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ASSASSINADA E CONDENADA

'Ângela não era militante': Marjorie Estiano expõe contradições de true crime da HBO

REPRODUÇÃO/HBO MAX

Marjorie Estiano em Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, série true crime da HBO Max

Marjorie Estiano em Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, série true crime da HBO Max

IVES FERRO

ives@noticiasdatv.com

Publicado em 24/11/2025 - 6h10

Marjorie Estiano é a protagonista da minissérie Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, da HBO Max, e afirma que a socialite, cuja morte em 1976 provocou uma mobilização histórica contra a violência de gênero, jamais teve consciência de que estava rompendo padrões. A mineira, com nuances complexas, foi rechaçada mesmo após sua morte e culpabilizada pela tragédia --a motivação do crime teria sido a descoberta de uma infidelidade por parte dela.

Em entrevista ao Notícias da TV, a atriz destaca que a personagem se tornou símbolo involuntário de um movimento que ela mesma não compreendia totalmente em vida. "Ângela não era militante. Ela não pensava na sua vida a partir de uma agenda política, nem tinha consciência do papel libertário que representava", explica a atriz.

"Mas ela vivia uma vida que, por si só, rompia muitas regras da época. Para as mulheres que lutavam por direitos, isso era uma conquista. Para ela, era apenas o desejo de liberdade", acrescenta.

Marjorie defende que Ângela poderia ter entendido sua importância apenas após o julgamento, caso tivesse sobrevivido. "Se ela tivesse visto o movimento Quem Ama Não Mata, talvez percebesse a revolta que o tratamento dado a ela causou nas mulheres conscientes daquela estrutura patriarcal. Mas sua vida foi interrompida antes disso", pontuou.

A intérprete de Ângela Diniz conta que a construção da personagem foi pensada para fugir da idealização pintada pela mídia, que colaborou para que o caso fosse desenhado inteiramente pelos olhos da sociedade machista que apoiou Doca Street (1934-2020), então marido de Ângela e condenado pelo assassinato. Não havia a intenção de transformá-la em mártir, vilã ou heroína.

O que nos importava era mostrar uma mulher real, com suas contradições, suas nuances e seu afeto. Não estávamos preocupados em proteger a Ângela de julgamento ou em colocá-la num pedestal. Estávamos interessados em reproduzir a vida dela e suas relações.

A atriz reflete que muitas das violências vividas por Ângela não eram compreendidas por ela na época. "Ela não considerava certas agressões como violência. Foi entendendo aos poucos, quando perdeu a guarda da filha, quando foi discriminada, quando foi barrada em clubes. A consciência veio pela vida vivida", relata.

Questionada sobre como enxerga Ângela na trama, Marjorie diz que a socialite não se encaixa em nenhum rótulo simples. "Ela não é heroína nem anti-heroína. Ou talvez seja as duas coisas. A complexidade dela é que nos interessava contar", opina.

A atriz também cita o impacto das relações de Ângela com os demais personagens --especialmente com a mãe, Maria, interpretada por Yara de Novaes. "A Marjorie tem uma construção muito interessante em tudo que faz", diz Yara na mesma conversa. "Ela não faz personagens 'isso ou aquilo'. Faz tudo ao mesmo tempo. Ela as torna humanas", detalha a veterana.

Sobre o formato true crime, Marjorie é categórica. Ela acredita que tanto ficção quanto documentário são formatos válidos, desde que tratados com responsabilidade. "O grande problema é quando se transforma dor real em espetáculo. Mas, quando feito por artistas responsáveis, como nessa série, a ficção tem a potência para ampliar debates importantes", conclui.


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