MOCINHAS APAIXONADAS
PAULO BELOTE/TV GLOBO

Laura Dutra, Alanis Guillen, Leticia Vieira e Pedro Alves protagonizam a série Vermelho Sangue
Vermelho Sangue chega ao Globoplay nesta quinta-feira (2) como uma história híbrida movida pelo romance de duas garotas, vampiros em busca de cura e DNA brasileiro. Com dez episódios, a trama se passa em Guarambá, cidade fictícia no Cerrado Mineiro, e é uma espécie de Crepúsculo nacional, mas com sotaque, fauna e conflitos próprios.
A criação de Rosane Svartman e Claudia Sardinha não oculta seu objetivo: trazer o mito clássico do lobisomem para uma chave feminina e nacional. A "mocinha" Luna (Leticia Vieira) carrega o peso de se transformar em loba-guará a cada lua cheia.
Sua condição genética vem do pai ausente e a coloca sob constante vigilância da mãe. Flora (Alanis Guillen), por outro lado, vive a frustração de não possuir nada de extraordinário em si. Carrega o apelido de lobimoça por ter cruzado com um lobisomem ainda menina.
A união das duas, nascida do desejo de romper com os limites convencionais, é o motor da série. Seus beijos, tratados com delicadeza e romantismo, simbolizam o primeiro mergulho em um amor que é também um rito de passagem.
Em contraponto, os vampiros centenários Michel (Pedro Alves) e Celina (Laura Dutra) encarnam o perigo clássico. Fingindo ser irmãos, infiltram-se no Instituto de Biologia local com o aval da empresa VPTech, cuja pesquisa científica esconde o real interesse em explorar a genética dos lobos-guará.
As cenas deles oscilam entre o sensual e o ameaçador: eles tomam sangue de canudinho, manipulam mentes com hipnose e não hesitam em eliminar quem os ameaça, como o motoqueiro que cruza o caminho de Celina em um episódio que desencadeia uma investigação policial.
A produção reforça o contraste: de um lado, as serras, rios e galinheiros no quintal; do outro, o ambiente tecnológico e frio do instituto de pesquisa. O lobo-guará é o símbolo de brasilidade.
A trama tem também um embate é estético e narrativo: europeus disfarçados de alunos contra a figura nativa que tenta controlar seus instintos animais. A série também começa abordando a autoaceitação para discutir pertencimento, diferença e ética científica.
O Notícias da TV assistiu aos três primeiros episódios dos seis que são liberados nesta quinta-feira na plataforma de streaming --os outros quatro serão disponibilizados no próximo dia 9.
Pedro Alves, que está no ar como Caco em Dona de Mim, é um destaque. Ele faz o tipo vampiro sedutor e tarado que mexe com o imaginário feminino, mas o romance de Luna e Flora é um empecilho para os interesses de Michel, que vai fazer de tudo para conquistar a lobimoça porque tem a missão de encontrar no DNA dela a cura para sobreviver ao sol.
Com direção artística de Patricia Pedrosa, a série explora a Serra da Canastra como pano de fundo e parece ser mais do que uma fábula sobrenatural: é uma boa tentativa de criar uma fantasia adolescente brasileira, onde o lobo-guará enfrenta vampiros, mas também a lógica de uma sociedade conservadora.
© 2026 Notícias da TV | Proibida a reprodução
Mais lidas
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.