BROOKE LIPTON

Ex-Glee busca Emmy inédito por colocar Ricky Martin e Kristen Wiig para dançar

DIVULGAÇÃO/APPLE TV

Montagem com fotos de Ricky Martin de smoking e de Kristen Wiig com uma calça e um top amarelos, ambos dançam

Ricky Martin e Kristen Wiig em número musical que abriu a segunda temporada de Palm Royale

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 20/8/2026 - 18h00

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Coreógrafa assistente do fenômeno Glee (2009-2015), Brooke Lipton disputa neste ano o terceiro Emmy da carreira por seu trabalho na série Palm Royale (2024-2026). Ela pode levar a estatueta para casa por ter colocado o galã Ricky Martin e a comediante Kristen Wiig para dançar na subestimada comédia do Apple TV, que concorre a outros sete prêmios.

Apesar de já ter sido indicada pela primeira temporada da atração em 2024 --e também pelo drama Lucifer (2016-2021) em 2021--, Brooke assegura que foi pega de surpresa ao ver seu nome na lista de nomeados mais uma vez. "Eu nunca espero nada! E sou inacreditavelmente grata por tudo isso. Quer dizer, estou no mundo da coreografia há quase 20 anos", diz ao Notícias da TV.

"Mas eu estava realmente torcendo por uma indicação, por causa do que o Abe [Sylvia, criador e showrunner] fez para a série e de como ele montou essa plataforma que, basicamente, serviu numa bandeja o roteiro mais incrível para dizer: 'Aqui está esta cena de dança'. Então, sou muito grata pelo fato de a Academia de Televisão e de outros coreógrafos terem reconhecido que esse trabalho era tão especial", valoriza a dançarina na entrevista exclusiva.

Uma das maiores qualidades de Palm Royale é que os números de dança não estão ali apenas pelo espetáculo --embora sejam muito bonitos de assistir--, mas também para avançar a história que está sendo contada. Para Brooke, o fato de Abe Sylvia ter trabalhado como dançarino no passado mudou a maneira como ela trabalha e como sua arte se torna ainda mais respeitada.

"No primeiro número de Ricky e Kristen, logo na estreia da temporada, a verdade é que nós tivemos muito tempo para fazê-lo. Apesar de ele acontecer no primeiro episódio, por causa da maneira como os cenários e as gravações foram planejadas, nós adiamos essa cena em quase dois meses, para que a equipe tivesse tempo de criar tudo aquilo", aponta a artista.

"E, na verdade, durante esse processo, eu ficava ouvindo: 'Falamos com você daqui a pouco. Já vamos chegar em você'... Porque eles estavam projetando e criando e montando aquelas mesas e decidindo o que poderiam fazer com o cenário antes de eu entrar de fato. E eu meio que observava de longe, mas deixei que eles fizessem boa parte do trabalho. Porque, muitas vezes, como coreógrafa, o roteiro já está pronto. Está tudo pronto. E aí você entra no último minuto, quando já colocaram tudo no papel, e cria em cima do que está ali."

"A beleza de Abe ter sido dançarino é que ele consegue se colocar no meu lugar nesse processo criativo. Então, ele pensa no que é realmente importante para rodar um número de dança e assegura que os cenários possam ser movimentados e que as laterais tenham espaço suficiente. Eles construíram o cenário do zero, porque Abe sabia que eu ia querer ter uma câmera atrás do palco, nas laterais e, se fosse necessário, por cima dele. E você não consegue fazer isso se estiver em um salão de baile de verdade", diz a coreógrafa.

"Havia momentos em que a equipe me dizia: 'Que tamanho você quer que essa mesa tenha? Quais dimensões você deseja?'. Eu estou tão acostumada a alguém me dizer: 'Sua mesa tem um metro de altura', e é isso que você recebe, que foi meio que um choque. Foi mágico poder participar daquele processo criativo, que permitiu que tantos outros elementos entrassem na coreografia."

