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CULTURA WOKE

Vale Lacre: Como Vale Tudo virou piada na web por excesso de tabus quebrados

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

O ator Humberto Carrão com expressão séria em cena de Vale Tudo

Afonso (Humberto Carrão) em cena de Vale Tudo; mocinho lacrou sobre redução de emissões de carbono

FERNANDA LOPES

fernanda@noticiasdatv.com

Publicado em 19/7/2025 - 21h00

O remake de Vale Tudo tem tido algumas modificações em relação à versão original da novela, de 1988. O texto atual tem colocado nas bocas dos personagens uma série de comentários sobre a sociedade, pelo viés do politicamente correto, do progressismo, da sustentabilidade. Mas, nas redes sociais, este posicionamento da autora e, consequentemente, da novela, tem virado piada: Vale Tudo está sendo chamada de Vale Lacre, por causa das "lacrações" na trama.

A primeira versão da novela já tinha se destacado por comentários e críticas dos personagens sobre a sociedade, como quando Odete, interpretada por Beatriz Segall (1926-2018), dizia que no Brasil só se falava em crise e que o país era uma mistura de raças que não deu certo.

Na atual versão, comentários odiosos e profundamente preconceituosos têm sido mais raros. No lugar, a autora Manuela Dias inclui aquelas críticas sociais que viram polêmica facilmente nas redes sociais, que inflamam parte das pessoas, mas muitas vezes não chegam a se tornar discussões sérias, que abrangem a sociedade, o país como um todo. São os famigerados "lacres".

Um exemplo: nesta semana Marco Aurélio (Alexandre Nero) surtou porque Tiago (Pedro Waddington) resolveu usar saia. Ele deixou claro ao filho que é contra isso, e o rapaz se enfureceu.

"Eu não acreditando no que eu ouvindo. Aliás, eu não acredito que você possa ser tão grosseiro. Você só pode ter algum problema grave, pai. Porque isso não é normal", disse o jovem. "Ah, não. Normal é um homem andar de saia por aí!", rebateu o pai.

Leila (Carolina Dieckmann) comentou que Marco Aurélio reagiu com "conservadorismo tóxico", mas o executivo não mudou de ideia e se recusou a aceitar este detalhe da liberdade de expressão do filho.

Esse tipo de pauta de costumes é algo ainda muito nichado, que reverbera com grupos menores, em relação ao tanto de gente que assiste à novela das nove todos os dias. Não que não seja importante, mas é um problema menor em perspectiva aos grandes problemas socioeconômicos do país.

Também virou piada nas redes sociais a preocupação dos membros mais jovens da família Roitman --Tiago, Afonso (Humberto Carrão) e Heleninha (Paolla Oliveira)-- sobre as emissões de carbono de aviões.

Afonso chegou a declarar para Odete (Debora Bloch) que queria trabalhar para diminuir as emissões de carbono da TCA, tornar a empresa de aviação mais sustentável. A vilã debochou do filho, declarando que ninguém se importava verdadeiramente com isso.

Já Heleninha e Tiago tiveram uma conversa sobre como são contra o uso de jatinhos, de ricos ficarem voando em aviões particulares enquanto o mundo está em colapso. Bilionários conscientes.

Solange (Alice Wegmann) também foi apontada como lacradora por seu passado como black bloc e por seu discurso para Odete no qual afirmou: "Eu sou resistência". Por seus posicionamentos, ela virou piada nas redes, com o apelido "PSOLange", relacionado ao partido de esquerda PSOL.

reprodução/x

Manuela Dias e a personagem Solange viraram meme nas redes sociais

A própria Odete entrou no bonde da lacração: a vilã, que deveria dizer as coisas mais absurdas, foi politicamente correta ao chamar a filha de alcoolista, e não de bêbada ou algo pejorativo do gênero.

O problema maior não é o fato de essas lacrações existirem, mas sim o peso que ganham na trama. Passa-se uma semana falando sobre bebês reborn, mas não se fala sobre o preço dos alimentos, sobre crises institucionais, econômicas e sociais, sobre a polarização política, sobre violência urbana.

Como pontuou o colunista Maurício Stycer, o conflito de classes existe, mas é suavizado na trama, como se não fosse um problema real. De certa maneira, com as lacrações e os tabus quebrados, o remake de Vale Tudo reflete um tanto da visão deturpada do brasileiro sobre suas próprias questões.

Nas últimas eleições (municipais, estaduais e nacionais), pautas de costumes --como banheiro unissex, por exemplo-- muitas vezes se tornaram mais comentadas, mais problematizadas do que pautas econômicas e sociais que fazem parte do dia a dia do povo de fato.

A novela parece olhar e digerir questões sociais, raciais e de gênero, mas exibe isso de maneira rápida, solta, muitas vezes sem aprofundamento. Como um tuíte lacrativo.

Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Vale Tudo.

Vale Tudo foi exibida em 1988 e é um dos grandes sucessos da teledramaturgia brasileira. O remake da novela celebra os 60 anos da Globo. A autora Manuela Dias está responsável pela atualização da trama, e Paulo Silvestrini assina a direção artística.


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