LUCAS ORADOVSCHI

Ator adianta nova fase de Nardoni na 2ª temporada de Tremembé: 'Medo absoluto'

DIVULGAÇÃO/PRIME VIDEO

Lucas Oradovschi caracterizado como Alexandre Nardoni em Tremembé, usando roupa laranja de presidiário

Lucas Oradovschi como Nardoni em Tremembé; ator adianta detalhes da 2ª temporada da série

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A segunda temporada de Tremembé mostrará uma nova fase de Alexandre Nardoni. Depois de acompanhar o personagem dentro da penitenciária na primeira leva de episódios, a série passará a retratar sua transição para o regime aberto e os conflitos que surgem com a possibilidade de voltar ao convívio em sociedade.

Em entrevista ao Notícias da TV, o ator Lucas Oradovschi adianta que o personagem enfrentará medos, inseguranças e novas contradições. "Finalizamos [as gravações] nesta semana. O Alexandre Nardoni passará por momentos pessoais muito delicados, por questões familiares", conta ele.

"Vamos acompanhar a transição para o regime aberto, o que traz novos desafios, contradições e incertezas... Ao mesmo tempo, a possibilidade de se tentar recomeçar uma nova vida e o medo e a insegurança de como será recebido na vida fora de Tremembé", complementa.

Para Oradovschi, a nova etapa também amplia as possibilidades de construção do personagem. "É uma oportunidade muito interessante para mim de ampliar a composição deste personagem, de adicionar novas camadas", afirma.

O ator explica que a segunda temporada muda a perspectiva sobre Alexandre Nardoni em comparação com os episódios anteriores. Segundo ele, o personagem deixa de estar completamente consumido pelo crime para enfrentar outro tipo de conflito.

ARQUIVO PESSOAL

Lucas e Bianca

Oradovschi e Bianca Comparato nos bastidores de Tremembé

"Na primeira temporada, a minha construção mostra um personagem muito assombrado pelo crime que cometeu. Tendo que lidar com todas as consequências internas, emocionais, psíquicas. É como se ele estivesse preso dentro de si próprio, além de estar preso em Tremembé", pondera ele.

"Agora, mostramos um movimento distinto. Alguém que precisa se refazer de alguma maneira para ter a força e a coragem necessárias para encarar essa nova transição. É um movimento muito dúbio, porque, numa primeira leitura, sair da cadeia é algo bom, e é claro que é, mas eu procuro seguir trabalhando essas contradições e paradoxos. Existe o movimento de se desejar muito e, ao mesmo tempo, um medo absoluto do que poderá vir a ser a vida", completa.

Reflexão sobre violência e humanidade

Apesar de encontrar novos desafios na segunda temporada, Oradovschi revela que o trabalho mais difícil continua sendo o da primeira leva de episódios. Segundo ele, reviver o assassinato de Isabella Nardoni (2002-2008) foi o momento mais delicado de toda a sua carreira.

"A primeira temporada foi mais dura para mim, com certeza. Primeiro, por estar desbravando um caminho ainda não percorrido, não ter a certeza de que se tratava de um bom e potente caminho. E, principalmente, pela sequência do crime, que foi, com certeza, a sequência de cenas mais difícil da minha carreira", relata.

Paralelamente a Tremembé, o ator também se prepara para voltar aos palcos com a peça Um Pássaro Não É uma Pedra. A montagem volta ao Teatro Poeira, em São Paulo, a partir desta terça-feira (7), e parte de experiências reais de teatro comunitário em um campo de refugiados na Palestina.

Segundo Oradovschi, o texto destaca a capacidade humana de manter a união nos cenários mais adversos. "São histórias que nos mostram a importância da arte, do teatro como modo de solidariedade, formação e resistência. Iniciativas que revelam que, mesmo diante da guerra e da destruição, persistem experiências de convivência, criação coletiva e defesa radical da vida", afirma.

O ator ainda enxerga uma certa conexão entre Tremembé e a peça, já que ambos provocam reflexões sobre o ser humano. "Os dois trabalhos falam sobre humanidade. Sobre os horrores e as potências das humanidades."

"Eu me sinto muito sortudo de poder ter esses dois trabalhos acontecendo quase de maneira simultânea, trabalhos que me fazem também estar constantemente fazendo perguntas, me revendo, tentando encontrar caminhos para seguir criando obras que também possam tocar e mover as pessoas", conclui.


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