Brooke Lipton no Emmy 2024; ela disputa prêmio pela terceira vez (Reprodução/Instagram)

Colocar Ricky Martin e Kristen Wiig nesse mundo mágico foi mais fácil do que o público imagina, segundo Brooke. "Não tive desafio nenhum para trabalhar com os dois. Mas é claro que foram processos bem diferentes, porque Ricky é um artista desde sempre, se sente à vontade com a música e com a dança, além de uma atitude natural", elogia ela.

"O que Kristen trouxe --e acho que nem todo mundo entende isso-- é aquela comédia física. Ela é uma comediante física nata. Basta olhar tudo o que já vimos ela fazer, inclusive em seus papéis dramáticos, para entender o que é necessário fazer com o corpo e com a performance. Muitas vezes há atores que têm um certo receio de fazer algo que talvez não esteja dentro da sua zona de conforto. E ela nunca teve nada disso!"

"E os dois aprenderam muito rápido! Acho que o primeiro ensaio do Ricky durou cerca de uma hora. E, de novo, eu tinha pouquíssimo tempo! É diferente de eu ter cinco dias com os dançarinos, mas eles foram muito rápidos e realmente estavam ansiosos para ter aquele momento de treino individual e para fazer aquilo. Então eles foram um verdadeiro presente, e eu adoraria ter a honra de trabalhar com atores e atrizes assim o tempo todo", valoriza.

Agora, Brooke aguarda ansiosamente o Creative Arts Emmy, que premia as categorias mais técnicas da televisão --as cerimônias estão marcadas para 5 e 6 de setembro. Ela concorre com coreógrafos de séries como Bridgerton, Wandinha e Will Trent - Agente Especial, e insiste que está feliz só de ser indicada, mas não esconde que adoraria vencer.

"Uma das coisas é que... Bem, nós, dançarinos, somos competitivos por natureza, certo? Mas também somos muito generosos e humildes. Você dá tudo de si na pista de dança e, depois, recua um pouco e observa a próxima pessoa, quer que ela tenha sucesso. Você não quer ver um colega fracassar. Seria horrível estar numa competição e pensar: 'Não tem ninguém aqui que seja bom, isso vai ser fácil'", entrega.

"Então, eu me sinto honrada por ter sido reconhecida, e isso é muito emocionante. Eu quero ganhar? É claro que sim! Mas, no fim da noite, vamos todos para uma festa juntos. Então, eu vou à festa de qualquer jeito. Só seria muito, muito divertido estar segurando um troféu e sorrindo com ele (risos)"

Confira um dos números de Palm Royale coreografados por Brooke Lipton:

De olho na próxima geração

Enquanto espera a entrega do Emmy e o próximo projeto audiovisual, Brooke Lipton tem dado aulas de dança para crianças e preparado a próxima geração de talentos para a TV e para o cinema. "Tem sido divertido mostrar para elas como será se um dia se mudarem para Los Angeles."

"A criatividade e o que é necessário para ser um dançarino que performa diante das câmeras são muito mais do que aquilo para o qual elas treinaram a vida inteira --que é levantar a perna e fazer uma pirueta. É saber trabalhar com a câmera, saber como é estar em um set", ressalta a professora.

"Então, no meu tempo livre da televisão, é isso que faço: ensino os dançarinos que estão começando e que querem se mudar para Los Angeles, para que estejam preparados para trabalhar diante das câmeras quando surgir uma oportunidade. E essa é a beleza: quanto mais tempo eu trabalho na televisão, mais posso brincar com as ideias e entender como preparar uma coreografia pensando no diretor de fotografia, no cinegrafista e na história. É muito mais do que simplesmente colocar passos na tela", crava Brooke.

Por fim, ela incentiva mais pessoas a se expressarem com movimentos corporais --mesmo aquelas que não estão em um estúdio. "Dança é emoção. E, quer você saiba dançar ou não, é algo que todo mundo deveria fazer. Todo mundo deveria simplesmente colocar uma música para tocar no quarto e ficar pulando para cima e para baixo por um tempinho. Você consegue sentir como isso pode mudar a energia do seu dia", finaliza a artista.


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