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MORENA TÁ VIVA!

Por que só a Globo se mostra imune à febre das novelas turcas na TV aberta?

REPRODUÇÃO/GLOBOPLAY

Montagem mostra duas mulheres de Coração de Mãe em close: à esquerda, jovem de cabelos longos observa com expressão séria; à direita, mulher de cabelo curto reage surpresa durante conversa tensa.

Cemre Baysel e Débora Falabella: protagonistas de Leyla (2024) e Avenida Brasil (2012)

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 14/3/2026 - 10h00

Os folhetins turcos já provaram que não são uma moda passageira e vieram mesmo para ficar na TV brasileira. Band e Record chegaram a registrar recordes com suas tramas na última terça-feira (10), e até o SBT entrou na onda ao apostar em As Filhas da Senhora Garcia (2025) --produção mexicana baseada em uma história originalmente turca. A Globo, até aqui, é a única entre as grandes emissoras a passar incólume à febre das produções vindas de Istambul.

Mesmo em um cenário em que o público da TV aberta encolhe ano após ano, parece praticamente impossível imaginar a Globo recorrendo a um enlatado estrangeiro --nem mesmo em faixas de menor pressão competitiva, como a Edição Especial. Mais do que isso: substituir as próprias produções por um folhetim turco seria uma guinada e tanto na estratégia da emissora.

Afinal, a líder de audiência é o maior polo de produção de novelas do mundo. A Globo acumulou um know-how tão consolidado que até países com tradição em teledramaturgia buscam parcerias com a emissora brasileira.

Fina Estampa (2011) ganhou uma versão para o mercado hispânico, Marido en Alquiler (2013), produzida pela Telemundo. Já Avenida Brasil (2012) inspirou a adaptação turca Leyla (2024), realizada em parceria com a Ay Yapim.

Então, por que a Globo exibiria novelas turcas se ela própria é referência global em teledramaturgia diária? Além disso, a emissora ainda dispõe de um acervo tão vasto que poderia ocupar por anos suas faixas de reprises --como a Edição Especial e o Vale a Pena Ver de Novo-- sem sequer repetir um título.

Estabilizada na liderança na Grande São Paulo, a emissora já não precisa travar as disputas acirradas de alguns anos atrás, como quando A Hora da Venenosa chegou a impor derrotas ao Se Joga (2019–2021). Hoje, basta escolher a novela certa para a faixa e manter o público fiel.

Há ainda a questão financeira. Reprisar um título do próprio acervo é muito mais barato do que abrir o bolso para pagar licenciamento, direitos de exibição e outros custos envolvidos na compra de produções estrangeiras. Esse tipo de aposta acaba ficando para o Globoplay, que tem obtido bons resultados com novelas turcas --algo que, para a Globo, já se mostra mais do que satisfatório.


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