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ENTREVISTA

'Pílulas de Farinha’: Série explora escândalo de anticoncepcionais dos anos 1990

DIVULGAÇÃO/ HBO MAX

Mulher sentada em um sofá verde, usando blusa rosa, olha levemente para o lado com expressão pensativa

Pílulas de Farinha: O Escândalo Que Gerou Vidas; investigação não tira protagonismo de vítimas

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 30/9/2025 - 11h00

Pílulas de Farinha: O Escândalo Que Gerou Vidas, nova série documental da HBO, revisita um dos maiores casos de fraude da indústria farmacêutica no Brasil nos anos 1990. Cerca de 600 mil comprimidos ineficazes do anticoncepcional Microvlar, do laboratório Schering, foram comercializados -- resultando em dezenas de gestações indesejadas. O furo foi do Jornal Nacional, em junho de 1998.

Em entrevista ao Notícias da TV, as diretoras Cassia Dian e Jana Medeiros ressaltaram que a série documental busca não apenas relembrar os fatos, mas também provocar reflexões sobre o papel do "bom jornalismo", dos direitos reprodutivos e até sobre a forma como a sociedade lidou com as mulheres afetadas.

Cassia destacou que o trabalho dos jornalistas foi essencial para que o caso viesse à tona. "Esse caso se tornou público graças ao trabalho de um grupo de jornalistas que na época recebeu a denúncia, investigou, apurou e entendeu que essa denúncia era verdadeira e teve a coragem de colocá-la no ar", disse.

Para a diretora, não havia como contar a história omitindo a importância da imprensa. E lembra que, na ocasião, o laboratório já tinha conhecimento do vazamento das pílulas de placebo, mas não havia feito recall nem alerta à população. Ou seja, no intervalo de um mês entre o ocorrido e a reportagem ser exibida no Jornal Nacional, várias gestações poderiam ter sido evitadas.

O papel do jornalismo é fundamental nessa história, assim como eu acredito que é fundamental até hoje

Todavia, o processo de investigação jornalística não é capaz de tirar o protagonismo das vítimas na série. Cassia lembrou que as consequências foram dramáticas para as mulheres atingidas, sobretudo em um país onde o aborto não é legalizado.

Segundo ela, algumas chegaram a interromper a gestação, ainda que esses relatos não tenham sido incluídos na série. "Essas mulheres se viram grávidas e elas só tinham duas possibilidades: ou fazer um aborto ilegal, que muitas vezes poderia colocá-las em risco, ou seguir com essa gravidez adiante, custe o que custasse".

Jana Medeiros, diretora de conteúdo da série, ressaltou que a questão do direito ao próprio corpo esteve no centro do projeto desde o início, ainda em 2022 --o que considera um debate urgente para a sociedade. "Quando a gente faz uma obra audiovisual, o que a gente deseja é que ela traga sempre que possível algumas discussões ou pelo menos alguma reflexão para a sociedade", disse a diretora.

"'Ah, mas qual o problema? São vidas! Tá reclamando do quê? Ninguém morreu, nasceu uma criança'. Isso também não invalida que essas mães amem as suas filhas e os seus filhos. E que eles sejam felizes hoje, mas esse caso foi muito agressivo", destacou.

Jana ainda frisou que, ao privar as mulheres da escolha, o episódio retirou delas o direito ao próprio corpo: "A partir do momento que destituiu o livre arbítrio dessas mulheres, destituiu o direito delas sobre os seus próprios corpos. E que elas achavam que estavam exercendo", completou.

Pílulas de farinha: O Escândalo Que Gerou Vidas estreia nesta terça-feira (30) na plataforma de streaming e canal HBO. Os três episódios serão lançados semanalmente.


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