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MAIS PAULISTANA

Quem Ama Cuida corrige erro da Globo que gerou críticas no início de Três Graças

MANOELLA MELLO/TV GLOBO

Leticia Colin e Chay Suede posam caracterizados como os personagens Adriana e Pedro da novela Quem Ama Cuida

Leticia Colin e Chay Suede encabeçam elenco da nova novela das nove da Globo, Quem Ama Cuida

MÁRCIA PEREIRA, colunista

marcia@noticiasdatv.com

Publicado em 20/5/2026 - 6h10

A estreia de Quem Ama Cuida veio acompanhada de uma correção silenciosa, mas significativa, da Globo. Após as críticas ao sotaque paulistano artificial de Três Graças, a nova novela das nove aposta em um elenco central muito mais ligado a São Paulo --seja por origem, trajetória ou vivência profissional.

O contraste é inevitável, já que a trama anterior começou sob forte estranhamento por causa da maneira como alguns personagens falavam. Gerluce (Sophie Charlotte) e Ferette (Murilo Benício), dois pilares da saga, surgiram com um "paulistês" carregado, marcado por um "r" forçado que chamou mais a atenção do que deveria.

A tentativa de ambientar a história em São Paulo acabou, naquele primeiro momento, virando ruído. O problema não estava na proposta em si. Era legítimo que a novela buscasse uma identidade sonora para seus personagens. O incômodo veio da execução.

O sotaque soou estudado demais, pouco orgânico, como se os atores estivessem mais preocupados em marcar a pronúncia do que em deixar a fala fluir naturalmente dentro das cenas. Alguns personagens pareciam até ser do interior do Estado, onde o "r" é mais puxado.

Com o avanço dos capítulos, Três Graças superou esse ruído inicial e se consolidou por outros méritos: vilões fortes, melodrama eficiente, direção segura e personagens populares.

Só que o episódio deixou uma lição clara. Em uma novela diária, sotaque não pode parecer exercício de laboratório. Quando a marca regional vira distração, ela prejudica a entrada do público na história.

É justamente nesse ponto que Quem Ama Cuida parece partir de uma decisão mais acertada. A nova trama escalou para posições centrais atores que têm relação direta com São Paulo.

Leticia Colin, intérprete da mocinha Adriana, é de Santo André, na Grande São Paulo. Antonio Fagundes, que vive Arthur Brandão, tem trajetória profundamente associada ao teatro paulista. Isabel Teixeira, a vilã Pilar, também é cria desse ambiente artístico paulistano.

A lista não para aí. Chay Suede, mocinho da história, mora em São Paulo há anos. Dan Stulbach, intérprete de Ademir, nasceu na capital paulista e vive na cidade até hoje. Mariana Ximenes, a Eudora, também é paulistana. Ou seja, a produção não depende apenas de treinamento vocal para construir uma ambientação. Ela parte de intérpretes que já carregam, de formas diferentes, uma familiaridade real com a metrópole.

Isso não significa que apenas atores paulistas possam interpretar personagens paulistanos. Novela é ficção, e bons atores podem construir sotaques, gestos e códigos regionais com competência. O ponto é outro: quando uma trama se ancora fortemente em uma cidade, a naturalidade da fala pesa muito.

Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Quem Ama Cuida

Escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Quem Ama Cuida é ambientada em São Paulo e conta com direção artística de Amora Mautner.


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