Star Trek como "um fenômeno extraordinário". "Que outra série com baixa audiência, que durou apenas três temporadas e foi cancelada, conseguiu ter uma vida tão longa? É tudo por causa dos fãs, de vocês, de seus pais e de seus avós --que, com sua inteligência, sensibilidade e visão, apoiaram Star Trek a ponto de estarmos aqui 60 anos depois", discursa.

Para Eugene "Rod" Roddenberry, que carrega o peso do legado do pai, a força da franquia está no subtexto. "A primeira Star Trek tinha naves, armas de laser, diferentes planetas, ETs estranhos... Mas isso não era o mais importante. Era uma série sobre nós! Sobre uma sociedade em que todos se uniam e em que nós aprendíamos que nossa individualidade era o que nos tornava mais fortes", diz o herdeiro de toda a saga.

"Você não precisa abrir mão das suas convicções e abraçar cegamente as dos outros. Você só tem que manter a mente aberta. Essa é a fundação de Star Trek, e eu levo isso muito a sério. Star Trek não é só uma ficção científica, é uma série que faz o público acreditar em um futuro melhor, em si mesmo e nos outros. A série faz você pensar, desafia suas convicções, e funciona melhor quando a mensagem é sutil, sem precisar gritá-la. Ela te dá a lição e você faz o que quiser com ela", discursa Rod.

O produtor e roteirista Alex Kurtzman, supervisor criativo do universo expandido desde 2018, credita o otimismo de Star Trek como um dos segredos de seu sucesso. Especialmente em um momento de polarização extrema, as viagens ficcionais pelo espaço servem para nos unir.

"Acho que a franquia perdura há tanto tempo porque é uma expressão pura de quem somos como espécie e como pessoas. Há um otimismo essencial em Star Trek de que precisamos em todas as gerações. De certa forma, todos gostaríamos de não precisar tanto dele --especialmente com o mundo tão dividido como está. Mas precisamos, porque ele nos guia em direção ao que há de melhor em nós", especula o produtor.

"Ele nos mostra que é possível deixar para trás tudo o que nos divide e evoluir para um patamar melhor. Essa é uma mensagem atemporal. A franquia vai continuar por mais 60 anos, e depois por mais 60. Acho isso algo lindo, realmente lindo. É por isso que temos tanta sorte de fazer esse trabalho", diz.

Kurtzman ressalta que todo dia que trabalha em Star Trek é como se fosse o primeiro." Nunca perde a graça. Jamais. Poder ir trabalhar e imaginar um futuro mais brilhante, ao lado de pessoas que... Se você visitar qualquer um dos sets e conversar com a equipe, verá que todos são fãs apaixonados. Eles sabem que é um privilégio trabalhar nessas produções", entrega.

"No fundo, amar a obra é praticamente um pré-requisito para trabalhar nela. Você precisa amar. Precisa amar de verdade, lá no fundo da alma. Precisa acreditar na mensagem, querer continuar contando histórias e levar a franquia a novos horizontes. E, sei lá, eu me sinto tão... Eu amo meu trabalho. Amo as pessoas com quem trabalho. Amo Star Trek!", ressalta o produtor.

Desde a estreia e ao longo de cada novo capítulo, a franquia também apostou na representatividade. Afinal, a série original tinha uma mulher negra, Nyota Uhura, interpretada por Nichelle Nichols (1932-2022), que era tão competente quanto os homens brancos ao seu lado.

Michelle Hurd, a Raffi Musiker de Star Trek: Picard (2020-2023), coloca justamente Uhura como um ponto de virada para sua vida pessoal. "Meu pai sabia da importância de que suas filhas pretas se sentissem representadas, e a arte era a melhor maneira de fazer isso. Nós assistíamos às reprises para ver Uhura na ponte, uma mulher inteligente, graciosa, com força", valoriza.

"E é isso que Star Trek faz: nos toca, nos une, é a vida que vai nos curar. É a esperança para o amanhã, porque fala de inclusão, diversidade, é o mundo que nós queremos para nós. F*da-se o ódio, vamos recorrer ao amor", aponta.

"Star Trek está na vanguarda da diversidade e do otimismo, da esperança. Tudo o que esperamos que a humanidade seja está representado em Star Trek. É um sentimento incrível saber que seu trabalho tem uma mensagem de esperança quando tudo parece perdido", completa Christina Chong, a La'An Noonien-Singh de Strange New Worlds.

"É incrível interpretar um personagem que une gerações de fãs. Participei de Voyager [1995-2001], Prodigy [2021-2024] e, agora, de Academia da Frota Estelar. É um ciclo que me lembra que estamos no mercado do otimismo, da inspiração. E é uma honra participar de uma série que toca tanta gente no mundo todo com uma mensagem positiva", diz Robert Picardo, o Doutor.

No fim, essa parece mesmo a grande mensagem e o maior acerto da franquia: a expectativa de que um mundo melhor é possível. 

"Meu pai sabia que nós éramos falhos, mas também que éramos capazes de aprender e de mudar. E essa é a missão de Star Trek: não salvar o futuro sozinho, mas nos empurrar para um lugar melhor. Os fãs são a bússola moral de Star Trek. E, por mais clichê e brega que seja dizer isso... A fronteira final nunca foi lá fora: ela está dentro de nós", crava Rod Roddenberry.


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