A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
WILLIAM NASCIMENTO
LAURA CAMPANELLA/GLOBOPLAY

William Nascimento como o socorrista Átila em Emergência 53: intensivão por trás de série
William Nascimento encarou uma rotina intensa para dar verossimilhança ao universo de urgência e tensão da série Emergência 53. Para viver o socorrista Átila, o ator passou por um treinamento direto com o médico e roteirista Marcio Maranhão. A experiência permitiu que ele entendesse os procedimentos práticos e a carga emocional de cada cena de resgate em um único processo.
Não à toa, o aprendizado exigiu dominar a linguagem corporal típica de quem trabalha salvando vidas. "O profissional de urgência tem uma economia de movimento que denuncia quem não treinou: ele não procura o material, a mão já sabe onde está", explica Nascimento, em entrevista ao Notícias da TV.
Ele também destaca que se surpreendeu com a postura dos profissionais reais. "Eu imaginava encontrar gente em estado permanente de adrenalina e é quase o contrário: existe uma calma difícil de explicar no meio do caos. Foi essa a chave do Átila", acrescenta.
O novo projeto marca mais um passo consolidado na trajetória de William, que em 2023 viveu o lutador Anderson Silva na série biográfica Spider, do Paramount+ --indicada ao Emmy Internacional.
"Foi o divisor de águas da minha carreira. E foi assustador, porque o Anderson é uma lenda viva. A preparação durou quase sete meses: quatro horas de luta por dia. Você passa meses estudando a história de um cara para viver ele na tela e, no fim, ele vira alguém com quem você conversa de verdade. Isso não estava no contrato", brinca.
Com 18 anos de carreira e vindo de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o ator aproveita para refletir sobre a representatividade no audiovisual:
Hoje acontece, e eu fico feliz com isso, é um progresso real. Mas eu ainda encontro barreiras que imaginava já terem ficado para trás. Continuo vendo personagem que parece existir só para preencher uma cota. Eu olho para o lado e vejo amigos meus, atores tão bons quanto eu ou melhores, parados. Meu lugar não pode ser a exceção que faz todo mundo achar que o problema foi resolvido.
Fora das telas, Nascimento também vive a transformação provocada pela paternidade ao lado da filha Ayla, de três anos.
"Eu venho de uma formação em que homem não chorava, não falava de sentimento, provia e pronto; e virei um cara que chora vendo desenho com ela, que aprendeu a pedir desculpa pra uma criança", revela o ator, destacando que a escuta e o respeito à menina começam em casa. "A conta do machismo não pode ser paga por ela; ela tem que ser cobrada de nós, homens."
Além da estreia no Globoplay, o artista já projeta novos compromissos no cinema e no streaming, como o longa Na Linha de Fogo, parceria entre a Globo e a Disney. Ele enfatiza que busca papéis cada vez mais humanos e complexos no mercado:
O que eu quero não é espaço para existir na cena, é espaço para ser complexo nela, errar, amar, ser engraçado, ser contraditório, como qualquer personagem pode ser sem que ninguém ache estranho.
Entre seus grandes objetivos profissionais para o futuro, William não esconde o entusiasmo para conquistar um espaço no horário nobre da televisão aberta. "Novela é um objetivo. Minha equipe e eu trabalhamos muito para que aconteça. Novela é o veículo que entra na casa das pessoas todos os dias, tem um alcance e um afeto do público que nenhum outro formato tem no Brasil. Quando acontecer, sei que vai ser em algo muito especial", conclui.
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