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FÚRIA
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Marcelo (Vinicius Neri) em Fúria: lançada nesta quarta (29), série da Netflix explora o MMA
A Netflix estreou nesta quarta-feira (29) a série Fúria, que acompanha a história de um jovem resgatado à beira da morte por um treinador de MMA. Na pele do protagonista Marcelo, o ator Vinicius Neri destaca que a produção propõe um debate necessário sobre machismo e a desconstrução da masculinidade tóxica.
"Acho que essa série e, principalmente, o Marcelo levantam um debate que é muito importante: sobre homens aprenderam a lidar com que sentem. A gente vive em uma sociedade em que os homens são criados para não entrarem em contato com o que sentem. O personagem percorre uma trajetória imensa para aprender a equilibrar cabeça e coração", inicia o artista, em entrevista ao Notícias da TV.
Neri reflete que influenciar os homens a compreenderem os próprias sentimentos é essencial em tempos de aumento de feminicídio. "A gente vive um 'boom' muito grande de feminicídio no Brasil e essas coisas estão muito associadas. Eu espero muito poder contribuir para levantar essa conversa com esse personagem", completa.
Sem memória, com uma bala alojada na cabeça e em busca de entender a própria identidade, Marcelo luta para consolidar carreira no MMA, enquanto lida com fantasmas do passado, que retornam à sua cabeça como flashes e resultam em momentos explosivos.
"Uma coisa legal é entender que tudo que esse cara tem de memória está no corpo. Eu fui explorando isso, de construir um corpo que, ao mesmo tempo, é rígido e travado, tem uns momentos de explosão, quando, de repente, vem a fúria", inicia Neri.
"É sempre um exercício de ficar acalmando a fera, de tentar não transparecer tudo isso que está acontecendo. Porque ele está tentando se reinserir na sociedade, no meio das pessoas que estão ajudando ele. Existe um comportamento de querer ser, minimamente, um bom menino", acrescenta.
O intérprete aponta que não foi difícil dar vida aos rompantes raivosos do personagem. "Desde que eu entrei no teatro, a coisa mais fácil para mim como ator era fazer uma cena que tivesse raiva. Não à toa, fui escalado para fazer esse personagem. Assim como ele, eu tenho um bicho dentro. Era muito fácil acessar essas coisas", define.
Se explorar as emoções de Marcelo foi fácil, em contrapartida, Neri precisou de uma rotina de atleta para ficar imerso no esporte que muda a vida do personagem. Antes mesmo de ganhar oficialmente o papel, o ator já era submetido a aulas de MMA. Foram quatro meses de preparação antes do início das gravações e os treinos não cessaram enquanto o trabalho no set já acontecia.
Além dos treinos, Neri também encarou ensaios de coreografia de luta, em sessões que chegavam a oito horas por dia. "É muito louco, porque a gente aprende um movimento nas aulas de luta e quando vai para a coreografia, a gente muda um pouco, porque tem que estilizar o movimento, por conta da captação das câmeras. Tem que fazer em uma angulação para dar leitura na câmera. Como na série a gente não luta e não se bate de verdade, tem toda uma dança com a câmera para trazer o realismo", recorda.
Fúria marca a primeira grande produção da carreira de Neri. Ele começou no teatro e estudou na EAD (Escola de Arte Dramática), da USP (Universidade de São Paulo). Ganhou projeção graças a curtas, como Lupi (2022) e KM 100 (2024) –este último, ele conta, chegou até uma pessoa da produção e foi determinante para que ele conseguisse o teste na obra.
Neri não esconde o deslumbre pela oportunidade de dividir o set com veteranos como Claudia Raia, que diz ser fã desde a novela O Beijo do Vampiro (2002), e Eduardo Moscovis, de quem recebeu cuidados devido à intensa rotina que o protagonista lhe trouxe.
"Das 90 diárias, eu fiz 88, tendo que treinar, lutar, fazer tudo que eu tinha que fazer. Então, foi um período enorme em que eu vivi para isso. O Du, pela trajetória, sabe o que é estar com esse volume de trabalho na conta. Sempre que me encontrava, dava muita força, queria saber como eu estava, fazia questão de me botar para cima, de me motivar", expõe.
Já com MC Cabelinho, Neri precisou estabelecer uma relação de confiança que ajudasse a contar a história de ódio entre Marcelo e Júnior Malamute. O cantor, que já acumula no currículo novelas como Amor de Mãe (2019) e Vai na Fé (2023), dá vida a um lutador que encara uma rivalidade com o protagonista muito além dos limites do ringue.
Neri lembra que o rapper teve certa dificuldade de lidar com a vilania de seu personagem:
Ele é uma pessoa muito boa, com um coração enorme, muito generoso. No início, isso era até uma questão para ele. Na preparação, ele se sentia meio cruel de ter que explorar umas coisas. O personagem pesa muito. O Marcelo está naquela condição tão delicada e ele é aquele cara que tem que chegar tirando uma onda da condição dele.
"A gente foi criando uma relação de confiança e entendendo que havia um fairplay ali, de estar tudo bem e ninguém levar nada para o pessoal", conclui.
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Júnior Malamute (MC Cabelinho) e Marcelo (Vinicius Neri)
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