EPISÓDIO DERRADEIRO
REPRODUÇÃO/NETFLIX

Onze (Millie Bobby Brown) no último episódio de Stranger Things; criadores da série falam sobre final
Criadores de Stranger Things, Matt e Ross Duffer abriram o jogo sobre o final ambíguo de Onze/Eleven (Millie Bobby Brown) no episódio derradeiro da quinta e última temporada da série da Netflix. Os roteiristas e diretores destrincharam os motivos pelos quais optaram pelo destino da personagem que mexeu com as emoções do público.
[Atenção: contém spoilers a partir daqui]
O capítulo final, intitulado The Rightside Up, encerra a história com a morte do Devorador de Mentes e de Vecna/Henry (Jamie Campbell Bower), mas deixa em aberto o destino da personagem mais simbólica da produção.
Antes do epílogo estendido do episódio, Onze opta por permanecer no Mundo Invertido, que está prestes a ser destruído. A decisão parece estar ligada à promessa feita à irmã Kali (Linnea Berthelsen) e ao desejo de encerrar, de forma definitiva, o ciclo de experimentos cruéis liderado pelo doutor Brenner (Matthew Modine).
Na cena, ela é sugada por um vácuo e desaparece junto com o Mundo Invertido, o que sugere um sacrifício doloroso e marca um dos momentos mais trágicos da série.
Apesar da aparente despedida, alguns detalhes levantaram dúvidas entre os fãs. Mike (Finn Wolfhard) cria uma teoria a partir de uma percepção que teve tardiamente: o exército usava máquinas para neutralizar os poderes de Onze, e a garota teria conseguido escapar com a ajuda de Kali, que teria simulado a imagem da irmã na explosão.
Ela, então, teria conseguido fugir dos militares e ido para um lugar distante --com as cachoeiras que Mike havia imaginado no futuro deles. Entretanto, não fica claro se isso é real ou não.
Em entrevista à própria Netflix, Matt Duffer explicou que a ambiguidade foi uma escolha consciente. "O que queríamos fazer era confrontar a realidade da situação dela. Essas são perguntas que levantamos ao longo da temporada e que o Hopper [David Harbour] nem consegue pensar ou discutir", afirmou.
Segundo ele, Mike constrói uma visão idealizada do futuro. "Há dois caminhos que a Onze poderia seguir. Um mais sombrio e pessimista, ou um otimista e esperançoso. Mike é o otimista do grupo e escolheu acreditar nessa história", ponderou.
Ross Duffer revelou que nunca existiu uma versão do roteiro em que Onze terminava a série reunida com os amigos. "Para nós e para os roteiristas, não queríamos tirar os poderes dela. Ela representa a magia em muitos sentidos, e a magia da infância", explicou. De acordo com ele, para que a história de Hawkins chegasse ao fim, a personagem precisava desaparecer.
"Para que nossos personagens seguissem em frente e para que a história de Hawkins e do Mundo Invertido pudesse se encerrar, Onze precisava ir embora", afirmou Ross. O criador deixou claro que a saída da personagem não foi pensada como punição, mas como parte do amadurecimento coletivo do grupo.
Segundo ele, o mais importante era permitir que os personagens acreditassem em um final mais feliz, mesmo sem respostas definitivas. "O fato de eles acreditarem nisso nos pareceu uma forma muito melhor de encerrar a história e de representar o fechamento dessa jornada, da infância para a vida adulta", declarou.
Matt Duffer completou dizendo que, mesmo que Onze esteja viva em algum lugar, a única possibilidade para os amigos seria acreditar nisso à distância. "Se essa for a narrativa, essa é realmente a melhor forma de mantê-la viva. É sobre o Mike e todos encontrarem uma maneira de seguir em frente", comentou.
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