DOCA STREET
REPRODUÇÃO/HBO MAX

Emílio Dantas em Ângela Diniz: Assassinada e Condenada: ator interpreta condenado por morte
Emilio Dantas interpreta Doca Street (1934-2020) na minissérie Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, true crime da HBO Max. Na vida real, o personagem existiu mesmo e matou Ângela Diniz (1944-1976) após descobrir uma traição. O ator, que tem uma gama de vilões novelescos no currículo, explica que não enquadra Doca em um personagem, mas sim em algo pior: alguém que não deve ser construído ou "compreendido".
Em entrevista ao Notícias da TV, o ator afirma que abriu mão de qualquer processo tradicional de construção de personagem para viver o criminoso. Segundo ele, dar nuances ao feminicida seria um equívoco artístico e ético.
"O Doca está fora da minha lista. Não considero o Doca um personagem", declara. Para ele, o trabalho não tinha relação com criar camadas psicológicas, humanizar ou buscar justificativas dramáticas.
"É um serviço para se contar a história da Ângela. Procurei atuar o mínimo possível. Não era sobre fazer dele alguém interessante, complexo. O que movia aquele homem não era sentimento, era posse, ciúme, agressividade, abuso", acrescenta.
Dantas explicou que o feminicida não exigia profundidade emocional ou estudo psicológico detalhado, porque sua motivação estava escancarada no próprio crime. "São atitudes, não sentimentos", define o ator.
A perspectiva contrasta com a trajetória do artista em papéis densos e vilões marcantes. O ator deixa claro que, neste caso, não queria e sequer devia entrar no personagem.
A escolha reflete a proposta da série, que evita glamorizar o agressor e coloca o foco absoluto na vítima, Ângela Diniz. Emílio reforça que esse cuidado serviu de norte durante toda a preparação. "O importante era não desviar a centralidade da Ângela. O público precisa olhar para ela, para o que ela viveu e para o impacto que a violência teve. Não para ele", explica.
O ator também fala sobre os desafios de trabalhar em um gênero que costuma ser explorado de maneira sensacionalista. Ele defende que true crimes exigem compromisso quando envolvem feminicídio. "Se você pode trocar o título por 'As aventuras do assassino X', algo está errado. Não dá para tratar esse material como espetáculo", critica.
Para ele, a força da produção não vem da brutalidade do crime, mas da maneira como a história é contada. "O que importa é o debate que vem depois. O que isso provoca, o que revela sobre nós e sobre o país", aponta.
A minissérie Ângela Diniz: Assassinada e Condenada estreou no dia 13 na HBO Max, com Marjorie Estiano no papel da socialite e Emilio Dantas como o homem que a matou. A produção de seis episódios ainda conta com Antonio Fagundes, Thiago Lacerda, Yara de Novaes, Camila Márdila, Renata Gaspar e Joaquim Lopes no elenco.
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