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Divulgação/TV Globo

Planeta Xuxa viraliza no X; programa deixa lição para as atrações do Entretenimento da Globo
Vários recortes do Planeta Xuxa (1997-2002) dominaram o X nas últimas semanas. Dois deles renderam virais: o de Gretchen performando o hit Freak Le Boom Boom e o do grupo SNZ, formado por Sarah Sheeva, Nãna Shara e Zabelê, filhas de Baby do Brasil e Pepeu Gomes, com Retrato Imaginário. O resgate de trechos do programa que Xuxa comandou nas tardes de sábado e de domingo dá um importante recado à Globo e, de certa maneira, também à indústria da música.
Entre os comentários acerca do Planeta Xuxa, vários internautas demonstraram surpresa com a "energia caótica" da atração. A apresentadora se diverte tanto quanto os convidados e a plateia. E o formato não é o único reverenciado por conta disso. Trechos do Domingão do Faustão (1989-2021) e do Domingo Legal com Gugu Liberato (1959-2019) também são frequentemente revisitados e associados à alegria.
Tais programas pertencem a um tempo em que entretenimento era sinônimo de diversão. O roteiro era um guia, não um limitador. A direção evitava o excesso de marcações. A edição não podava a espontaneidade. Não era necessário um "propósito" como acontece hoje, quando a maioria das atrações, especialmente as da Globo, tem um caminho definido. Roteiro, direção, edição e apresentação reforçam determinada proposta, comum a quase todos os atuais projetos da casa.
Patrícia Poeta, Marcos Mion e Eliana Michaelichen são os exemplos mais evidentes. Há uma preocupação do Encontro, do Caldeirão e do Em Família em contar histórias edificantes, sempre ligadas à família, à superação e à fé. Mesmo em quadros mais animados, os três ficam engessados, presos à narrativa pré-definida e à direção milimetricamente calculada. Há pouco espaço para o imprevisível.
Luciano Huck, quando transferido para os domingos, adotou estilo semelhante. Diante do insucesso, o Domingão foi se adaptando até que o entretenimento puro e simples tomasse a maior parte do programa.
Com enredos do tipo acima de qualquer outra ideia ou conteúdo, a Globo vê concorrentes voarem alto, com formatos mais simples, econômicos e que têm como único propósito entreter. No SBT, o Domingo Legal, hoje com Celso Portiolli, segue privilegiando a diversão; o Passa ou Repassa emplaca bons números apenas com convidados lambuzados com torta na cara. Na Record, o Acerte ou Caia!, conduzido por Tom Cavalcante, conquistou uma fatia considerável de audiência com um jogo direto de perguntas e respostas.
Antes de qualquer ajuste em suas atrações, especialmente nas que estão pontuando mal no Ibope, a Globo precisa entender que não é necessário dar "significado" à qualquer pauta ou levar tudo tão a sério. Quem senta diante da TV, independentemente do horário, pode estar buscando apenas distração. Histórias edificantes, quando exploradas à exaustão, só fazem entediar o público que, como nos tempos do Planeta Xuxa, apenas quer se divertir.
O recado também chega à indústria da música. É fato que o programa de Xuxa não cabe nos dias de hoje porque a diversidade musical do início do século 21 não existe mais. Poucos gêneros imperam nas plataformas de áudio e nas redes sociais. Porém, se duas músicas de outros tempos viralizam em um cenário todo montado para as composições de agora, concebidas justamente para emplacar nos charts, é sinal de que quem consome talvez esteja começando a se interessar por outros tipos de som.
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