NOVELA VERTICAL

Ricardo Pereira escancara tabu de violência silenciosa com vilão no Globoplay

MANOELLA MELLO/TV GLOBO

Ricardo Pereira em Coração Acelerado, posando em frente a uma árvore, usando uma camisa marrom

Ricardo Pereira em Coração Acelerado; ator será um marido manipulador e abusivo em microdrama

Fonte Preferencial

Ricardo Pereira interpreta um homem capaz de transformar o próprio lar em um ambiente de medo em Eu Não Era Louca, Era Casada, nova novela vertical do Globoplay. No suspense psicológico, o ator interpreta Vitor, um marido manipulador que controla a mulher, interpretada por Fernanda Rodrigues, e a faz questionar a própria sanidade. Para ele, o maior terror da história está justamente na proximidade desse tipo de violência com a realidade.

  • Entenda a notícia:
  • Vilão psicológico: Ricardo Pereira vive um marido abusivo e manipulador no suspense vertical Eu Não Era Louca, Era Casada.
  • Abordagem realista: O ator evitou caricaturas para expor o perigo silencioso do abuso doméstico em um personagem comum e sedutor.
  • Estreia vertical: Pereira estreou no formato de celular buscando provocar reflexões sobre saúde mental e relacionamentos abusivos.

Em entrevista ao Notícias da TV, Pereira explica que aceitou o projeto por enxergar na trama uma oportunidade de abordar um tema que costuma passar despercebido. "O que mais me chamou a atenção foi justamente o fato de a história tratar de um tipo de violência que muitas vezes acontece de forma silenciosa. Isso foi a base para a construção deste personagem, o que me interessou como ator", afirma.

Segundo o artista, Vitor não é construído como um vilão tradicional. Ao contrário, sua aparência de homem bem-sucedido e carismático torna o comportamento agressivo ainda mais inquietante.

"O Vitor é um homem aparentemente encantador, bem-sucedido, alguém que conquista a confiança das pessoas. Mas, por trás dessa imagem, existe um comportamento extremamente controlador e manipulador. Interpretá-lo foi um exercício de contenção, porque o mais assustador nesse tipo de personagem é justamente o fato de ele parecer absolutamente comum", diz.

Ele conta que fez questão de entender as raízes do problema para evitar caricaturas na interpretação. "A minha preocupação foi não julgá-lo. Sempre acredito que o ator precisa compreender o personagem, e não condená-lo. Esse distanciamento é muito salutar. O Vitor não acorda pensando que é um vilão. Ele acredita que está no controle da situação e usa a inteligência, o carisma e a sedução como ferramentas de poder", explica.

Na avaliação do ator, a produção pode ser um sucesso justamente por tocar em temas mais sensíveis. "Hoje falamos mais sobre saúde mental, relacionamentos abusivos e violência psicológica, temas que durante muito tempo ficaram escondidos, desconhecidos e ignorados. O público se reconhece nessas situações, ou reconhece alguém próximo", analisa.

Foi justamente essa percepção que inspirou a frase que resume a essência da novela. "Acho que o suspense psicológico provoca justamente porque mostra que o perigo nem sempre está no desconhecido; muitas vezes, está dentro de casa", destaca ele.

Além da temática, o ator também celebra a oportunidade de estrear em um formato que começou a ser explorado de forma recente no Brasil. Ele afirma que atuar em uma novela pensada para o consumo pelo celular é diferente, mas que não se pode abrir mão da verdade em cena.

"O ritmo é diferente, a narrativa é mais objetiva, e cada cena precisa ter muita força para prender a atenção rapidamente. Mas, do ponto de vista da atuação, a verdade continua sendo o mais importante. Mudam a linguagem e o formato, mas a construção emocional do personagem continua exigindo o mesmo compromisso", avalia.

Ricardo Pereira acredita que as novelas verticais não vão substituir os formatos tradicionais, mas que elas ampliam as possibilidades do audiovisual. Ao falar sobre o impacto que espera causar com Eu Não Era Louca, Era Casada, ele diz que o principal objetivo é provocar reflexão.

"Muitas pessoas vivem relações abusivas sem perceber os sinais, porque a violência nem sempre deixa marcas visíveis. E, muitas vezes, ela começa de forma sorrateira. Se a novela conseguir provocar conversas sobre manipulação emocional, autoestima e a importância de pedir ajuda, ela já terá cumprido um papel muito importante, além de entreter", finaliza.

A novelinha Eu Não Era Louca, Era Casada deve chegar ao Globoplay ainda em 2026, mas não teve a estreia divulgada --ela está prevista para dezembro.


Mais lidas


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.