A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
JÁ DEU PARA ENTENDER
REPRODUÇÃO/BAND

Os participantes Jesuíno Archanjo e Aline Oliveira no episódio desta terça (18) do MasterChef Brasil
A 13ª temporada do MasterChef Brasil tem demonstrado claramente uma guinada na direção de se aproximar do estilo de outros reality shows de sucesso na TV --como o BBB--, nos quais as brigas entre os participantes são tidas como algo bom para o entretenimento. A questão é que, para isso, o programa tem insistido muito em provas em grupo, o que faz com que a dinâmica culinária perca muita qualidade, em detrimento das picuinhas do jogo.
A temporada chegou ao marco do Top 10 no último dia 11, com apenas dez participantes remanescentes, de um total de 24 pessoas que competiram desde o primeiro episódio, exibido em 16 de maio de 2026.
Mas uma reclamação tem sido recorrente entre os competidores, em depoimentos dados por eles e exibidos no próprio programa: o fato de quase toda semana ter uma prova em grupo.
Já houve, por exemplo, provas em que eles precisaram fazer comidas de rua para entregadores, em que tiveram que cozinhar quitutes "vintage" para famosos como Ronnie Von e Sandra de Sá e em que precisaram realizar um jantar com o tema Ano-Novo Chinês. Até a prova de repescagem foi em grupo.
Todas essas disputas juntaram cozinheiros e exacerbaram problemas entre eles. Há participantes que se odeiam, que não trabalham bem entre si, que reclamam um do outro.
Uma pessoa específica, Aline Oliveira, já é tida como alguém com quem ninguém quer trabalhar em grupo. Os rivais dizem abertamente que ela é muito cabeça-dura, difícil de lidar.
Essas picuinhas e desavenças de competição são interessantes, mas no MasterChef 2026 já estão saturadas. Primeiro porque parece que, ao incentivar e priorizar os problemas de relacionamento, o reality acabou deixando de lado a excelência culinária, fator pelo qual ficou conhecido ao longo dos anos.
Muitos dos pratos que saem dessas provas em grupo passam longe da excelência. Nas redes sociais, o público já reclama que o nível gastronômico caiu muito, que os participantes deste ano não parecem cozinhar tão bem quanto cozinheiros de temporadas anteriores.
Talvez seja um fato, mas também pode ser que eles só não estejam tendo as mesmas condições de trabalho, visto que é mais fácil cozinhar algo sozinho do que ter que dialogar, depender e lidar com as opiniões, habilidades e limitações de outras cinco pessoas ao mesmo tempo na cozinha.
O segundo ponto negativo desse estilo de competição é que ela já se tornou repetitiva. Toda semana os participantes esperam ter um desafio diferente, mais estimulante, mas lá está ela de novo: a prova em grupo.
As cartas já estão marcadas; todos já sabem quem trabalha mais devagar, quem é mais pilhado, quem é mais intransigente, quem é melhor em fazer doces. Há poucas surpresas.
No início, de fato fez sentido colocar os participantes para se digladiarem em provas coletivas, entender as personalidades de cada um, os pontos de divergência que gerariam atrito.
Agora, tudo isso já está posto. Seria mais interessante ver a 13ª temporada do MasterChef Brasil retomar o alto nível gastronômico e deixar as tretas que já existem fluírem naturalmente, sem forçar tantas dinâmicas ardilosas.
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