A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
THE HUNTING PARTY
Ralph Bavaro/NBC

A atriz Melissa Roxburgh, ex-Manifest, é a protagonista da série policial The Hunting Party
Em um momento no qual o audiovisual tem se tornado cada vez mais conservador, a série The Hunting Party tenta dar passos importantes na direção contrária --embora dentro dos limites estabelecidos pela TV aberta norte-americana, já que é exibida nos Estados Unidos pela rede NBC. "Recebemos muitos 'nãos', mas também há uma área cinzenta que conseguimos explorar", confidencia o criador JJ Bailey.
A atração, estrelada pela atriz Melissa Roxburgh (de Manifest) e pelo ex-dublê Patrick Sabongui (de Flash), conta a história de uma equipe de investigadores montada para recapturar os serial killers e os criminosos mais perigosos do mundo depois de eles escaparem de uma prisão ultrassecreta.
Por lidar com pessoas que cometem crimes absolutamente terríveis, a série tenta abordar situações que raramente teriam vez na TV aberta --exceto nos noticiários. "Precisamos checar com o estúdio e com a NBC todas as nossas ideias sobre os criminosos de cada episódio, para ver se teremos algum problema. E aí depois é uma batalha sobre o que podemos ou não mostrar", admite Bailey em conversa exclusiva com o Notícias da TV.
"Honestamente, na primeira temporada nós fomos descobrindo aos poucos até onde a rede ficaria confortável, porque existe um departamento de normas e práticas, mas também há um gosto interno dos chefões sobre os limites da violência, que tipo de violência eles querem ver na TV ou quão assustador eles querem que alguma coisa seja ou não seja", lembra o produtor.
"Então, nós gravávamos algumas cenas e, depois, na edição, podíamos torná-las mais ou menos intensas, de acordo com o feedback que recebíamos. Era uma questão de encontrar a linha certa para caminhar. Agora, na segunda temporada, acho que sabemos melhor qual é essa linha", crava JJ Bailey.
O produtor executivo Jake Coburn ressalta que The Hunting Party tem uma vantagem sobre outras séries da NBC: seu horário de exibição. "Acho que isso pesa muito. Nós vamos ao ar às 22h [nos EUA], o que nos dá mais liberdade do que uma série das 20h ou das 21h teria. Mas é sempre uma conversa com a rede e com o departamento de normas e práticas", admite.
"Nós recebemos algumas instruções do tipo: 'O cara pode bater na mulher com um cano três vezes, mas não quatro'. Coisas assim. E às vezes você não entende qual é a lógica, mas respeita e segue em frente. Já tivemos debates sobre se um assassino poderia usar uma chave de roda como arma ou não, quantas vezes ele poderia usá-la na vítima. No fim das contas, todos queremos fazer a melhor série possível, e isso é o que importa", diz Coburn.
A confiança da NBC no projeto rendeu uma renovação para a segunda temporada, que chega agora ao Brasil. Com o voto da rede, vem também a pressão para entregar novos episódios ainda melhores. "É um misto de emoções. É claro que é legal olhar o gráfico com a audiência do primeiro ano e perceber que temos um público fiel, que nos vê toda semana", inicia Bailey.
"É muito satisfatório saber que tem um grupo de pessoas gostando da série, dos personagens, promovendo debates sobre as teorias apresentadas. Ao mesmo tempo, sabemos que a NBC e o estúdio estão nos dando esse espaço na grade, então temos essa responsabilidade de dar audiência para continuar no ar. Queremos fazer uma série que dure muitas temporadas e que satisfaça o público. Mas é gostoso e gratificante saber que os espectadores estão conosco desde o início, sabe?", conclui o criador.
A segunda temporada de The Hunting Party está no catálogo da plataforma Universal+, disponível em Prime Video, Claro TV+, Vivo TV, Meli+ e UOL Play.
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