A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
RAINHA DO BISTURI
Reprodução/YouTube

A dermatologista Carol Brandão mostra sua rotina médica em A Rainha do Bisturi, da HBO Max
A dermatologista Caroline Brandão admite que a ética médica e a privacidade foram as principais questões a serem enfrentadas em A Rainha do Bisturi, série documental do Discovery Home & Health já disponível no YouTube e que chega à HBO Max na próxima quinta-feira (10). Na atração, a profissional mostra o tratamento de pacientes que sofrem com lesões graves de pele.
"Isso foi uma grande dificuldade para a gente. Essa questão da privacidade dos pacientes é a nossa bandeira inicial como profissional, de não deixá-los serem filmados ou fotografados. De repente, a gente se viu na situação inversa", inicia Carol, em entrevista ao Notícias da TV.
Entre os casos com que Carol mais se preocupou, estava o de uma mulher com lesões em uma área que a médica não queria que fosse exposta. "Claro que todos consentiram. Sempre fui muito cuidadosa para que a gente tivesse alguns limites", completa.
Para convencer os pacientes a expor seus casos, Carol teve conversas prévias com todos, com o objetivo de já ter uma relação construída quando as câmeras fossem ligadas. "Isso é o mais importante ao meu ver. É muito difícil criar uma intimidade com alguém te filmando. A gente fez primeiro esse elo. Eu considero a relação com o paciente uma coisa sagrada", defende.
Ela relata que fez uma exigência à produção: que não fosse interrompida enquanto estivesse exercendo a função de médica. "O programa aconteceu em ritmo do documentário, não eram cenas", explica.
"Sem esse negócio de 'para e volta', 'não ficou bom'. Não existe essa possibilidade. Tem que ter o seu nível de estresse bem regulado para aguentar essa pressão do momento, mas funcionou."
Carol é pós-graduada em Cirurgia Dermatológica e Oncologia Cutânea, e é professora colaboradora de Dermatologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Diante das câmeras, lidou com inflamações severas e deformidades causadas por câncer de pele.
A especialista não se autointitula "rainha do bisturi", o título do programa foi uma decisão da equipe. A alcunha até pode conotar uma tendência a um caráter estético, mas a escolha do bisturi é uma referência à importância do instrumento cirúrgico para a médica.
"O programa fala de casos que não são só estéticos. Até são estéticos, mas fora do que estamos acostumados a ver usualmente, como arrebitar o nariz ou alongar o queixo. Eu era professora dessa área, eu ensinava outros médicos a usar o bisturi, a dar ponto, sempre fui muito cheia de detalhes da técnica, é uma marca muito forte da minha história. Eu recebi essa alcunha, e estamos aqui para vivê-la", conta.
Os primeiros episódios estrearam no YouTube no último dia 4, seis dias antes da chegada no streaming da HBO. Trata-se de uma estratégia multiplataforma para ampliar ainda mais o alcance dos conteúdos da Warner Bros. Discovery.
"A ideia é aproximar as histórias do público, oferecendo possibilidades para que diversas audiências tenham acesso e possam escolher como e onde assistir às produções", comenta Monica Pimentel, vice-presidente do grupo na América Latina, ao Notícias da TV.
Agora exposta em duas grandes plataformas de audiovisual, Carol até já gravava conteúdos para a internet, mas com linguagem mais acadêmica. Ela assume que foi um desafio simplificar sua fala para torná-la interessante em um reality show, mas glorifica ter espaço para se tornar uma porta-voz da dermatologia em tempos de desinformação.
"Todos os dias, eu me vejo estudando coisas muito complexas, mas pensando como vou trazer isso para quem me ouvir e para que os pacientes no meu consultório entendam. Na era da comunicação, nós, médicos, temos esse papel de simplificar e dar a informação, mas, também, de sermos fortes condutores das situações", conclui.
© 2026 Notícias da TV | Proibida a reprodução
Mais lidas
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.