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REPRODUÇÃO/ACERVO PESSOAL

A atriz Maíra como Marlene em Quem Ama Cuida: noveleira, ela estreou na TV com pé direito
Ao dar vida à Marlene, presidiária que infernizou a vida de Adriana (Leticia Colin) em Quem Ama Cuida, a atriz Maíra precisou mergulhar em referências densas para não cair no lugar-comum. Em sua estreia em novelas, a intérprete buscou inspiração na série espanhola Vis a Vis (2015-2020). A ideia era retratar a dura realidade do sistema carcerário com respeito, evitando estereótipos e trazendo camadas humanas como compaixão e fidelidade para uma personagem limítrofe.
Noveleira assumida, a artista diz que o convite para integrar a trama foi um marco na sua trajetória, que já conta com caminhadas na música, no teatro e no cinema. "Apesar de já ter uma longa história nos palcos, existe uma outra estrada a trilhar no audiovisual. Eu nunca tinha tido a oportunidade de construir um personagem do zero numa trama tão relevante. Estrear nas novelas de cara numa das 21h pareceu um afago na pequena Maíra que assistia novela com a avó", revela ela, em entrevista ao Notícias da TV.
Além da pesquisa audiovisual, a atriz utiliza uma metodologia própria e muito particular para construir a subjetividade dos papéis antes de entrar em cena.
"Tenho o hábito de relacionar todos os meus personagens a alguma playlist musical que eu mesma crio. Depois, eu danço essa playlist até chegar a certos afetos subjetivos que a minha cabeça não seria capaz de acessar só pensando racionalmente. Amo fazer personagens densos e complexos, e a Marlene me trouxe a oportunidade de trabalhar esse ímpeto humano da vilania", explica Maíra.
As gravações do núcleo carcerário exigiram muita entrega do elenco, que rodou as sequências em uma locação real:
Nós gravamos em uma penitenciária desativada, então a tensão era real, mas o carinho e o cuidado de toda a equipe fizeram com que os dias fossem muito tranquilos. Eu tinha uma expectativa de que as coisas fossem ser mais frias e rápidas, mas a condução da [diretora] Nathalia Ribas tinha um mix de perfeccionismo cuidadoso e afeto que me deixou muito segura para trazer propostas.
Mesmo com uma participação pontual na trama, a artista foi surpreendida pela resposta do público. "Eu estava preparada para que não houvesse reação, pelo tamanho da participação, mas sabia que esse núcleo da prisão seria bem recebido pelo público dada a quantidade de produtos audiovisuais com temática de prisão feminina", avalia.
Fora das telas, Maíra aproveita a visibilidade do trabalho na TV para reforçar sua identidade e seu compromisso com a diversidade:
Minha identidade e meus afetos são 100% do que envolve a minha criação artística. Eu entendi muito cedo que a minha relação com a arte era de missão, não de autopromoção. Eu sei o quanto sofri com a falta de representatividade quando era mais nova e sei da responsabilidade de hoje me colocar nesse lugar. Minha luta é nunca precisar deixar de ser inteira para me moldar a um mundo que me aceitaria pela metade.
A luta por espaço e igualdade na cultura, segundo ela, segue como uma pauta diária no mercado artístico. "A luta é grande e interminável! A gente agradece a quem veio antes, pega o bastão e segue lutando. Já mudou muito, e para melhor, mas eu ainda sonho com um mercado onde todos os tipos de corpos e existência terão seu devido e merecido espaço", pontua a atriz, que também comemora o lançamento do EP visual Pode Amar.
Na rotina intensa de trabalho, a parceria com a esposa, a produtora e diretora de arte Yasmin (com quem abriu a Mayá Produtora), é o porto seguro para equilibrar os compromissos.
"Definitivamente é muito mais fácil equilibrar a rotina sendo casada com alguém que entende perfeitamente as oscilações e as imprevisibilidades da minha profissão! A Yaya cuida do meu branding pessoal, faz a programação visual e a cenografia dos meus shows, então estamos basicamente sempre juntas na vida e na arte", confidencia.
Hoje, ela também está no espetáculo Nosso Amor aos Doces Bárbaros --ao lado de Simone Mazzer, Verônica Bonfim e Guilherme Borges--, que presta homenagem à histórica turnê que reuniu Gal Costa (1945-2022), Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil há 50 anos. O tributo acontece no Sesi Firjan, no centro do Rio de Janeiro, no próximo dia 7.
Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Quem Ama Cuida
Escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Quem Ama Cuida é ambientada em São Paulo e conta com direção artística de Amora Mautner. A novela está prevista para ficar no ar até janeiro de 2027.
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