A VIZINHA PERFEITA
REPRODUÇÃO/NETFLIX

Susan Lorincz no documentário A Vizinha Perfeita: filme está no top 10 da Netflix Brasil
A Vizinha Perfeita foi o segundo filme mais assistidos da Netflix na última semana. O documentário retrata um crime real que abalou os Estados Unidos em 2023 --o assassinato de Ajike "AJ" Owens, mãe de quatro filhos, morta pela vizinha Susan Lorincz após uma discussão. O destaque é a narrativa perturbadora e imersiva: toda a história é contada por meio de câmeras corporais de policiais, gravações de emergência e registros oficiais, sem entrevistas ou narrações.
O documentário reconstrói o caso ocorrido em Ocala, na Flórida, que escancarou o racismo estrutural e as falhas do sistema judicial norte-americano. Ajike Owens foi baleada pela vizinha após reclamar do tratamento hostil que Susan dava às crianças do bairro. O tiro foi disparado através da porta, diante dos filhos da vítima.
A ausência de narração e depoimentos transforma o espectador em uma testemunha ocular da tragédia. As imagens captadas pelas câmeras dos agentes e as chamadas ao serviço de emergência colocam o público dentro da cena do crime, ampliando a tensão e o impacto emocional. O resultado é uma experiência cinematográfica que incomoda e prende do início ao fim.
Segundo os produtores, o objetivo de A Vizinha Perfeita é provocar reflexão. As imagens também mostram uma vizinhança que antes era marcada pela união e pela convivência pacífica, mas que entrou em colapso diante da intolerância.
O documentário questiona a controversa lei norte-americana Stand Your Ground, que permite o uso de força letal caso a pessoa alegue se sentir em perigo. A mesma legislação foi usada pela defesa de Susan Lorincz, que chegou a permanecer em liberdade durante dias após o crime. Ela só foi presa em 6 de junho de 2023 e, posteriormente, condenada a 25 anos de prisão por homicídio culposo com arma de fogo.
A Vizinha Perfeita teve estreia mundial no Festival de Sundance, onde a cineasta Geeta Gandbhir venceu o prêmio de melhor direção de documentário americano. Mais do que um relato policial, o filme se impõe como uma denúncia sobre o perigo de normalizar o ódio e sobre como a justiça pode falhar com as vítimas mais vulneráveis.
"Queremos provocar entendimento e empatia. Se esse filme evitar que outra vida seja perdida, já terá cumprido sua missão", declarou a diretora.
O documentário está disponível na Netflix Brasil e tem 1 hora e 37 minutos de duração. Confira o trailer (em inglês):
© 2025 Notícias da TV | Proibida a reprodução
Mais lidas
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.