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OPINIÃO

Última semana: Por que Rainha da Sucata não deu certo no Vale a Pena Ver de Novo?

Divulgação/TV Globo

Mulher branca, de cabelos pretos, usando brincos dourados, batom vermelho e vestido dourado.

Regina Duarte como Maria do Carmo em Rainha da Sucata; novela derrubou o Vale a Pena Ver de Novo

DUH SECCO, colunista

duh@noticiasdatv.com

Publicado em 29/3/2026 - 12h00

A reprise de Rainha da Sucata (1990) chega ao fim na próxima sexta-feira (3) sem empolgar. Escalada para o Vale a Pena Ver de Novo em meio às comemorações dos 60 anos da Globo, na sequência de duas produções também antigas --Tieta (1989) e A Viagem (1994)--, a novela de Silvio de Abreu decepcionou no quesito audiência.

A trama acumula, considerando os capítulos exibidos até a última quinta (26), 12,9 pontos de média na Grande São Paulo, o pior desempenho desde os 12,4 de Cobras & Lagartos (2006), reapresentada em 2014. Tieta chegou ao fim com 15,8 pontos; A Viagem emplacou 16,8. O repeteco não perdeu a liderança em nenhum momento, mas afetou o horário nobre com a entrega em baixa.

É difícil explicar por que Rainha da Sucata não deu certo nesta segunda passagem pelo Vale a Pena Ver de Novo --a anterior havia sido em 1994. À primeira vista, a obra tem os mesmos "ativos nostálgicos" que cativaram o público nas duas reprises que a antecederam: título conhecido, elenco formado por medalhões, cenas inesquecíveis, trilhas sonoras marcantes... Mas nada disso funcionou.

A princípio, a mudança de tom, de A Viagem para Rainha da Sucata, pode ter assustado o público. O melodrama sobrenatural criado por Ivani Ribeiro (1922-1995) deu lugar à comédia desenvolvida por Silvio de Abreu. As primeiras semanas da trama envolviam até mesmo a protagonista Maria do Carmo (Regina Duarte) em situações cômicas.

Cabe lembrar que o "desacerto" na maneira de apresentar o enredo também prejudicou a obra na exibição original. Daniel Filho, na época diretor da Central Globo de Produção e intérprete de Renato Maia, mencionou em seu livro O Circo Eletrônico: "A mistura de gêneros tumultuou o início da novela. Onde terminava a comédia e iniciava o drama? O público reagiu, no início, com audiência abaixo do desejável".

Ofuscada também pela boa repercussão da primeira versão de Pantanal (1990), na Manchete, Rainha da Sucata enveredou pelo dramalhão. Assim como na transmissão às 20h, os índices da reapresentação no Vale a Pena Ver de Novo ganharam impulso nas semanas em que Maria do Carmo perdeu todo o seu patrimônio e os pombinhos Alaíde (Patricia Pillar) e Rafael (Mauricio Mattar) foram induzidos a acreditar que eram irmãos.

Assim, os núcleos associados ao humor foram os mais afetados pela edição. Fato é que as situações repetitivas envolvendo a bailarina da coxa grossa Adriana (Claudia Raia), o professor Caio (Antonio Fagundes) e a "purgante" Nicinha (Marisa Orth), durante um longo período, nada agregaram à narrativa. O mesmo vale para Ingrid (Andrea Beltrão) e seu envolvimento com "as filhinhas" de dona Armênia (Aracy Balabanian, 1940-2023).

Tradicionalmente, o público do Vale a Pena Ver de Novo não aprecia "esquetes cômicos", comuns a humorísticos e às tramas das sete, durante muito tempo --não à toa, títulos das seis e das oito/nove formam maioria na sessão. O humor "maledicente" da regionalista Tieta funcionou melhor na faixa.

Outro senão: Maria do Carmo passa boa parte da trama buscando a validação de um homem, Edu (Tony Ramos), e de uma sociedade que a despreza. Embora empoderada, ela se curva a situações desagradáveis na tentativa de ser aceita, um comportamento que quase não encontra ecos na sociedade de hoje. Tieta (Betty Faria) e Diná (Christiane Torloni), de A Viagem, eram mais atuais neste sentido, o que implica em maior afinidade com o público.

Ainda há problemas de ordem técnica: a imagem de Rainha da Sucata, por vezes, parece inferior a obras produzidas antes dela. Até mesmo no Globoplay, que disponibilizou o título em seu formato original, sem o zoom que adapta gravações em 4:3 para telas maiores.

A escolha de Rainha da Sucata foi feliz por tirar o Vale a Pena Ver de Novo do óbvio --a substituta Avenida Brasil (2012) já foi revisitada várias vezes, na própria sessão, em resumos no Vídeo Show e a todo tempo nas redes sociais. Lamentavelmente, a sucateira não funcionou, o que mostra que nem tudo o que foi feito no passado cabe nos dias de hoje.


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