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Victor Sparapane engata 3ª novela vertical e vira 'rosto' do formato: 'Foi sem planejar'

DIVULGAÇÃO

Victor Sparapane usa uma camisa marrom e coloca a mão direita no rosto; ele está com expressão séria e a cabeça levemente inclinada

Victor Sparapane em foto de divulgação: ator tem protagonizado novelas verticais brasileiras

DÉBORA LIMA

debora@noticiasdatv.com

Publicado em 12/9/2026 - 14h00

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Depois do sucesso de A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário (2025), considerada a primeira novela vertical brasileira, Victor Sparapane já protagonizou outras duas produções no mesmo estilo --Icônica: De Faxineira à Fashionista (2026) e A Herdeira que Bloqueou o Marido (2026). O ator analisa o impacto do formato no país e responde se virou "o rosto" dos dramas feitos para consumo rápido no celular.

"Se virei, foi sem planejar", resume ele em entrevista ao Notícias da TV. O artista voltou ao posto de galã depois que a novela curta viralizou nas redes sociais no ano passado, chamando a atenção principalmente pela química com Jessika Alves --com quem já havia contracenado na bíblica Reis.

"Terminei de gravar Reis e comecei A Vida Secreta no mesmo dia. A gente já vinha de meses interpretando um casal, então eu e a Jessika chegamos com uma escuta pronta, com uma confiança que não começa quando alguém diz 'ação'", explica.

"O que o público chama de química eu não sei nomear, e desconfio que não caiba ao ator nomear. Você pode ter a melhor câmera, a melhor fotografia, todos os recursos técnicos, e ainda existe alguma coisa que não se fabrica. O mesmo papel, nas mãos de outro ator, nunca chega exatamente ao mesmo lugar. Por que o público acredita mais em uma relação do que em outra? É difícil colocar isso numa planilha", completa.

Sparapane e Jessika acabaram virando os pioneiros das novelas verticais no Brasil, com uma das tramas que mais viralizou até hoje. "Tive a sorte de estar muito cedo nesse movimento e de protagonizar uma produção que teve impacto não só nacional, mas internacional", valoriza o ator.

E o Sebastião não desgrudou. Mesmo depois de outros trabalhos, ele continua aparecendo. Se isso associou meu rosto a esse primeiro grande movimento do audiovisual vertical brasileiro, fico feliz. Mas prefiro enxergar como consequência de um encontro que funcionou.

Jeitinho brasileiro

O intérprete ainda comenta o ganho que o novo formato trouxe para o mercado audiovisual, com outras empresas investindo na produção de dramas curtos para o celular. "Mais produções significam mais atores trabalhando, mais técnicos, diretores, roteiristas e produtores... Isso é muito positivo. Mas quantidade e qualidade não são necessariamente sinônimos", alerta.

"Estamos importando um modelo de negócio que nasceu e foi testado em outros mercados. O modelo de negócio pode ser importado. A cultura, não. Se quisermos que o audiovisual vertical brasileiro amadureça, precisamos descobrir qual é a nossa maneira de fazer isso, em vez de simplesmente reproduzir uma fórmula que funcionou em outro país", pontua.

Sparapane acredita que é necessária uma união entre técnica e artístico para que tudo funcione melhor. "Isso exige tempo, exige encontro entre equipe e elenco. Eles precisam coexistir. Quando o objetivo vira apenas volume, alguma coisa se perde", opina.

O intérprete ainda rejeita a maneira como algumas empresas têm se referido ao formato: "Tem também uma questão que parece pequena, mas para mim não é: a palavra. Enquanto a gente chamar de 'novelinha', já está diminuindo aquilo antes mesmo de fazer. A palavra cria realidade. Se você apequena o objeto na maneira de nomeá-lo, fica muito difícil depois cobrar grandeza na execução. Eu prefiro chamar de audiovisual vertical".

A transformação comportamental é outro ponto que o ator aborda na conversa. "Estamos produzindo para uma sociedade do scrolling, da retenção, dos algoritmos, da disputa permanente pela atenção. O risco é construir dramaturgia exclusivamente a partir dos mecanismos usados para capturar essa atenção", diz.

Compreender o comportamento contemporâneo é necessário. O problema é deixar que ele determine inteiramente a criação. O desafio está aí: usar a tecnologia e entender o mercado sem permitir que a lógica da retenção substitua a lógica da narrativa.

