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ANA COSTA

Atriz ganha maior papel da carreira mesmo sem reconhecer diretor na hora do teste

Divulgação/Netflix

Mulher com uma roupa azul de hospital está sentada numa cama; ela tem falhas no cabelo e queimaduras na pele

Ana Costa é Antônia na série Emergência Radioativa, da Netflix; atriz vive drama real na ficção

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 20/3/2026 - 6h10

Depois de uma pequena participação em Tremembé, série na qual viveu uma agente penitenciária, a atriz Ana Costa encara o maior papel de sua carreira até o momento em Emergência Radioativa, produção nacional da Netflix lançada na quarta-feira (18). O mais curioso foi que ela conseguiu o papel mesmo sem reconhecer o diretor Fernando Coimbra na hora do teste.

"O processo de audições até que não foi tão longo, acho que eu fui a primeira [do elenco] a assinar. Tinha feito uma self tape [gravação em casa] em dezembro de 2024, para um teste genérico, que todas as atrizes fizeram. Finalzinho do mês marcaram um retorno em janeiro, mas as três datas caíram", lembra Ana Costa em entrevista exclusiva ao Notícias da TV.

"Aí, em fevereiro, fiz o teste presencial já com o diretor, mas nem sabia que aquele homem na sala era o Fernando Coimbra (risos)", admite a atriz, que vê no desconhecimento algo positivo, no fim das contas. "Como eu não sabia quem ele era, me senti tão bem, muito tranquila, foi ótimo para mim."

A série volta para a Goiânia de 1987 e remonta o acidente com césio-137 que, no mundo real, contaminou centenas de pessoas, causou quatro mortes diretas e outras tantas por efeitos posteriores da radiação. Ana vive Antônia, matriarca da família dona do ferro-velho, que compra a cápsula com o elemento e se encanta pelo brilho azul daquele pozinho.

A atriz ressalta a importância de essa história ser contada para um público mundial, já que ela própria tinha poucas memórias do acidente real. "Eu fiquei chocada por não lembrar de quase nada, porque eu morava no Piauí na época e a gente não tinha nem luz elétrica, que dirá televisão. Então, quando a gente ia na casa da dona Isabel, que tinha uma TV, não era para ver o noticiário."

"Quando consegui o papel, fui pesquisar e entendi que a gente deveria falar sobre. Meu pai tem 75 anos e me trouxe informações que ninguém sabia também, me ajudou muito", aponta a artista. "O brasileiro tem memória seletiva, a gente se esquece rápido das tragédias. Deveria ser tão falado quanto Chernobyl [acidente nuclear que ocorreu na Ucrânia em 1986]. Estou torcendo para que Emergência Radioativa atraia o olhar das pessoas."

Força nordestina em Goiás

Apesar de ter nascido no Piauí, Ana Costa buscou referências de sua vida na hora de construir Antônia, que é goiana. "Tinha uma fala no meu teste que pensei: 'Eu, Ana, diria isso!'. Aí, trouxe um pouco de mim, dessa força da mulher nordestina, para a personagem também. E até teve um momento da preparação em que comecei a perder aquilo, aí o Fernando me puxou de lado e pediu para eu resgatar, porque foi aqueça mulher forte que chamou a atenção."

Ela ainda revela que, apesar dos temas difíceis que a série aborda, conseguiu desligar facilmente dos dramas da personagem quando parava de gravar. "Teve uma época em que eu até me questionei se eu era boa atriz, porque eu via os outros atores tão introspectivos, sem querer falar com ninguém depois do 'corta'. E eu brincando, virava uma chavinha mesmo. Eu sinto tudo no momento que estou em cena, principalmente em um trabalho como esse, que não tem como você não sentir. Mas é o diretor dá o corta e eu desligo", diz.

Com cinco episódios, a minissérie Emergência Radioativa já está disponível completa na Netflix. O elenco também conta com Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, Tuca Andrade, Leandra Leal, Bukassa Kabengele, Alan Rocha, William Costa, Antonio Saboia e Emilio de Mello, entre outros. Confira o trailer:


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