ELÍSIO LOPES JR
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Sandra (Julia Dalavia) e Caio (Pedro Caetano): ela diz que é a reencarnação dele na série
Reencarne chega ao Globoplay nesta quinta (23) trazendo terror com sol do cerrado, crimes em série, mortes, espiritualidade e transmigração de almas. A história, entretanto, é ancorada no afeto. O autor Elísio Lopes Jr afirma que, embora o rótulo seja de gênero, a trama trata de sentimentos humanos. "É uma série de terror, mas é um melodrama", define.
"A gente fala sobre amizade, amor, a dependência que um marido pode ter da existência da sua mulher, mesmo sabendo que ela está condenada à morte. E de um amor que vai mudando de corpo", declara o roteirista, que trabalhou na criação da série em parceria com Juan Jullian, Amanda Jordão, Igor Verde e Flávia Lacerda.
Ele aponta que o Brasil já tem lastro no terror --do parque de diversão à tradição do cinema-- e aposta que o espectador vai ser fisgado pela questão do terror. Ressalta, porém, que Reencarne vai muito além do susto.
"São os sentimentos desses personagens que interessam, e não o efeito", diz. Ele também destaca um traço local na produção do Globoplay. "O Brasil tem uma característica muito interessante, que é o convívio harmonioso com o fantástico."
Amanda Jordão insere um outro eixo nos atrativos da série: a fé. "Nós somos um país sincrético, ecumênico por natureza", fala. Para a autora, a série dialoga com quem acredita, com quem desconfia e com quem apenas admite a dúvida sobre a vida após a morte.
Ela faz questão de afastar qualquer associação com uma doutrina específica: "Quando se fala de reencarnação, existe a expectativa de que foque em uma religião. Não é o caso aqui".
Segundo Amanda, o pacto do projeto é com a pergunta, não com a catequese. "A série está trazendo questionamentos, sim, e não respostas e certezas."
O melodrama não é acidente, é a matriz do processo criativo de Reencarne. "Somos pessoas do melodrama. Todos nós crescemos vendo novelas. Isso nos influencia". O pacote final, de acordo com Amanda, entrega terror gráfico, possessão, forças ocultas, romance, dependência, fé, rito, culpa e amor em conflito direto com a morte.
A série acompanha Feliciano (Enrique Diaz), um cirurgião que se recusa a aceitar a morte iminente da mulher, Cássia (Simone Spoladore), e ultrapassa limites éticos para mantê-la viva.
Paralelamente, uma sequência de assassinatos misteriosos passa a assombrar uma cidade do interior de Goiás, com vítimas marcadas por ferimentos inexplicáveis. A investigação cai nas mãos da delegada Bárbara Lopes (Taís Araujo), cética e racional, que começa a sofrer interferências sobrenaturais à medida que avança no caso.
Vinte anos antes, outro crime havia traumatizado a região: o policial Caio (Pedro Caetano) foi morto durante uma operação, e o parceiro dele, Túlio (Welket Bungué), foi acusado e preso.
Ao sair da cadeia, sem sentido na vida, praticamente decidido a se matar, Túlio é surpreendido por Sandra (Julia Dalavia), uma jovem que bate à sua porta afirmando ser a reencarnação de Caio.
A partir dessa declaração, passado e presente se reabrem, conduzindo a investigação de volta a Feliciano, cujo plano macabro para desafiar a morte envolve outras vidas. Ele quer fazer a transmigração da alma de sua mulher para outro corpo.
Reencarne estreia completa nesta quinta-feira, com seus nove episódios disponibilizados. O primeiro capítulo ainda será aberto para não assinantes da plataforma de streaming.
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