REPRODUÇÃO/REELSHORT

Victor Sparapane com expressão séria

Sparapane em A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário

Sebastião e Patrick

Apesar de seu trabalho vertical mais recente ser A Herdeira Que Bloqueou o Marido, no qual vive Patrick Ribeiro, Victor Sparapane ainda sente o impacto do primeiro protagonista que fez no formato.

"O Sebastião ainda chega primeiro em muita abordagem, e tudo bem. Tenho muito carinho por isso. Mas A Herdeira me deu um presente que eu não esperava. Os textos vieram de adaptação de outra língua e, na tradução, apareceu o mesmo nome. Em A Vida Secreta, o nome verdadeiro do Sebastião era Benjamin Montenegro. Em A Herdeira, a personagem é filha do duque Benjamin Montenegro", conta.

"Provavelmente, não foi intenção de ninguém. Mas, quando eu vi aquilo, foi marcante. Como é que eu ignoro? Ator trabalha com o que aparece. Então, entrei enxergando assim: como se essa filha estivesse vivendo, do lado dela, a história do pai. Em A Vida Secreta, o Sebastião escondia quem realmente era. Em A Herdeira, o arquétipo da identidade escondida volta deslocado: agora é ela quem esconde do marido sua verdadeira condição financeira", imagina.

Apesar da coincidência dos nomes, o ator não quis repetir os trejeitos de Sebastião no novo personagem. "Isso me deu um lugar de onde jogar. E quem assistir com esse olhar vai encontrar os ecos. O interessante era expandir aquele universo por outro ângulo."

O galã ainda falou sobre a possibilidade de uma continuação de A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário, ainda muito pedida pelas fãs nas redes:

Sobre existir uma chance concreta, eu não tenho como afirmar. Mas topar voltar, toparia. Só precisaria entender para quê. Não me interessa retornar ao Sebastião apenas para repetir aquilo que já funcionou. Se existe uma nova história, uma nova circunstância, alguma coisa ainda não revelada daquele personagem, aí a conversa muda.

"Ao mesmo tempo, gosto de brincar com a ideia de que A Herdeira Que Bloqueou o Marido já é uma espécie de continuação possível, só que comigo em outro papel. Entrei no projeto também com esse olhar", completa.

Ele valoriza o conjunto das produções: "Acho importante lembrar que o sucesso de uma obra nunca vem de uma coisa só. Existe elenco, história, direção, produção, o momento em que aquilo chega ao público e a maneira como é divulgado. Às vezes nos esquecemos disso. Você pode ter um ótimo projeto, mas ele também precisa encontrar o público. Marketing tem um poder enorme de direcionar atenção".

"Por isso, não fico tentando reproduzir a fórmula que deu certo. Depois do Sebastião, meu desejo foi continuar experimentando e levar para outros projetos aquilo que aprendi ali", afirma.

Globo x ReelShort

Victor Sparapane também protagonizou Icônica: De Faxineira à Fashionista, dessa vez produzida para o Globoplay. O ator comenta a repercussão de seus trabalhos no streaming da Globo e na plataforma ReelShort.

"A Vida Secreta teve uma explosão muito particular e inaugurou muita coisa para mim, então seria artificial fingir que os trabalhos chegaram ao público exatamente da mesma maneira. Cada projeto encontra seu momento, sua plataforma e seu público", reflete.

"Mas, como experiência de atuação, a diferença não está simplesmente em ser Globo ou ReelShort. Vai existir diferença mesmo que você faça dois projetos dentro da mesma casa. Mudou a equipe, mudaram as pessoas, mudou você. Gosto daquela ideia de que ninguém entra duas vezes no mesmo rio, porque nem o rio nem a pessoa são mais os mesmos", ressalta.

O artista explica que houve um encontro de repertórios em Icônica: De Faxineira à Fashionista. "A Globo entra no audiovisual vertical trazendo décadas de dramaturgia, estrutura e uma enorme capacidade de legitimação desse formato no mercado brasileiro. E eu cheguei trazendo a experiência que tinha construído em A Vida Secreta. De alguma maneira, o sucesso do Sebastião fez com que eu também chegasse ali carregando uma experiência concreta com essa linguagem", comenta.

"E existe uma coisa que fui aprendendo como ator nesses processos rápidos: você precisa saber onde colocar sua energia. Minha regra virou quase esta: fazer três cenas muito boas, nenhuma cena ruim e escolher bem as suas guerras. Você não controla tudo num set. Mas precisa saber o que não pode deixar escapar", arremata.


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