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VILEO E LOQUINHA

Última semana de Três Graças mostra que casais secundários importam, sim

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Pedro Novaes, Gabriela Loran, Gabriela Medvedosvki e Alanis Guillen em cena de casamento em Três Graças

Casamento coletivo deu início à última semana da novela Três Graças na Globo

IVES FERRO

ives@noticiasdatv.com

Publicado em 15/5/2026 - 17h00

Em Três Graças, a Globo conseguiu algo em que vinha escorregando nos últimos anos: fazer personagens LGBTQIA+ importarem para a trama para além do rótulo da representatividade. Foi isso que aconteceu com Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky) e com Viviane (Gabriela Loran) e Leonardo (Pedro Novaes). Ao longo de sete meses, os dois romances foram construídos com progressão, obstáculos, afeto e recompensa emocional. E isso fez diferença.

O acerto da novela esteve na medida. Nem Lorena e Juquinha, nem Viviane e Leonardo foram tratados como vitrine de discurso ou como casal escalado apenas para cumprir agenda. Houve desenvolvimento e química entre os atores, e trama que casou com outros núcleos da história. Três Graças conseguiu manter os dois romances vivos sem saturar o público ou reduzir os personagens a uma função lateral dentro da história.

No caso de Lorena e Juquinha, o resultado foi ainda mais visível. O casal lésbico cresceu de maneira orgânica na novela e virou um dos núcleos de maior repercussão da trama.

Com a boa aceitação, a Globo ainda transformou as duas em protagonistas de Loquinha, uma novelinha vertical derivada de Três Graças, centrada apenas no cotidiano, nos dilemas e na vida amorosa das personagens.

A própria repercussão inicial do projeto mostrou que havia demanda do público por mais espaço para a história delas. A novelinha da Globo, disponível nas redes sociais da emissora, ultrapassou 100 milhões de visualizações em 36 horas, número raro para um produto derivado.

Viviane e Leonardo, por sua vez, ocuparam um lugar diferente, mas também importante. A novela apostou no romance entre um homem cisgênero e uma mulher trans como uma história amorosa central de novela das nove, com obstáculos, preconceito, amadurecimento e desfecho afetivo.

Na reta final, o casal ganhou até um casamento ao lado de Lorena e Juquinha. Em entrevista à Globo, Gabriela Loran definiu esse fechamento como "histórico" e falou em ressignificar estereótipos. A atriz pontuou que a novela não tratou Viviane como exceção exótica, mas sim como protagonista de uma história amorosa de fato.

Comparado ao que aconteceu em novelas recentes, Três Graças foi um avanço e tanto com relação ao destaque nas tramas secundárias. Em Mania de Você (2024), a relação entre Fátima (Mariana Santos) e Diana (Vanessa Bueno) chegou a mobilizar parte do público, mas a novela recuou. Houve até abaixo-assinado pedindo que a amizade das duas virasse romance, mas a trama não comprou a ideia com convicção.

Já em Vale Tudo (2025), Cecília (Maeve Jinkings) e Laís (Lorena Lima) também não conseguiram mobilizar a novela com o mesmo impacto. O que houve foi falta de investimento dramático suficiente para transformar o casal em motor de repercussão. Até as atrizes reclamaram.

Três Graças chega ao último capítulo com um saldo positivo na construção dos casais secundários. Filhos de Ferette (Murilo Benício), Leonardo e Lorena  ainda serviram para aflorar a vilania do parceiro de Arminda (Grazi Massafera). É um ponto que a Globo deveria se atentar em suas próximas novelas.

Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Três Graças

Três Graças é uma novela criada por Aguinaldo Silva em parceria com Virgílio Silva e Zé Dassilva. A história é ambientada em São Paulo e terminará nesta sexta-feira (15). A trama será substituída por Quem Ama Cuida, de autoria de Walcyr Carrasco e Claudia Souto.


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