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ENTREVISTA
DIVULGAÇÃO/HBO MAX

Ícaro Silva, Bruna Linzmeyer e Johnny Massaro; grupo decide trazer clandestinamente AZT do exterior
Nova série nacional da HBO, Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente revisita a epidemia de Aids no Brasil em cinco episódios que misturam ficção, memória e denúncia. Ambientada nas décadas de 1980 e 1990, a produção promove reflexões sobre os desafios, os tabus e até a solidariedade, sem deixar de se conectar com questões ainda presentes na sociedade brasileira.
A trama explora a decisão de um grupo de comissários de bordo de arriscar tudo para trazer clandestinamente o medicamento AZT do exterior. Em cena, estão atores como Bruna Linzmeyer, Johnny Massaro, Ícaro Silva e Eli Ferreira.
Em conversa com o Notícias da TV sobre a nova série, o elenco destaca que uma das maiores fascinações do ofício de ator está justamente nos "deslocamentos obrigatórios" exigidos para compor um personagem. Mesmo que, de alguma forma, todos eles se conectem profundamente com a luta representada na produção.
Segundo Johnny Massaro, foi um processo intenso de descoberta mergulhar no passado, compreender o universo da aviação e aprender mais sobre HIV e Aids. "Muitas coisas que eu mesmo, enquanto homem gay, não sabia. Então, que grande privilégio é ter um ofício que nos ensina tanto", afirma.
Já Ícaro Silva ressalta a atmosfera do período retratado, um Brasil recém-saído da ditadura, com uma grande vontade de viver. Ele relacionou essa energia especialmente ao Rio de Janeiro da época, mesmo que na sombra da epidemia de HIV e Aids. "Por mais que a gente olhe muito para morte, os personagens trazem a pulsão de vida", observa ele à reportagem.
O ator destaca ainda que, apesar de ser um tema tabu naquele momento, a questão permanece atual. E acrescenta que o trabalho o enriqueceu como artista e como homem queer, tornando-o mais ativo em um processo de mudança rumo a uma sociedade mais inclusiva.
"Dez mil pessoas morrem de Aids no Brasil por ano, por preconceito e desinformação. Então, ainda é um tabu em muitas esferas da sociedade. A nossa série vem como denúncia, como uma série informativa", diz.
Bruna Linzmeyer, por sua vez, classifica como um privilégio poder revisitar esse período histórico através do trabalho. Para ela, a série lança um novo olhar sobre o HIV e a Aids, mas também evoca uma experiência coletiva que emociona: a rede de solidariedade dentro da comunidade queer.
"Esses personagens têm um tempo muito sombrio, uma dor, um trauma muito grande para lidar, mas o que eles fazem com isso, que é essa rede de afeto, aconchego, carinho, solidariedade, é muito transgressor e é uma potência que a comunidade queer faz", pontua.
Bruna observa ainda que, na narrativa, personagens heterossexuais aparecem muitas vezes mais solitários, encontrando acolhimento justamente na Boate Paradise --reduto fictício da comunidade LGBTQIA+ retratada na série.
Para a atriz, esta escolha não deixa de ser uma representação muito simbólica. "Isso é uma conexão desses anos 1980, 1990, até hoje. Então acho que tem muitas coisas que nos emocionam nessa trajetória de pesquisa e feitura da série", conta.
Os cinco episódios de Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente são lançados semanalmente na HBO Max e no canal HBO.
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