AVE DO PARAÍSO
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Ruby Nox nos bastidores da grande final de Drag Race Brasil: pavão como símbolo de amor e sorte
As penas de pavão costumam ser vistas na cultura ocidental como sinal de mau agouro, associadas às crises de ciúme e às vinganças da deusa Hera na mitologia grega. Para Ruby Nox, porém, o significado é bem diferente. Campeã da segunda temporada de Drag Race Brasil, ela transformou o pássaro em amuleto de sorte --inspirada por uma tapeçaria com a figura do animal que observava desde criança na casa da avó.
Ruby não só escolheu um look inspirado no animal para receber a coroa como também para as suas fotos promocionais, que foram as primeiras a que o público teve acesso. O tema em questão era "aves do paraíso". "Poderia até ser um carcará ou outro pássaro que fosse mais representativo do sertão ou de Pernambuco. Mas o pavão está na minha história antes mesmo de eu fazer drag", explica a drag queen, em entrevista ao Notícias da TV.
"Eu até mostrei para o pessoal [durante o processo de confecção do figurino] um quadro que fica na casa da minha avó, uma tapeçaria, que é um pavão. Desde pequeno, eu sempre olhava e achava o máximo", acrescenta.
"Então, essa ave sempre teve uma relação comigo, com a minha carreira. E até ia levar o look da noite de coroação para ser o da final", conta ela, que venceu a coroa, o cetro e o prêmio de R$ 150 mil após superar Mellody Queen em uma dublagem de O Amor e o Poder, de Rosana.
O look foi criado pela própria artista em parceria com o designer Elysson Ferreira. "Ele chegou a me perguntar: 'O que a gente poderia tirar do seu croqui?'. E eu disse: 'Nem o pavão, nem o veludo'", brinca ela, que vai além:
Foi um fechamento de ciclo chegar até aqui com o pavão. Tenho certeza que, olhando a minha história, esse também não vai ser o último [momento] com ele. É o meu bicho da sorte, me traz muito axé, sabe? Tem muita simbologia.
Ruby venceu uma temporada bastante equilibrada, não só no número de broches --símbolo máximo da vitória em um desafio-- distribuídos, mas também por praticamente todas as participantes terem caído nas graças dos fãs (nem sempre tão fáceis assim de agradar na franquia).
Nunca achei que drag era algo para se fazer ou se celebrar sozinho, sabe? A minha vitória é compartilhada, não só para as meninas, mas para outros artistas que se sentem representados ou caminham comigo. Não sou a única protagonista. Fico muito, muito feliz com isso.
Ela agora quer usar o seu reinado para trazer à tona a valorização de artistas LGBTQIA+: "Eu acho extremamente importante, assim como resgatar quem veio antes da gente, relembrar a tradição das transformistas, das travestis que iniciaram toda essa jornada. Só olhando para o passado a gente vai conseguir construir um futuro melhor, principalmente para pessoas LGBTQIA+ num país como esse".
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