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ANÁLISE
MANOELLA MELLO/TV GLOBO

Isabel Teixeira interpreta Pilar em Quem Ama Cuida; vilã parece criada para despertar só raiva
As novelas brasileiras aperfeiçoaram uma fórmula bastante eficiente: criar vilões capazes de provocar indignação e fascínio ao mesmo tempo. O público condena suas atitudes, mas se diverte com suas maldades e carisma. Pilar (Isabel Teixeira), de Quem Ama Cuida, parece ter sido construída justamente para romper com essa lógica. Não dá para amar odiá-la --ao menos, por enquanto.
Até aqui, a víbora não oferece nenhuma porta de entrada para a empatia. Sua personalidade é movida por ganância, ressentimento e necessidade de controle. A madame falida não apenas deseja riqueza. Ela enxerga o dinheiro como medida de valor humano.
Para Pilar, as pessoas são úteis ou descartáveis de acordo com o que podem lhe oferecer. Essa é uma visão de mundo tão extrema que acaba contaminando todas as suas relações. Nem mesmo a própria filha escapa.
Em muitas novelas, os filhos funcionam como o último reduto de humanidade dos antagonistas. Com Pilar, acontece o contrário. Sua relação com Brigitte (Tata Werneck) serve para evidenciar sua incapacidade de amar de forma genuína. Em vez de acolhimento, há desprezo, cobrança e julgamento.
É justamente aí que a novela encontra um de seus contrapontos mais interessantes. Enquanto Pilar representa o egoísmo absoluto, Brigitte surge como um espelho invertido da mãe. Mesmo presa, nesta primeira fase, a uma dinâmica de dependência afetiva masculina, a personagem de Tata Werneck tem funcionado como alguém que expõe as crueldades da vilã.
Por isso, é difícil acreditar que Brigitte permanecerá apenas como um alívio cômico ou como uma mulher orbitando relacionamentos amorosos como se fosse um carrapato. A personagem tem potencial para crescer bastante e se transformar em uma das principais forças de oposição à mãe.
Outro elemento importante é que Pilar não tem o charme normalmente associado às vilãs populares. Ela não é sofisticada na aparência. É cafona no visual e em sua obsessão por superioridade social. Essa construção faz com que suas cenas nunca sejam divertidas.
Ela não apresenta a loucura sem freio de Carminha (Adriana Esteves), de Avenida Brasil (2012); o humor corrosivo de Félix (Mateus Solano), de Amor à Vida (2013); ou mesmo o charme de Arminda (Grazi Massafera), de Três Graças, novela antecessora de Quem Ama Cuida.
Pilar ocupa outra categoria. Ela se aproxima mais de personagens como Sophia, interpretada por Marieta Severo em O Outro Lado do Paraíso (2017). Uma vilã construída para causar repulsa permanentemente.
Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Quem Ama Cuida
Escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Quem Ama Cuida é ambientada em São Paulo e conta com direção artística de Amora Mautner. A novela está prevista para ficar no ar até janeiro de 2027.
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