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YARA DE NOVAES

Mãe também é vilã? Atriz de Ângela Diniz faz descoberta após série da HBO Max

REPRODUÇÃO/HBO MAX

Yara de Novaes em Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, da HBO Max

Yara de Novaes: atriz teve que ir fundo para construir mãe antagonista em minissérie do streaming

IVES FERRO

ives@noticiasdatv.com

Publicado em 1/12/2025 - 21h00

Interpretar Maria Diniz, mãe de Ângela Diniz (1944-1976), foi um desafio que atravessou fronteiras pessoais e históricas para Yara de Novaes. Na minissérie Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, da HBO Max, a atriz dá vida a uma figura pouco documentada, mas central na trajetória emocional da protagonista. Com poucas cenas no roteiro, Yara precisou reconstruir a matriarca a partir de pesquisa própria, na qual entendeu o antagonismo dela na vida da filha.

"Tive que escavar Maria nas entrelinhas", conta a atriz ao Notícias da TV. Ela explica que, por ser mineira, buscou referências em Belo Horizonte e entrevistou mulheres que realmente conviveram com a mãe de Ângela. "Elas me disseram: 'Não pense que ela era uma senhora tradicional'. Ela era mandona, forte, voz grossa, apaixonada pela Ângela", relembra.

Esses relatos preencheram as lacunas do roteiro e ajudaram Yara a construir uma personagem dura, conservadora, mas movida por amor --e, sobretudo, pelas expectativas da elite mineira da época. "Maria planejou a vida da filha. Planejou o marido, o status, o respeito social. E a Ângela rompeu com tudo isso", explica.

Esse rompimento, segundo a atriz, coloca mãe e filha em posições quase opostas, mas não necessariamente como inimigas. "Ela não é antagonista. É alguém que vê seu projeto de vida desmoronar. E que não sabe como acolher essa mulher livre que a Ângela escolheu ser", aponta.

Yara também destaca como o machismo estrutural está presente não só na trajetória de Ângela, mas na de Maria e até no modo como a sociedade ainda lê o caso. "Ela é vítima de um sistema que molda mulheres para acreditar que estabilidade vale mais do que liberdade", lamenta.

Maria existe no olhar, na tensão, no silêncio. Ela está presente na forma como os outros falam dela, como tratam a Ângela, como julgam o comportamento das duas. A história da Ângela não é espetáculo. É denúncia. E a série trata isso com profundidade.

Para a atriz, a obra traz uma reflexão sobre ciclos familiares e rupturas sociais. "A tragédia não é só o feminicídio. É o que veio antes. É um sistema inteiro que desaba sobre mulheres como Ângela e como Maria", conclui.

A minissérie Ângela Diniz: Assassinada e Condenada conta com seis episódios, disponibilizados semanalmente pela HBO Max. Os quatro primeiros já podem ser vistos pelos assinantes da plataforma, e o quinto será lançado na próxima quinta-feira (4).


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