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THE BEGINNING

Drag Race Brasil é só o início de uma nova (e reluzente) vida para Paola Hoffmann

DIVULGAÇÃO/WOW PRESENTS PLUS

Drag queen posa com expressão confiante; usa vestido vermelho com pedrarias, flor no cabelo e brinco de franjas. Fundo roxo brilhante

Paola Hoffmann Van Cartier faz homenagem a Gal Costa (1945-2022) no palco de Drag Race Brasil

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 29/7/2025 - 16h00

O público até viu Paola Hoffmann Van Cartier ser eliminada em um lip sync ao som de The Beginning (O Começo, em inglês), de RuPaul, mas jamais poderá dizer que ela saiu derrotada do terceiro episódio de Drag Race Brasil. Afinal, a artista representa exatamente aquilo que transformou a franquia em um fenômeno global e abriu caminho para sua versão nacional: a força da arte em transformar e até salvar vidas.

Paola entrou na Werkroom de peito aberto, determinada a mostrar que pincéis de maquiagem, perucas e saltos altos vão muito além de uma mudança visual --são, sim, ferramentas de uma revolução muito mais profunda.

A jovem abriu o coração ao relembrar como viu seu mundo desabar ao trocar o Espírito Santo pela Itália por causa de um amor que estava longe de ser um conto de fadas. Isolada, longe da família e dos amigos, ela precisou se reinventar do zero e chegou a recorrer à prostituição para sobreviver.

"Logo após a exibição do episódio, peguei o meu telefone e [me surpreendi] com a quantidade de pessoas que se sentiram representadas, que queriam me abraçar e também abraçar a minha história", conta Paola em entrevista exclusiva ao Notícias da TV.

Naquele momento, tudo já tinha valido a pena. Foi ali que entendi que minha drag não existe só para se exibir: ela carrega uma história, representa algo maior e tem o poder de emocionar. Se não for para tocar as pessoas, eu não quero estar no palco. É isso que realmente me move.

O começo de uma nova vida

Paola ficou visivelmente emocionada ao dublar a letra cujo refrão diz "esse é o começo do resto de sua vida", justamente por sentir que estava, ali, iniciando uma nova etapa da própria trajetória. "Caiu como uma luva, não só como drag, mas também como indivíduo", explica.

Ela havia acabado de terminar um relacionamento de dez anos antes de entrar no reality show. "[A música] Não representava só um começo, mas uma virada completa de chave, de tudo aquilo que eu estava passando no momento."

"Então, meu maior desafio em Drag Race foi não deixar o meu psicológico me colocar para baixo. Quantas vezes a gente não se vê capaz de ser um bom artista, uma boa drag, acha que o nosso trabalho ainda não é suficiente?", questiona.

Uma vida coroada

Paola entrou na competição com a sua família drag já coroada pelo reality: ela é filha da lendária Vanessa Van Cartier e irmã de Envy Peru, que venceram as duas primeiras temporadas de Drag Race Holland. "A minha mãe deu inúmeros conselhos, mas o mais importante foi: 'Seja você mesma, independentemente do resultado, se você for a primeira eliminada ou se ganhar. Você já me deixa muito orgulhosa de estar indo competir'".

Capixaba, ela ainda não voltou a Vitória após a estreia do programa, mas se surpreendeu com as mensagens que recebeu de seu Estado:

São vários recados, e não só de pessoas que fazem parte da comunidade LGBTQIA+, mas também de muitos heterossexuais que se sentem representados por me ver na competição. Acho, então, que fiz um trabalho bem feito.

Leia também > Como Chanel venceu Drag Race Brasil mesmo sendo a primeira eliminada?

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