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LOSING IS THE NEW WINNING

Como Chanel venceu Drag Race Brasil mesmo sendo a primeira eliminada?

DIVULGAÇÃO/WOW PRESENTS PLUS

Drag queen posa confiante com look azul marinho e branco no palco colorido do Drag Race Brasil

Chanel com a versão drag do uniforme do Pedro 2º, tradicional colégio público do Rio de Janeiro

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 22/7/2025 - 16h00

Chanel precisou de apenas dois episódios de Drag Race Brasil para virar o exemplo perfeito de um dos lemas do reality show: o "losing is the new winning" (a derrota é a nova vitória, em tradução livre). Depois de ter arrebatado os jurados e quase ter vencido o primeiro broche da temporada, ela sofreu um revés e deixou o jogo no desafio seguinte --numa eliminação que fez o público até mesmo pedir uma repescagem nas redes sociais.

A jovem ganhou a atenção de fãs até de outros países com um look inspirado no MAC (Museu de Arte Contemporânea), de Niterói, uma das obras mais conhecidas de Oscar Niemeyer (1907-2012). "Nunca passou pela minha cabeça a possibilidade de ser a primeira eliminada da competição", explica ela, em entrevista exclusiva ao Notícias da TV.

"E não é num lugar de me achar muito, mas sempre tive convicção de que duraria muito na competição. Contava com a final, com certeza. Mas a gente nunca sabe como as coisas vão acontecer, né? Ainda mais que estive no top na estreia, era um caminho que parecia muito promissor, muito brilhante", lamenta a participante.

Chanel entra para uma lista das chamadas "porkchops", em referência a Victoria Porkchop Parker, que foi a primeira eliminada de toda a franquia. Ela virou um fenômeno entre os fãs e até já fez mais aparições na versão norte-americana do que muitas campeãs --assim como Vanessa Vanjie Mateo (S10) e, mais recentemente, Irene The Alien (S15).

"Eu estava no céu, estava me sentindo: 'Poxa, arrasei no primeiro episódio, promissora'. E aí do nada, bum, eliminada. Mas é a forma que o jogo funciona, né? São várias meninas, apenas uma coroa e, estatisticamente, as chances de se ganhar qualquer coisa nessa vida são baixíssimas. É basicamente uma loteria", analisa.

Papel de trouxa?

A maré virou contra Chanel quando a apresentadora Grag Queen anunciou que o segundo desafio seria fazer uma roupa inteiramente de papel. Ela imediatamente agarrou os rolos de papel higiênico, com os quais construiu um vestido de noiva.

"Quando anunciaram que era o desafio de costura, eu já imaginava que ganhar eu não ia. Então pensei: 'Bem, vai vir uma queda aí'. Mas eu estava imaginando, sei lá, construir a minha narrativa de heroína. Pegaram meu único ponto fraco", brinca.

Para piorar a situação, Chanel se viu entre as três piores do desafio ao lado de Melody Queen. Elas são as primeiras trans a competirem na franquia brasileira. "Por mais que sejamos todas drags ali, todas irmãs, tem algumas inseguranças, vivências que só outra travesti vai entender", pontua.

Tanto que uma das pessoas que mais sentiu a minha eliminação foi a Melody. Tínhamos esse pacto de irmos juntas para a final. Tanto que, se você reparar, tem um corte brusco em que do nada fico sem maquiagem. Foi justamente quando ela veio me dar um abraço e desabei de chorar. Eram duas irmãs que estavam ali para vencer juntas, sabe?

A própria escolha por costurar um vestido de noiva também partiu de sua vivência enquanto uma pessoa trans:

Eu não sei se as pessoas sacaram essa questão do casamento, porque é sobre isso. E também do medo do abandono, que relaciona com o que eu estava sentido na hora. É, sim, um paralelo que existe.

Uma nova Rugirl?

Chanel planeja continuar mostrando em suas redes sociais (@dragchanel) todos os looks que tinha planejado para a temporada. "Pode ter certeza que eles serão vistos em detalhes", adianta ela, que também tem uma resposta na ponta da língua sobre qual música gostaria de ter dublado no programa:

Brasil, da Gal Costa (1945-2022), ainda mais nesse momento em que a gente está assistindo ao remake de Vale Tudo. É uma música atemporal. Eu amaria dublar qualquer coisa da Karol Conká ou uma grande balada da MPB [Música Popular Brasileira]. Uma Alcione, sabe? Uma coisa loba.

Antes de deixar o jogo, a artista ainda fez menção ao fato de ser professora de inglês, o que chamou a atenção dos fãs. Afinal, até agora apenas uma participante brasileira participou de um dos formatos que misturam todas as franquias (Miranda Lebrão, no Global All Stars).

I'm always ready. I'm always ready [estou sempre pronta, em tradução livre]. Estou prontíssima para mostrar para as gringas como faz para botar a cobra para fumar (risos).

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