A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
CRÍTICA
DIVULGAÇÃO/GLOBOPLAY

Rita (Leticia Colin) e Maurício (Cauã Reymond) têm um caso na série Jogada de Risco, do Globoplay
Quando uma série promete mostrar os bastidores do futebol, o público costuma imaginar negociações milionárias, disputas de vestiário e egos inflados. Jogada de Risco entrega tudo isso, mas vai muito além. Nos quatro primeiros episódios, a produção mergulhou em um território que raramente chega ao público: o universo dos escândalos abafados, das informações compradas, dos favores silenciosos e das vidas duplas que cercam o esporte mais popular do país.
O grande acerto da série é entender que o futebol nunca termina no apito final. A bola é apenas o ponto de partida para uma engrenagem que envolve empresários, jornalistas, dirigentes, apostadores, criminosos, familiares oportunistas e interessados em transformar a carreira de um atleta em um ótimo negócio.
É justamente essa sensação de proximidade com a realidade que torna Jogada de Risco tão envolvente. Criador da série e intérprete de Maurício, Cauã Reymond revelou ao Notícias da TV que ouviu empresários, técnicos e profissionais do futebol para reunir histórias reais que inspiraram os roteiros.
A produção não aponta nomes nem reproduz casos específicos, mas a impressão constante é a de que muitos daqueles acontecimentos poderiam ter saído das páginas policiais ou das colunas de bastidores esportivos.
O roteiro passeia por assuntos que normalmente aparecem apenas como rumores. Há atletas que escondem a orientação sexual por receio das consequências na carreira, empresários que usam informações íntimas como moeda de troca, esquemas para burlar exames antidoping, negociações atravessadas por interesses das apostas esportivas, corrupção, influência da milícia e um mercado em que dinheiro e poder frequentemente falam mais alto do que o desempenho dentro de campo.
Os crimes, as traições e as chantagens têm função dramática e desenham um ambiente em que reputações são construídas e destruídas nos bastidores. A série sugere que o maior patrimônio do futebol talvez não seja um craque, mas a capacidade de manter determinados segredos longe do noticiário.
Os núcleos conversam entre si de maneira eficiente. Maurício (Cauã Reymond), um ex-jogador que tenta reconstruir a vida como empresário de atletas, vive cercado por fantasmas do passado, dívidas e escolhas equivocadas. Ao seu lado está Cris (Mariana Sena), advogada que atua para apagar incêndios jurídicos e proteger os interesses dos clientes.
Do outro lado da disputa surge Fernando Veiga (Marcelo Adnet), empresário rival que alimenta um desejo antigo de vingança. Anos antes, uma jogada de Maurício ferrou seu joelho, encerrando a carreira dele. Desde então, o agente transforma cada negociação em uma oportunidade para destruir o adversário.
É nesse conflito que entra Rita (Leticia Colin), uma cafetina cujas pupilas atendem jogadores e empresários. A personagem transita entre diferentes grupos, manipula informações e se aproxima de Maurício enquanto alimenta uma aliança secreta com Fernando. O relacionamento dela cos dois rende algumas das cenas mais picantes da série.
Outro personagem que chama a atenção é o de Geraldo (Breno Ferreira), atleta do Atlântico que esconde sua homossexualidade por medo da reação do meio esportivo. A série trata o tema sem caricaturas, mostrando como o preconceito ainda influencia decisões profissionais e pessoais em um ambiente marcado pela masculinidade tóxica.
Enquanto isso, Walter (Ricardo Teodoro), amigo de infância de Maurício, representa a ligação entre o futebol e o crime organizado. Agiota e miliciano, ele cobra dívidas e amplia a sensação de que o protagonista está preso em uma rede de relações da qual dificilmente conseguirá escapar.
Já Regiane (Maria Bopp) simboliza outro lado pouco explorado nas produções sobre futebol. A jornalista ultrapassa limites éticos em busca de furos e informações exclusivas, expondo como a disputa por audiência também pode transformar a intimidade dos atletas em espetáculo.
Talvez o aspecto mais inteligente de Jogada de Risco seja não tratar seus personagens como heróis ou vilões absolutos. Quase todos escondem alguma contradição. Os protagonistas erram. Os antagonistas têm motivações compreensíveis. Empresários protegem e exploram seus atletas ao mesmo tempo. Jornalistas buscam a verdade, mas também sabem que um grande furo pode transformar suas próprias carreiras.
Essa complexidade faz a série escapar da armadilha de transformar o futebol em mero pano de fundo. O esporte serve para discutir poder, dinheiro, reputação, masculinidade e o preço da fama em um universo onde milhões dependem da manutenção de determinadas aparências.
A primeira temporada de Jogada de Risco tem oito episódios. A série estreou no Globoplay em 23 de julho, e a plataforma adotou lançamento semanal, com novos dois episódios sempre às quintas-feiras.
© 2026 Notícias da TV | Proibida a reprodução
TUDO SOBRE
Cauã Reymond
Jogada de Risco
Leticia Colin
Marcelo Adnet
Maria Bopp
Mariana Sena
Ricardo Teodoro
Mais lidas
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.