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CASO VERÍDICO

O que é real e o que foi inventado pela Netflix na minissérie Emergência Radioativa

REPRODUÇÃO/NETFLIX

FERNANDA LOPES

fernanda@noticiasdatv.com

Publicado em 8/4/2026 - 16h00

Emergência Radioativa, minissérie que apareceu entre as produções mais vistas da Netflix globalmente, retrata um caso verídico: o acidente com o césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987. Para contar o que aconteceu, a trama mistura fatos reais com construções fictícias.

Grande parte do que é retratado nos cinco episódios de Emergência Radioativa aconteceu na vida real. De fato, dois catadores encontraram um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radioterapia.

Eles levaram o objeto a um ferro-velho, e o dono o adquiriu sem saber do que se tratava. A cápsula de césio-137 foi aberta neste ferro-velho, e a partir daí começou a contaminar gravemente muitas pessoas pela cidade.

A série retrata com verossimilhança as consequências da contaminação: sintomas como tontura, vômito e feridas na pele, a demora para a identificação do problema, o isolamento de pessoas e áreas contaminadas, a dificuldade dos médicos e a revolta da população que não entendia bem o que estava acontecendo.

As mortes exibidas na série aconteceram na vida real. Os nomes das vítimas, porém, foram trocados. A menina Celeste (Mari Lauredo), por exemplo, na verdade se chamava Leide das Neves. Ela se tornou a vítima mais conhecida desta tragédia e morreu por ter ingerido e tido contato com partículas de césio-137. A revolta no enterro dela também ocorreu de fato.

"A gente teve um cuidado absurdo, tivemos a assessoria do Ipen [Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares], assessoria dos físicos, dos médicos, de pessoas que viveram, que trabalharam lá. É justamente disso que falamos, da informação verdadeira, do conhecimento, da ciência. Se a série não tivesse esse cuidado, estaríamos errando já na largada", disse Johnny Massaro, em entrevista ao Diário do Nordeste.

O que foi inventado em Emergência Radioativa

Apesar disso, a minissérie também utilizou recursos narrativos fictícios para condensar o acidente radioativo em cinco episódios. O personagem Márcio (Johnny Massaro) não existiu por si só; ele é uma junção de vários profissionais que ajudaram a identificar e a contornar o perigo radioativo.

Aliás, na série, o público é apresentado apenas a um pequeno número de físicos, médicos e profissionais da ciência envolvidos diretamente no caso. Na realidade, dezenas de pessoas trabalharam nisso.

A trajetória dele se assemelha com maior proximidade à do físico Walter Mendes Ferreira, um dos primeiros a identificar o problema. Ainda assim, dramatizações como a questão da gravidez da mulher de Márcio foram criadas especificamente para a série.

Na vida real, os desdobramentos do acidente radioativo ocorreram de forma ainda mais caótica. Na série, os acontecimentos e resoluções são apresentados de maneira linear e concisa, simplificando processos e procedimentos científicos e médicos, para maior compreensão geral.

O acidente com o césio-137 é considerado o maior desastre radiológico do mundo fora de usinas nucleares. Há indícios de que centenas de pessoas tenham sido diretamente contaminadas e de que milhares tenham tido suas vidas afetadas.


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