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ABSOLUTE NOVELÃO
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Sophie Charlotte como a protagonista Gerluce: heroína imperfeita é um dos acertos de Três Graças
Três Graças entra na sua reta final com um balanço incômodo para a Globo: a emissora errou feio ao transformar o remake de Vale Tudo (2025) na peça central da comemoração dos seus 60 anos. Mais do que uma comparação direta entre as novelas, o resultado do atual folhetim das 21h prova que apostar no inédito foi um grande acerto.
Ao mesmo tempo, a obra funciona como resposta indireta à decisão da Globo de demitir Aguinaldo Silva em 2020, após o fracasso de O Sétimo Guardião (2018). Seu retorno à emissora com Três Graças não só reposiciona o autor como reafirma o valor da experiência na condução de narrativas populares. Há domínio de estrutura, personagens fortes e senso de espetáculo.
Se, por um lado, Vale Tudo chegou cercada de expectativa e terminou marcada por críticas à adaptação conduzida por Manuela Dias, por outro, Três Graças avançou justamente por fazer o caminho oposto. A novela não depende de memória afetiva nem de comparações inevitáveis com versões anteriores. Ela se sustenta aqui e agora.
A Globo vinha de uma sequência de remakes ambiciosos, como Pantanal (2022) e Renascer (2024). O primeiro foi um fenômeno, mas com contexto específico: tratava-se de uma obra exibida pela Manchete (1983-1999).
Pantanal foi relançada com padrão técnico elevado e em um momento de retomada pós-pandemia, quando havia demanda reprimida por dramaturgia inédita. Já Renascer e, principalmente, Vale Tudo enfrentaram outro cenário: o da saturação.
Ambientada em São Paulo, com ritmo urbano e linguagem atual, Três Graças acerta ao retratar o cotidiano das pessoas sem filtros idealizados. A protagonista --uma mulher que decide agir à margem da lei para combater um esquema de corrupção e falsificação de medicamentos-- sintetiza um tipo de heroína contemporânea: imperfeita, prática e movida por senso de justiça.
Ela rouba dos vilões para ajudar quem precisa, assumindo um papel quase de Robin Hood moderno, o que amplia a identificação popular e reforça o caráter provocador da trama.
No campo afetivo, a trama também faz história. O romance entre Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky) rompeu a bolha da representatividade e virou fenômeno de engajamento. As duas não só conquistaram o público como passaram a ser mais shippadas do que o casal central, formado por Gerluce (Sophie Charlotte) e Paulinho (Romulo Estrela).
A repercussão foi tamanha que o casal homoafetivo ganhou um spin-off em formato vertical, ampliando sua história em outras plataformas. Além disso, as cenas de intimidade entre as personagens avançaram limites nunca vistos na TV aberta brasileira, com abordagem naturalizada e sem o tom de exceção que historicamente marcava casais LGBTQIA+ nas novelas.
Outro acerto está no roteiro, que incorpora o vocabulário das redes sociais, o ritmo acelerado das interações digitais e conflitos que nascem de dilemas reais, como desigualdade e acesso à saúde. Não há distanciamento entre ficção e realidade.
Há ainda um dado concreto que reforça o acerto: Três Graças levou o troféu de melhor novela no prêmio Melhores do Ano. O reconhecimento popular, dentro da própria Globo, funciona como termômetro claro do impacto da obra. O folhetim faz sucesso porque se arrisca, atualiza a linguagem do gênero, cria fenômenos e também entende o público do seu tempo.
Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Três Graças
Três Graças é uma novela criada por Aguinaldo Silva em parceria com Virgílio Silva e Zé Dassilva. A história é ambientada em São Paulo e ficará no ar até maio de 2026.
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Resumo de Três Graças: Capítulos da novela das nove da Globo - 13 a 16/5
Quarta, 13/5 (Capítulo 177)
Samira e Lucélia entram em confronto, e Ferette intervém. Helga se sente humilhada por Arminda e decide mudar seu depoimento sobre as mortes de Célio e Edilberto. Arminda se esconde no ferro-velho.
Jairo comunica a Paulinho ... Continue lendo
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