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ALTERNATIVOS

Em ano de recorde de indicações ao Oscar, brasileiros tentam Emmy por 'vias tortas'

Divulgação/Vitrine Filmes e Netflix

Montagem com fotos de Wagner Moura em O Agente Secreto e Alice Braga em Homem em Chamas

Wagner Moura em O Agente Secreto e Alice Braga em Homem em Chamas; de olho no Emmy

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 6/7/2026 - 18h00

Depois de quebrar um recorde de indicações no Oscar, com cinco lembranças dos votantes da Academia, o Brasil terá uma participação bem mais discreta no Emmy 2026, com menos inscritos do que em anos anteriores --e em categorias que o público não costuma prestar muita atenção.

O Notícias da TV analisou a extensa lista de 1.558 atores que decidiram colocar seu nome na disputa para o grande prêmio da televisão norte-americana e encontrou apenas três artistas brasileiros ou com família daqui. É uma queda e tanto em relação aos últimos anos: em 2025, foram 12; outros dez em 2024; e sete em 2023.

A relação é encabeçada por uma artista que já foi indicada ao prêmio. Morena Baccarin, nascida no Rio de Janeiro, foi lembrada pela Academia de Televisão em 2013 por seu trabalho na elogiada Homeland (2011-2020). Agora, ela está inscrita como melhor atriz em drama por Sheriff Country, série da rede CBS que segue inédita no Brasil.

Outra brasileira é Alice Braga, que tenta a sorte pela série Homem em Chamas, produção da Netflix que teve cenas rodadas no Brasil. Ela está inscrita na categoria melhor atriz coadjuvante em drama. Sua tia, Sonia Braga, já concorreu ao prêmio em 1995 pelo telefilme Amazônia em Chamas (1994).

A terceira inscrita com sangue brasileiro pode chocar muitos fãs. Trata-se de Mariska Hargitay, que tenta mais uma indicação (já foram oito) por Law & Order: SVU. No documentário My Mom Jayne (2025), a atriz revelou que seu pai biológico não é o fisiculturista Mickey Hargitay (1926-2006), mas sim o cantor paulistano Nelson Sardelli, estreitando seus laços com o país.

Um quarto nome poderia ter se inscrito no Emmy de ator coadjuvante, mas acabou ficando de fora. Gabriel Leone está no elenco da segunda temporada de Citadel, do Prime Video, que aparece entre as produções elegíveis.

No entanto, ele e todo o elenco da série caríssima dos irmãos Russo preferiram não arriscar --nem mesmo os protagonistas, Richard Madden e Priyanka Chopra Jones, aparecem na relação de astros inscritos. Como a produção foi muito criticada, pode ter sido uma maneira de evitar o vexame.

Há ainda o caso de um ator que não tem sangue brasileiro, mas está ligado ao país por causa do amor. O cineasta italiano Marco Calvani, que se casou em 2023 com o galã Marco Pigossi, está inscrito pelo segundo ano consecutivo na categoria melhor ator coadjuvante em série de comédia por sua atuação em As Quatro Estações do Ano, da Netflix.

Chance vem pelas beiradas

Com apenas três inscritas no Emmy "principal", o Brasil tenta comer pelas beiradas, com o ator Wagner Moura e a cineasta Petra Costa se arriscando em quesitos nos quais não temos muita tradição --mas que, curiosamente, são as nossas maiores chances.

O ator vencedor do Globo de Ouro concorre como melhor performance vocal por seu trabalho como o detetive Brander Lawson em Star Wars: Maul - Lorde das Sombras --ele compete com vozes de Os Simpsons, Uma Família da Pesada e Rick & Morty, entre outras animações.

Já Petra Costa, indicada ao Oscar por Democracia em Vertigem (2019), agora concorre como melhor narração por Apocalipse nos Trópicos (2025) --o filme já foi indicado ao Emmy de Notícias e Documentários, o que deve atrair alguns olhares extras para o trabalho da cineasta, apesar de os votantes das duas vertentes da premiação serem bem diferentes.

A lista de indicados ao Emmy 2026 será anunciada nesta quarta-feira (8). Já a entrega das estatuetas está marcada para três datas distintas: a das categorias técnicas (que incluem as de Moura e Petra) acontece em 5 e 6 de setembro, enquanto a cerimônia principal ocorre no dia 14 do mesmo mês.


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