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Em Família, 100 | Balanço

Protagonistas imorais afastam a classe C, dizem especialistas

Paulo Belote/TV Globo

Gabriel Braga Nunes (Laerte) e Bruna Marquezine (Luiza) em cena de Em Família, da Globo - Paulo Belote/TV Globo

Gabriel Braga Nunes (Laerte) e Bruna Marquezine (Luiza) em cena de Em Família, da Globo

MÁRCIA PEREIRA

Publicado em 28/5/2014 - 20h10
Atualizado em 29/5/2014 - 6h36

A novela Em Família, da Globo, não representa a sociedade contemporânea. Ignora as classes populares, os pobres são estereotipados e falta moralidade aos protagonistas. Esses são os principais problemas da trama de Manoel Carlos, de acordo com dois estudiosos. O folhetim chega ao centésimo capítulo hoje (29) com a pior audiência de uma novela das nove, abaixo de 30 pontos.

Especialistas ouvidos pelo Notícias da TV dizem não acreditar que a trama consiga virar o jogo na reta final. Em Família tem mais 49 capítulos pela frente. “A novela está fechada em um mundinho que não tem a ver com o de quem assiste o folhetim”, diz Maria Cristina Palma Mungioli, pesquisadora do Centro de Estudos de Telenovela da Escola de Comunicação e Artes da USP (Universidade de São Paulo).

Igor Sacramento, professor da Escola de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), diz que o Leblon de Manoel Carlos e seus personagens ricos e egoístas ignoram a classe C, fator que afasta o público. “Depois de duas tramas bem construídas com trabalhadores, como Avenida Brasil e Cheias de Charme, a sensação que tenho é que a concepção dos pobres em Em Família é estereotipada. O personagem que representa o pobre, o Jairo [Marcello Melo Jr.], é malandro e violento”, observa o professor.

Vanessa Gerbelli (Juliana) e Marcello Melo Jr. (Jairo) em cena de Em Família (Reprodução/TV Globo)

Sem problemas financeiros

Ele afirma que, para as classes populares, a novela não faz sentido, pois não passa valores do que é certo ou errado e não explora problemas socioeconômicos. “A novela não é crível, falta contato com a realidade em suas tramas. Na construção da narrativa, nada parece verdade”, fala Sacramento.

Maria Cristina concorda com o professor da URFJ. “Ninguém tem problema financeiro. A Neidinha [Elina de Souza], por exemplo, é uma cuidadora. Ela não fala em comprar uma casa própria ou em como vai pagar a faculdade e as despesas da filha. Tudo gira em torno da Helena [Julia Lemmertz] e os conflitos se arrastam. Demoram muito para serem resolvidos.”

Personagens egoístas

A questão moral também gera rejeição junto ao telespectador. Laerte (Gabriel Braga Nunes) não sente remorso pelo que fez no passado, vive dizendo que pagou sua conta com a Justiça. Luiza (Bruna Marquezine) só pensa nela mesma. Amar o homem que deixou sua mãe no altar após enterrar seu pai vivo deveria ser um grande conflito.

“Todo mundo só pensa em si. A Luiza só diz eu, eu, eu e minha felicidade. Passa por cima de uma grave questão como se tudo fosse muito natural. A Helena e o Laerte também só pensam neles mesmos. O Virgílio [Humberto Martins] culpa a mulher por não superar o passado, mas, quando vê o inimigo, parte para cima dele. Ele se contradiz”, comenta a pesquisadora da USP.

Vera Fischer (Helena) e Carolina Dieckmann (Camila) em cena de Laços de Família (Reprodução/TV Globo)

Tramas superficiais

As principais características de Manoel Carlos não estão sendo bem desenvolvidas, segundo os especialistas. O autor inseriu a questão moral com o triângulo amoroso entre Laerte, Luiza e Helena, mas o músico não demonstra interesse na ex-noiva. A filha não surge em nenhum diálogo, nem com a melhor amiga, questionando sua escolha. “Isso tinha de ser mais conflituoso”, diz Maria Cristina.

O novelista sempre fez ótimas campanhas sociais, como a de transplante de medula óssea em Laços de Família (2000) e contra os maus-tratos aos idosos em Mulheres Apaixonadas (2003). No entanto, na novela Em Família, ele levantou bandeiras, como a do transplante de órgãos e da violência sexual contra mulher, mas não se aprofundou em nenhuma das duas “A novela chegou ao capítulo 100 sem conseguir repercussão dos temas polêmicos que propôs discutir na TV”, declara Sacramento.

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