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Cazuza: série documental do Globoplay aborda todas as fases do artista que morreu aos 32 anos
Cazuza (1958-1990) ganha um retrato visceral e afetuoso na série documental Cazuza Além da Música, que acaba de estrear no Globoplay. Dividida em quatro episódios, a produção é curta, mas intensa. Mergulha na vida pessoal, nos bastidores e na obra de um dos maiores ícones do rock nacional. Apresenta o cantor como símbolo de coragem e liberdade.
Com vasta pesquisa e material de arquivo, o documentário costura entrevistas que Cazuza deu ao longo da vida com depoimentos inéditos de amigos, produtores, ex-namorados e familiares. Dos primeiros passos na música, no Barão Vermelho, até os dias finais marcados pela luta contra a Aids, a série sintetiza o que o artista viveu.
Entre as revelações, estão os conflitos internos da banda, como uma briga com Roberto Frejat que acabou em agressão e um afastamento de seis meses. O fim do Barão é abordado sem rodeios: Cazuza assumiu que não sabia trabalhar em grupo e optou pela carreira solo.
A produção não poupa o espectador de temas delicados. Mostra como a bissexualidade de Cazuza era vivida com naturalidade, mas também o impacto devastador do diagnóstico de HIV em uma época sem tratamentos eficazes.
Em um dos momentos mais fortes, a série destaca a transformação do cantor após assumir publicamente que era soropositivo, tornando-se símbolo de uma geração afetada pelo vírus. Ele passou a encarar a morte com lucidez e, paradoxalmente, com ainda mais paixão pela vida.
Além dos dramas, há espaço para a celebração. A série mostra Cazuza como filho único, rodeado de amigos, dono de uma casa sempre cheia, boêmio incorrigível, apaixonado por viver. Até mesmo durante as internações, ele mantinha o espírito festivo.
Cazuza Além da Música é uma homenagem à intensidade. Um retrato que ultrapassa a figura do rockstar para revelar o ser humano: mimado, contraditório, luminoso, sensível e corajoso. A série emociona, informa e reafirma o poder do legado de um artista que, mesmo partindo cedo, com apenas 32 anos, continua ecoando por gerações.
O primeiro episódio acompanha a trajetória de Agenor de Miranda Araújo Neto até se tornar o vocalista do Barão Vermelho. Explora suas primeiras paixões, o envolvimento com teatro, a formação da banda e o início da vida artística.
No segundo episódio, o foco é a descoberta da Aids e o impacto que isso teve sobre sua arte. O terceiro revela um Cazuza ainda mais vulnerável: as paixões avassaladoras, os escândalos públicos, os excessos e as cicatrizes emocionais que ele traduzia em música.
A liberdade sempre teve um preço, que ele pagava com o próprio corpo e coração. O episódio Cobaias de Deus encerra a série com o artista à beira do fim, lidando com a morte. Ele canta pela última vez, deixando um recado para o mundo: "O tempo não para".
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