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DONA DE MIM

Por que Rosane Svartman evita 'promoção' para novelas das nove da Globo?

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

A autora Rosane Svartman com expressão séria

Rosane Svartman reconhece que o horário nobre impõe um grau diferente de cobrança criativa

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 26/12/2025 - 10h00

Responsável por sucessos como Vai na Fé (2023), Totalmente Demais (2015) e a atual novela das sete, Dona de Mim, a autora Rosane Svartman não trata a faixa intermediária da Globo como um degrau inferior na teledramaturgia. Muito pelo contrário. A autora rejeita a lógica da novela das nove como "promoção" e faz questão de dizer que sua preferência não passa por hierarquia, mas por linguagem, público e narrativa.

"Olha, não é um desejo meu específico [fazer um folhetim para o horário mais nobre]. Eu gosto muito da novela das sete. Acho que a novela das nove tem outro tipo de pressão, tem outro tipo de mergulho e outro tipo de profundidade", explicou a escritora em conversa com o Notícias da TV durante as gravações da reta final de Dona de Mim.

Rosane reconhece que o horário nobre impõe um grau diferente de cobrança criativa e emocional. No entanto, isso não significa que seja algo inalcançável. "É um desafio que, sim, posso fazer. É uma coisa interessante", ponderou.

A própria trajetória de Dona de Mim ilustra essa flexibilidade. Segundo a autora, a novela foi pensada inicialmente para a faixa das nove, mas acabou migrando para as 19h, o que provocou ajustes criativos importantes. "Aí, eu trouxe o kickboxing, trouxe coisas que eu acho que têm mais a ver com novela das sete", contou. Ainda assim, ela reforçou que a mudança de horário não foi encarada como rebaixamento. "Não é uma ambição, eu não encaro como: 'Ah, então agora é um novo degrau’", explicou.

Rosane também defende a mistura de gêneros como marca essencial do horário. Para ela, a novela das sete funciona como um grande espelho popular, feito para um público que está em movimento, chegando em casa, cozinhando ou circulando pelos cômodos. "Eu comparo a novela das sete ao circo. Porque tem o palhaço, tem crianças, tem o globo da morte, tem os trapezistas", disse. É nesse espaço que aventura, humor e romance convivem com liberdade.

Mesmo reconhecendo que a faixa das nove exige outro tipo de construção, a autora não descarta a mudança no futuro. "É como o desafio de escrever 48 capítulos a mais... Também encararia. Não é uma coisa de falar: ‘Ah, não'", afirmou. "Não é uma narrativa menor, assim como eu não achava que Malhação era uma narrativa menor. É muito trabalho", comparou.

Aliás, o folhetim juvenil ocupa um lugar afetivo importante na carreira da autora. Rosane lembrou que começou a escrever para a televisão em Malhação e lamentou o fim do projeto, que funcionava como um espaço de renovação da teledramaturgia da emissora. "Eu sinto muita falta da Malhação. Eu acho que era um lugar onde novos atores surgiam, novos roteiristas", afirmou, defendendo que formatos mais curtos ou novelas verticais possam recuperar esse espírito no futuro.

Ao comparar os horários, Rosane também destacou a relação diferente entre público e narrativa. Para ela, a novela das sete funciona melhor quando o espectador sabe mais do que o personagem, enquanto, nas nove, o suspense costuma operar no sentido inverso. "Funciona melhor às sete quando o público sabe, e o personagem não. E às nove funciona muito bem quando o personagem sabe, e o público não", explicou, atribuindo isso ao grau de imersão de quem assiste.

Essa sensibilidade para o contexto social também aparece quando suas novelas dialogam com temas quentes do noticiário --algo que, segundo ela, não é coincidência. Rosane defende que a ficção tem a capacidade de captar o que está latente na sociedade antes mesmo de virar manchete. "Eu sempre acho que nós, criadores... O audiovisual tem essa potência de entender o que está latente na sociedade", afirmou, citando exemplos como Vai na Fé e a construção da personagem Sol (Sheron Menezzes).

"Vai na Fé estreou em janeiro de 2023 e, no mesmo mês, a Folha [de S.Paulo] publicou uma manchete a partir do Datafolha falando: 'Evangélico no Brasil é uma mulher preta periférica'. E a gente estreou Vai na Fé, exatamente com essa personagem aspiracional, que era a Sol, e a gente tentando entender quem era essa mulher", relembrou.

Para a autora, a diferença entre novela e telejornalismo está justamente no espaço para reflexão, ao falar de tramas que dialogam, por exemplo, com temas como segurança pública --mesmo na faixa das sete, conhecida por ser mais "leve". Segundo ela, a telenovela permite mostrar múltiplos pontos de vista e criar empatia, algo impossível no hard news. 

"Porque é um tema que está aí. Não é à toa que segurança pública é a primeira ou segunda preocupação do brasileiro, está nos jornais. E a novela das sete está entre dois telejornais. Quando ela está no ar, tem outros telejornais também no ar [na concorrência]", valorizou.

Rosane ainda acredita que uma novela só dá certo de verdade quando toca em questões que o público está começando a elaborar. "Uma novela acontece quando esses temas tocam no que a sociedade quer discutir, quer conversar, quer debater, mas nem sabe ainda", afirmou, citando um ensinamento de Gloria Perez. Para ela, a fonte da teledramaturgia segue sendo a mesma de sempre: "A sociedade".

"O poder está com o espectador, vai ler, vai pensar aquilo, mas o que a gente procurou foi justamente trazer um pensamento, dentro da vocação da telenovela que é justamente criar pontes de empatia ou de entendimento ou de reflexão. Tem que pensar que uma telenovela fala para uma nação imensa e quando fala para 25 milhões de pessoas, está falando com pessoas que discordam", explicou.

Leia também -> Resumo dos próximos capítulos da novela Dona de Mim

Dona de Mim é ambientada em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. O folhetim conta com direção artística de Allan Fiterman. No elenco,  estão Clara Moneke, Tony Ramos, Juan Paiva, Rafael Vitti e Cláudia Abreu, entre outros nomes. 


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