REVIRAVOLTA
REPRODUÇÃO/RECORD e TV GLOBO

Fabiano Moraes e Daniele Hypolito foram dois participantes "plantas" em A Fazenda e no BBB 25
O BBB e A Fazenda reformularam seus formatos para evitar o fantasma que assombrou edições recentes: o marasmo provocado por elencos sem carisma e recheados de competidores que não se comprometem com o jogo. A Record implementou o Super Paiol --e também roças surpresas-- na edição de 2025 para eliminar possíveis "plantas". Já o reality da Globo revelou que quem não movimentar a próxima temporada poderá ser substituído pelo público no meio do confinamento.
No Big Brother Brasil, a tentativa de salvar o programa antes mesmo da estreia é inédita. A promessa é de que ninguém estará completamente seguro e de que o elenco poderá ser renovado ao longo do jogo. A estratégia surge após o fiasco de repercussão da edição de 2025, uma das menos comentadas da história do reality de confinamento.
Não houve torcida, rivalidades memoráveis ou ícones instantâneos. No fim, o telespectador não se envolveu, e isso não se resolve apenas com provas de resistência ou Big Fones multiplicados. A Globo tenta corrigir um erro que não é do desenrolar do jogo, mas da seleção de elenco.
Os participantes do BBB 25 pareciam pouco dispostos a se comprometer emocionalmente com o jogo. A sensação era de que todos estavam protegidos demais, calculados demais, preocupados mais com a vida pós-BBB e menos com a dinâmica dentro da casa.
A temporada não teve antagonistas fortes nem protagonistas carismáticos e, principalmente, conflitos que marcaram a edição. Renata Saldanha foi o ponto fora da curva que teve a sorte de chegar na final --após voltar da casa de vidro, a sister entendeu o que estava em jogo e levou a melhor.
O BBB 26 quer evitar esse risco e, por isso, aposta na troca de jogadores e no aumento do poder do público. A ideia é boa no papel, mas não resolve o maior desafio do reality: encontrar gente que realmente queira jogar.
Já na Record, A Fazenda 17 entrou em campo com uma dinâmica quase tão ousada quanto a do BBB: o Super Paiol, que prometia eliminar participantes "plantas" para mexer no jogo. Mas a aposta, empolgante no início, falhou. O público eliminou Michelle Barros e Shia Phoenix e deixou dois peões mornos: Creo Kellab e Fabiano Moraes, que competiam naquela berlinda.
Mesmo assim, o reality rural entregou uma temporada satisfatória, marcada por barracos, rivalidades e viradas de roteiro. A edição não dependeu do Super Paiol, mas sim do temperamento natural de seus participantes. Dudu Camargo, Carol Lekker, Duda Wendling e Saory Cardoso carregaram o programa com conflitos reais, alianças desfeitas e boas tretas.
Os reality shows são imprevisíveis. Não existe fórmula capaz de assegurar que um participante vá render ou se apagar assim que entrar na casa. As plantas existem porque algumas pessoas travam, não se posicionam ou simplesmente são ofuscadas pela personalidade alheia.
As plantas vão continuar existindo, mas a missão das emissoras é minimizar o estrago na seleção do elenco. Porque nenhuma dinâmica, por mais engenhosa que seja, consegue funcionar quando o casting erra feio.
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